O cão “Orelha”, vítima de maus-tratos e morto na Praia Brava, em Florianópolis, recebeu uma homenagem emocionante do artista visual Reci Clayton. Na manhã de quarta-feira (28), Clayton desenhou na areia da Praia da Galheta uma obra de mais de 40 metros com a imagem do cachorro. Em suas redes sociais, o artista afirmou que a obra nasceu como homenagem a “um ser puro, livre e querido por muitas pessoas que caminham pela praia” e deixou um recado sobre a importância do respeito à vida: “Sua partida, marcada pela violência, nos convoca a refletir sobre o cuidado, o respeito e a responsabilidade que temos com todas as formas de vida. Que esta obra efêmera transforme dor em memória, e memória em consciência.”
Clayton contou que produz arte na areia há 13 anos, mas que esta foi a primeira obra de realismo que realizou. Ele explicou que levou cerca de 2h30 para concluir o projeto e destacou a importância de transformar a dor em reflexão para a sociedade. “Sempre tive vontade de fazer trabalhos de realismo, e Orelha foi o primeiro dessa vertente artística”, disse o artista. A homenagem repercutiu nas redes sociais, mobilizando moradores e protetores de animais que acompanham o caso.
O caso ganhou grande repercussão nacional após a divulgação de que quatro adolescentes seriam responsáveis pela tortura que levou à morte de Orelha, um cachorro comunitário cuidado pelos moradores da Praia Brava há cerca de dez anos. A Polícia Civil de Santa Catarina investiga os atos infracionais praticados pelo grupo, que, segundo as apurações, vão além do crime de maus-tratos e incluem danos ao patrimônio e crimes contra a honra.
Os relatórios policiais apontam que os jovens participaram da sessão de tortura contra Orelha, que precisou ser submetido a eutanásia devido à gravidade dos ferimentos. Além disso, a investigação indica que eles teriam tentado afogar outro cachorro, chamado Caramelo, que conseguiu escapar. A Polícia Civil também investiga atos análogos à depredação de patrimônio e ofensas contra profissionais que atuam na região da Praia Brava.
O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, afirmou que o objetivo atual é individualizar as condutas de cada um dos quatro adolescentes envolvidos. Segundo ele, a investigação busca esclarecer responsabilidades e garantir que medidas legais sejam aplicadas de forma justa e adequada, diante da gravidade das ações.
A homenagem de Clayton e a mobilização da população destacam a importância do cuidado e da conscientização sobre maus-tratos a animais. Para moradores e defensores dos direitos dos animais, a arte na areia funciona como lembrança e alerta: transformar dor em memória pode ser um passo importante para educar a sociedade e prevenir novos casos de violência contra seres indefesos.
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