O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou neste domingo (22) que aceitou ser homenageado pela escola de samba Acadêmicos de Niterói no carnaval deste ano e declarou profunda gratidão pela escolha. A declaração foi feita durante entrevista coletiva concedida na Índia, onde o chefe do Executivo cumpre agenda internacional desde o último dia 18, acompanhado por uma comitiva formada por 11 ministros.
Segundo Lula, a decisão de aceitar a homenagem foi pessoal e se limitou a isso, sem qualquer tipo de interferência na concepção artística do desfile. O presidente destacou que não participou da elaboração do samba-enredo, da criação dos carros alegóricos ou da definição das alas que compuseram a apresentação. Para ele, a autonomia artística das escolas de samba deve ser respeitada. “Cabia ao presidente da República aceitar ou não a homenagem. Eu aceitei e sou muito grato à escola”, afirmou.
O desfile da Acadêmicos de Niterói gerou repercussão nacional, especialmente por conta de uma ala que fazia críticas ao que foi chamado de “família em conserva”, o que provocou reações de setores conservadores e de grupos religiosos. Questionado sobre a polêmica, Lula afirmou que não se envolve nesse tipo de discussão e reforçou que não cabe ao presidente opinar sobre escolhas artísticas do carnaval. “Eu não penso sobre isso. Não sou o carnavalesco, não fiz o samba-enredo e não cuidei dos carros alegóricos”, declarou.
Apesar das críticas, Lula classificou a homenagem como “maravilhosa” e ressaltou que o enredo teve como eixo central a história de sua mãe, Dona Lindu. O presidente explicou que a narrativa apresentada pela escola destacou a saga de Dona Lindu ao sair do Nordeste com os filhos rumo a São Paulo, em busca de melhores condições de vida. Segundo ele, a música do desfile foi uma das partes mais emocionantes da homenagem, justamente por resgatar essa trajetória de luta e superação.
O presidente afirmou ainda que considera a homenagem mais direcionada à figura materna do que à sua própria trajetória política. “A música é, na verdade, uma homenagem à minha mãe. É a história dela trazendo os filhos para São Paulo para tentar construir uma vida melhor”, disse. Lula também lamentou o fato de Dona Lindu já ter falecido e não ter podido ouvir o samba-enredo que contou sua história.
Em meio à repercussão do desfile, partidos de oposição protocolaram representações no Tribunal Superior Eleitoral questionando a homenagem. Ainda assim, Lula reiterou que não vê irregularidades, uma vez que não houve participação direta dele na produção do desfile. Para o presidente, a escola exerceu seu direito de contar uma história que considera relevante para a cultura e para a memória social do país.
Ao comentar os próximos passos, Lula afirmou que pretende visitar pessoalmente a Acadêmicos de Niterói para agradecer pela homenagem assim que retornar ao Brasil. Durante a fala, o presidente chegou a se confundir ao mencionar São Paulo, mas depois reforçou a intenção de ir até a escola, localizada em Niterói, no estado do Rio de Janeiro, para expressar sua gratidão.
Apesar da grande visibilidade do desfile, a Acadêmicos de Niterói acabou rebaixada do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro, ficando em último lugar na apuração realizada na quarta-feira (18). Esta foi a primeira vez que a escola desfilou na elite do carnaval carioca. O enredo contou a trajetória de Lula desde a infância no Nordeste, passando pela migração para o Sudeste, o trabalho como torneiro mecânico, a atuação sindical e a chegada à Presidência da República.




