O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) fazem reunião nesta segunda-feira (11), às 17h, no Palácio do Planalto, para finalizar o plano de contingência contra os impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos (EUA). A medida, que entrou em vigor na última quarta-feira (6), prevê sobretaxas de 50% sobre cerca de um terço dos produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.
O encontro contará com a participação também do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e de outros integrantes do governo, como representantes da Casa Civil e da Secretaria de Relações Institucionais, para definir as medidas. Após o plano ser fechado, as ações deverão ser anunciadas oficialmente até esta terça-feira (12).
O pacote em elaboração inclui ações de curto, médio e longo prazo, como linhas de crédito com juros subsidiados para setores mais afetados, adiamento de tributos federais, e ampliação das compras governamentais para absorver parte da produção impactada, especialmente de alimentos perecíveis, evitando prejuízos imediatos aos produtores. A expectativa é que esses mecanismos priorizem setores vulneráveis, como café, carne e manga, que ficaram fora das isenções das sobretaxas.
Lula e Alckmin farão reunião nesta segunda-feira (11) para finalizar plano para conter efeitos do tarifaço
O governo brasileiro também tenta negociar com os Estados Unidos a redução das tarifas e planeja redirecionar parte das exportações para outros mercados internacionais, mitigando o impacto econômico e social do tarifaço. Haddad ressaltou que o plano não comprometerá a meta fiscal, utilizando recursos orçamentários e linhas de crédito alternativas, com aportes previstos entre R$ 30 bilhões e R$ 50 bilhões.
O esforço surge em um contexto tenso nas relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos. Em texto publicado por Trump, ao anunciar as tarifas, o presidente norte-americano atacou a condução da Justiça brasileira sobre o processo em que o ex-presidente Jair Bolsonaro é investigado, por tentativa de golpe de Estado. No texto, Trump exige que a Justiça interrompa o processo, na intenção de livrar o aliado das acusações. Ele ainda criticou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a atuação das chamadas big techs, as grandes empresas de tecnologia – a maioria originária dos Estados Unidos.
Lula reagiu pontuando que as instituições democráticas brasileiras não se dobrarão a interferência estrangeira, reafirmando a necessidade de manutenção da soberania nacional. Ele, no entanto, pontua que o governo brasileiro segue disposto ao diálogo.




