Após quase dois dias sem qualquer tipo de contato, a deputada federal Luizianne Lins (PT/CE) e outros 12 brasileiros detidos por Israel finalmente receberam assistência consular da Embaixada do Brasil em Tel Aviv. A visita dos diplomatas ocorreu após mais de oito horas de intensos trâmites relacionados à detenção dos cidadãos brasileiros, integrantes de uma missão humanitária internacional com destino à Faixa de Gaza.
Segundo informações divulgadas por assessores da deputada e confirmadas pelo Itamaraty, Luizianne também contou com apoio jurídico do Centro Adalah – organização que atua na defesa dos direitos das minorias árabes em Israel. A visita consular ocorreu em dois momentos: um encontro exclusivo com as mulheres, incluindo a parlamentar brasileira, e outro com os homens do grupo. Diplomatas de outros países também acompanharam os procedimentos.
Apesar de estarem em condições de saúde consideradas estáveis, os relatos colhidos pelas autoridades brasileiras e por organizações de direitos humanos indicam que no primeiro dia de detenção o grupo não recebeu comida ou água. Em resposta à situação e como forma de protesto contra a ofensiva israelense em Gaza, alguns membros da missão iniciaram uma greve de fome.
A missão humanitária internacional tinha como objetivo levar suprimentos médicos e alimentos à população palestina, gravemente afetada pela escalada de violência na Faixa de Gaza. Luizianne Lins participava da missão em caráter oficial, designada pela Câmara dos Deputados como observadora internacional. As embarcações foram interceptadas pela Marinha israelense entre os dias 1º e 2 de outubro, em águas internacionais do Mar Mediterrâneo.
De acordo com depoimentos dos detidos, os militares israelenses realizaram uma abordagem agressiva, utilizando armamento pesado, inclusive contra o veleiro “Grande Blu”, onde estava a deputada. Ainda segundo os relatos, não houve qualquer tipo de resistência por parte dos cerca de 500 ativistas humanitários, vindos de mais de 40 países, o que reforça o caráter pacífico da missão.
A transferência do grupo até o centro de detenção israelense durou toda a madrugada, entre os dias 1º e 2 de outubro. Familiares e representantes de entidades civis brasileiras criticaram a falta de transparência por parte do governo israelense e a demora no acesso consular, classificada por juristas como uma violação do direito internacional.
O Itamaraty emitiu nota afirmando que continua acompanhando de perto o caso e prestando todo o apoio necessário aos brasileiros. Também afirmou que está em contato com organismos internacionais, incluindo a ONU, para garantir a segurança e a liberação dos detidos. Parlamentares da bancada do PT e de outros partidos protocolaram pedidos de esclarecimento junto ao Ministério das Relações Exteriores.
A situação ocorre em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio, com a intensificação dos ataques israelenses sobre Gaza, que têm resultado em centenas de mortes, inclusive de civis. A missão humanitária da qual participava a deputada Luizianne Lins buscava chamar atenção da comunidade internacional para a crise humanitária enfrentada pela população palestina. Novas atualizações sobre o caso devem ser divulgadas nas próximas horas.




