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Lula diz que Ciro Gomes é "destemperado" e "acha que pode ofender todo mundo"

Lula concedeu entrevista exclusiva para a TV Cidade Fortaleza, na manhã desta quarta-feira (1º)

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Lula diz que Ciro Gomes é "destemperado" e "acha que pode ofender todo mundo"
Foto: GCMais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou sua relação com o ex-ministro Ciro Gomes durante entrevista exclusiva concedida nesta quarta-feira (1º) à jornalista Bianca Saraiva, da TV Cidade Fortaleza, emissora Record no Ceará. Na ocasião, ele pontuou que Ciro é "destemperado" e "acha que pode ofender todo mundo".

Lula lembra relação entre Camilo e Ciro antes de rompimento

Na ocasião, Lula lembra que o ministro da Educação Camilo Santana (PT) confiava plenamente em Ciro, até mais do que no próprio correligionário.

"Eu lembro que o Camilo acreditava tanto no Ciro, que o Camilo levou o Ciro para conversar comigo em São Paulo. Camilo achava que eu que era ruim e que o Ciro era bom. Ele agora está vendo o que aconteceu com ele. O Ciro é o seguinte: o Ciro é muito destemperado. Ou seja, sabe aquela pessoa que acha que pode falar tudo, que pode ofender todo mundo, que pode ser o melhor do mundo, que pode... Sabe? Aquela pessoa que não tem nada que você fale que ele já não saiba. Ele é assim. E isso na política não dá resultado."
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Ele falou sobre o processo de distanciamento entre os dois, que já trabalharam juntos, quando Ciro foi ministro de Lula. “Eu não consigo perder a amizade com uma pessoa porque a pessoa muda de opinião. Eu sempre tive muito respeito pelo Ciro Gomes”, afirmou. Ainda assim, o presidente fez críticas ao comportamento do ex-aliado, classificando-o como alguém que acaba criando conflitos desnecessários.

O presidente também comparou a trajetória política de ambos, destacando sua fidelidade partidária desde a fundação do PT, em 1980, enquanto Ciro teria mudado de legenda diversas vezes. Para Lula, o partido político deve ser a principal referência na atuação pública. “Eu não sou melhor do que o partido. Dez pessoas conseguem pensar melhor do que uma”, disse, ao defender a importância de estruturas partidárias organizadas.

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Na avaliação do presidente, o Brasil precisa fortalecer os partidos e ampliar a participação da sociedade nessas organizações. Ele criticou o que chamou de “promiscuidade na política” e afirmou que não é possível governar sem bases partidárias sólidas. Nesse contexto, sugeriu que Ciro adota uma postura mais personalista, ao considerar a si próprio como referência central.

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Lula elogia Ciro ao lembrar atuação como ministro

Apesar das críticas, Lula ressaltou aspectos positivos da atuação de Ciro em seu governo. “O Ciro foi um bom ministro meu, prestou bom serviço, eu guardo boas recordações”, afirmou, acrescentando que evita fazer ataques pessoais. “Eu não preciso falar mal do Ciro, eu prefiro guardar o bom momento que eu tive com ele.”

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O presidente também negou que tenha havido um rompimento direto entre os dois. Segundo ele, o distanciamento ocorreu por diferenças de projetos políticos, especialmente quando Ciro manifestou interesse em disputar a Presidência da República. “Ele acha que fui eu que não quis que ele fosse presidente. Eu não quis não, o que eu não quis foi o povo”, declarou.Lula afirmou ainda que acredita no potencial de contribuição de Ciro para o país, apesar das divergências.

Lula fala sobre situação de Luizianne no PT Ceará

Na entrevista, Lula também comentou a situação da deputada Luizianne Lins dentro do PT, no Ceará, afirmando que o partido não foi injusto com a parlamentar. Ao comentar a situação, Lula afirmou que ela “teve tudo o que quis dentro do partido” e ponderou que, na política, nem sempre é possível ocupar todos os espaços desejados simultaneamente. Ele ressaltou que sacrifícios individuais são necessários para viabilizar projetos coletivos e aumentar as chances de vitória eleitoral.

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Segundo ele, Luizianne precisa "compreender a realidade política" da cidade, em referência ao pleito dela de ser a candidata à Prefeitura nas eleições de 2024. Na ocasião, a indicação do partido ficou com Evandro Leitão, que acabou sendo eleito.

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"Ela queria ser candidata a prefeita, ela queria ser candidata a governadora, ela queria ser candidata ao Senado, ou seja... Ela tem o direito, ela foi prefeita da capital, foi uma bela prefeita da capital, trabalhou muito, mas ela precisa compreender a realidade política da cidade, senão a gente vai ficar sozinho, e sozinho a gente tem mais dificuldade. Porque qual é o nosso problema? O nosso problema é eleger senador da república, nós precisamos construir a maioria do Senado, nós precisamos eleger governadores, precisamos eleger deputados e eleger presidente da República. Porque você não faz composição só com quem você gosta. Quem você gosta já está com você. Você tem que fazer composição com aquelas pessoas que pensam diferente de você, mas que são capazes de construir minimamente um projeto para o estado, um projeto para o país. É isso que eu acho que o Ceará está buscando."

PT precisa contemplar partidos aliados, diz Lula

Segundo o presidente, o PT precisa considerar o conjunto da política estadual e não pode concentrar todas as candidaturas relevantes. Ele destacou que, em um cenário de alianças com outras siglas, é natural que uma das vagas ao Senado seja destinada a partidos aliados. Lula argumentou que a construção de uma chapa competitiva passa pela partilha de posições, garantindo a participação de diferentes forças políticas.

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O presidente também enfatizou a importância estratégica do Senado, defendendo a necessidade de eleger uma base sólida para garantir governabilidade. Segundo ele, senadores têm grande poder político e podem criar dificuldades para o Executivo caso não haja alinhamento. Nesse contexto, Lula afirmou que a prioridade deve ser a construção de maiorias no Congresso, mesmo que isso exija concessões nas disputas locais.

Sobre a definição das candidaturas, o presidente disse que ainda não há decisões fechadas e evitou confirmar nomes, incluindo o do deputado José Guimarães. Ele destacou, no entanto, que lideranças como Camilo Santana têm papel central na condução das negociações no estado.

Visita ao Ceará

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Lula desembarcou em Fortaleza na noite desta terça-feira (31), onde foi recebido pelo governador Elmano de Freitas e outras autoridades locais. A visita integra a agenda oficial do Governo Federal no estado, com compromissos voltados principalmente para as áreas de educação e investimentos públicos.

Entre os compromissos do presidente está a inauguração do primeiro bloco do novo campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em Fortaleza, que contará com estrutura de alojamento estudantil. A unidade será a primeira do ITA fora do estado de São Paulo e ofertará cursos de Engenharia de Sistemas e Engenharia de Energias Renováveis.

A visita ao campus do ITA marca a terceira vez que Lula acompanha de perto o andamento das obras da instituição na capital cearense. O projeto é considerado um dos principais investimentos federais na área de educação superior no estado.

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Entrevista na íntegra