O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu nesta semana a eleição indireta para definir o novo governador interino do Rio de Janeiro, criando indefinição sobre o processo que preencheria a vaga até as eleições gerais de outubro de 2026. A decisão monocrática do ministro Luiz Fux, referendada por maioria do plenário virtual, derrubou regras aprovadas pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) que devem embaralhar o processo. Com isso, o estado pode ter duas eleições para o cargo em 2026: uma indireta emergencial e a direta regular.
Contexto da crise política
A necessidade de nova eleição surgiu após a renúncia do então governador Cláudio Castro (PL), protocolada em 23 de março de 2026, um dia antes do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o declarou inelegível por oito anos. Acusado de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, Castro saiu para disputar o Senado, evitando cassação formal, mas deixando o mandato vago nos últimos meses do quadriênio.
A dupla vacância – governador e vice ausentes – ativou a Constituição estadual, prevendo eleição indireta na Alerj para um mandato-tampão até 31 de dezembro de 2026.
Castro assumiu o Palácio Guanabara em 2021, após impeachment de Wilson Witzel, e venceu as eleições de 2022 com apoio bolsonarista. No entanto, investigações do TSE apontaram irregularidades, como uso da máquina pública e captação ilícita de recursos, culminando na decisão de 24 de março (5 a 2), que o barrou de candidaturas até 2034. Sua renúncia estratégica manteve aliados em alerta, mas embaralhou o tabuleiro político fluminense, favorecendo, por exemplo, Eduardo Paes (PSD) em pesquisas para a eleição deste ano.
Decisão de Luiz Fux e o impacto sobre o processo
Relator da ação movida pelo PSD, Fux suspendeu em 18 de março trechos da lei estadual que facilitavam aliados de Castro, como exigência de voto aberto (para rastrear lealdades) e prazo de 24 horas para candidatos deixarem cargos.
Na sexta-feira (27), maioria do STF (seis ministros, incluindo Cármen Lúcia e Toffoli) confirmou voto secreto, divergindo de Alexandre de Moraes (favorável a direta). Essa medida "embaralha" a eleição, protegendo deputados de pressões e podendo adiar o pleito, com risco de intervenção federal se não resolvido antes de outubro.
Quem assume interinamente como novo governador do Rio de Janeiro
Com a renúncia, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), desembargador Ricardo Couto, assumiu o governo interinamente em 24 de março, com prazo inicial de 48 horas para convocar a Alerj. Couto prometeu atos "refletidos e responsáveis", mas a suspensão do STF mantém ele no cargo por tempo indeterminado, enquanto o plenário define regras finais. A indefinição pode levar os fluminenses às urnas duas vezes em 2026, com a indireta preenchendo o vácuo até a posse do eleito em janeiro de 2027.
A eleição indireta, se realizada em abril como cogitado, envolverá os 70 deputados da Alerj votando em chapa com governador e vice para o tampão. Nomes como Rodrigo Bacellar (União Brasil) e aliados de Castro circulam, mas o voto secreto reduz favoritismo. Caso adiada, Couto segue até outubro, evitando caos administrativo em áreas como segurança e saúde, críticas no governo anterior.

