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Ceará estuda comprar pescado dos produtores para merenda escolar e hospitais para evitar prejuízos com tarifa dos EUA, anuncia Elmano

Declarações foram dadas durante entrevista ao podcast As Cunhãs, apresentado pelas jornalistas Inês Aparecida, Hébely Rebouças e Kamila Fernandes

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Ceará estuda comprar pescado dos produtores para merenda escolar e hospitais para evitar prejuízos com tarifa dos EUA, anuncia Elmano
Foto: GCMais

O governador do Ceará, Elmano de Freitas, afirmou que o Estado já adota medidas para reduzir os impactos da nova tarifa de importação anunciada pelos Estados Unidos, que pode chegar a 50% sobre produtos brasileiros, afetando diretamente setores estratégicos da economia cearense, como aço, pescado, castanha de caju e cera de carnaúba. As declarações foram dadas durante entrevista ao podcast As Cunhãs, apresentado pelas jornalistas Inês Aparecida, Hébely Rebouças e Kamila Fernandes.

“Estamos falando de algo em torno de R$ 700 milhões em exportações para os Estados Unidos. O Ceará não é o estado que mais exporta, mas é um dos poucos que tem saldo positivo na balança comercial com os americanos”, destacou o governador, lembrando que o aço é o principal produto exportado pelo Estado. “O Ceará é hoje o quarto produtor de aço do Brasil. Temos uma siderúrgica muito eficiente, mas 80% do aço produzido aqui é vendido para os EUA, e não é simples redirecionar essa produção para outros mercados”, alertou.

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Outro setor fortemente impactado é o de pescado. “O Ceará é o maior produtor de pescado do Brasil. Temos contêineres prontos para embarque, barcos saindo para pescar, mas os compradores já sinalizam que não querem receber a carga, com medo das tarifas”, explicou. Produtos como castanha de caju e cera de carnaúba, cuja safra é no segundo semestre, também preocupam os produtores.

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Diante do cenário, o governo estadual está buscando alternativas emergenciais. “Já reunimos empresários para entender a situação e dialogamos com o vice-presidente Geraldo Alckmin, que coordena as tratativas com o governo federal. Nossa posição é clara: defender a soberania nacional e, ao mesmo tempo, os empregos e a economia cearense”, afirmou o governador.

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Pescado para merenda escolar, hospitais e programas sociais

Entre as medidas propostas, está o escoamento da produção para o mercado interno. “Se o pescado não for embarcado, vamos comprá-lo para as escolas, hospitais e programas sociais, como o Ceará Sem Fome. A castanha de caju pode reforçar a merenda escolar. É preciso criatividade para não deixar nossos produtores perderem tudo”, disse.

Além disso, o governo articula a inclusão de produtos cearenses no acordo Mercosul-União Europeia e busca abrir novos mercados, embora reconheça a dificuldade: “Novo mercado não é fácil. Na prática, todo mundo está buscando clientes todos os dias. Se não temos hoje, é porque eles não existem”, ponderou.

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Sobre a condução das negociações pelo governo federal, o governador elogiou a postura do presidente Lula: “A posição do presidente é equilibrada. O Brasil não abre mão da sua soberania, mas quer dialogar para defender empregos e empresas. Essa não é uma questão ideológica, é econômica”, frisou.

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O chefe do Executivo estadual reafirmou a importância do diálogo e da serenidade nas tratativas com os EUA: “Não podemos cair em provocações. Nosso papel é negociar com firmeza, proteger nossos trabalhadores e buscar soluções para o Ceará”.

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