O mercado financeiro brasileiro registrou uma sessão de forte valorização dos ativos nesta sexta-feira (9), com o dólar em queda e se aproximando do patamar de R$ 5, o menor nível em mais de dois anos, enquanto o Ibovespa renovou recordes históricos. O movimento ocorreu em meio ao aumento do apetite global por risco, estabilidade no mercado de petróleo e repercussão de dados de inflação no Brasil.
O desempenho dos mercados foi impulsionado pela combinação de fatores internos e externos. No cenário internacional, expectativas de redução de tensões no Oriente Médio contribuíram para o maior interesse em ativos de economias emergentes, incluindo o Brasil. No ambiente doméstico, investidores reagiram aos dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que influenciam as projeções para a política monetária.
Mercado financeiro reage a inflação, cenário externo e fluxo de capitais
A sessão desta sexta-feira foi marcada por forte entrada de capital estrangeiro e continuidade de uma tendência de valorização da bolsa brasileira. O índice Ibovespa registrou o nono pregão consecutivo de alta, aproximando-se pela primeira vez da marca simbólica de 200 mil pontos.
Ao mesmo tempo, o dólar comercial recuou de forma significativa diante do real, refletindo fatores como o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, o desempenho das exportações de commodities e o ambiente externo mais favorável ao risco. A expectativa de manutenção de juros elevados no Brasil também aumentou a atratividade de investimentos em renda fixa no país.
O IPCA de março, divulgado recentemente, apresentou alta de 0,88%, acima das projeções do mercado. O resultado reforçou a percepção de que o Banco Central pode manter a taxa de juros em patamar elevado por mais tempo, o que tende a sustentar a entrada de recursos estrangeiros.
Dólar em queda no Brasil com menor nível em mais de dois anos
O dólar comercial encerrou o pregão em queda de 1,02%, negociado a R$ 5,011, atingindo o menor nível desde 9 de abril de 2024. Durante o dia, a moeda chegou a se aproximar da barreira psicológica de R$ 5,00.
Na semana, a divisa acumulou queda de 2,9%, enquanto no acumulado do ano a desvalorização chega a 8,72%. Analistas de mercado apontam que o movimento de baixa está relacionado a três principais fatores: o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, o desempenho positivo das commodities no comércio exterior e a redução da aversão global ao risco.
Esse cenário favorece moedas de países emergentes, como o real, especialmente em momentos de maior fluxo de capital internacional. O comportamento recente também reflete a percepção de estabilidade relativa da economia brasileira frente ao cenário global.
Ibovespa atinge recorde e se aproxima dos 200 mil pontos
O Ibovespa fechou em alta de 1,12%, aos 197.324 pontos, atingindo novo recorde histórico de encerramento. Na máxima do dia, o índice chegou a ultrapassar 197,5 mil pontos, ficando muito próximo do patamar simbólico de 200 mil pontos.
Este foi o nono pregão consecutivo de ganhos e o 16º fechamento recorde do índice no período recente, consolidando uma sequência positiva que não era registrada há meses. Na semana, a bolsa acumulou valorização de 4,93%, impulsionada principalmente pela entrada de capital estrangeiro.
Dados do Banco Central indicam que o Brasil registrou entrada líquida de US$ 29,3 bilhões em investimentos em carteira no acumulado de 12 meses até fevereiro, o que tem contribuído para sustentar a valorização dos ativos locais. Esse fluxo também ajuda a explicar a queda do dólar frente ao real.
Petróleo tem leve recuo em meio a cenário geopolítico
No mercado internacional de commodities, o petróleo apresentou leve queda nesta sexta-feira, em meio ao acompanhamento das negociações diplomáticas envolvendo o Oriente Médio. O comportamento dos preços reflete a cautela dos investidores diante de possíveis desdobramentos geopolíticos.
O barril do tipo Brent recuou 0,75%, sendo negociado a US$ 95,20. Já o petróleo WTI, referência no mercado norte-americano, caiu 1,33%, para US$ 96,57.
Apesar das oscilações do dia, os preços do petróleo permanecem relativamente estáveis, com o mercado atento às negociações entre Estados Unidos e Irã e aos impactos potenciais dessas conversas sobre a oferta global.




