O dólar encerrou o pregão desta segunda-feira (13) em queda e fechou cotado a R$ 4,9970, após atingir mínima de R$ 4,9835 ao longo do dia. O movimento levou a moeda norte-americana ao menor valor de fechamento em mais de dois anos, desde 27 de março de 2024, quando havia encerrado a R$ 4,9793. Durante o dia, a divisa chegou a romper o patamar psicológico de R$ 5,00.
O comportamento da moeda foi marcado por volatilidade nas primeiras horas do pregão, quando chegou a subir em meio à incerteza sobre as negociações de paz no Oriente Médio. No entanto, o cenário se inverteu ao longo da tarde, com o dólar acompanhando o enfraquecimento da moeda norte-americana no exterior.
Mercado reage a falas de Trump sobre Irã
A mudança de direção ocorreu após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando a possibilidade de avanço em negociações com o Irã. Segundo o republicano, autoridades iranianas teriam demonstrado interesse em um acordo, desde que o país abandone seu programa nuclear.
As falas ajudaram a reduzir a aversão ao risco nos mercados globais, revertendo parte do pessimismo observado no início do dia, quando investidores reagiam a medidas norte-americanas relacionadas ao bloqueio de portos iranianos. O alívio nas tensões contribuiu para a queda do dólar frente a outras moedas.
Dólar fecha abaixo de R$ 5 e menor valor em mais de dois anos
No fechamento, o dólar à vista recuou 0,29%, encerrando o dia a R$ 4,9970. Com o resultado, a moeda acumula desvalorização de 3,51% em abril e queda de 8,96% no ano. O real teve desempenho positivo, embora inferior ao de outras moedas latino-americanas, como o peso chileno e o peso colombiano.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, também registrou queda. Após superar os 99,100 pontos pela manhã, o indicador recuou para cerca de 98,380 pontos no fim do dia, uma baixa aproximada de 0,30%.
Cenário externo e impacto das commodities
O mercado de commodities também influenciou o comportamento dos ativos. Os contratos futuros do petróleo encerraram em alta, após oscilações ao longo do dia. O WTI para maio subiu 2,6%, cotado a US$ 99,08, enquanto o Brent para junho avançou 4,36%, chegando a US$ 99,36. A movimentação ocorreu em meio a relatos de embarcações revertendo rotas próximas ao Estreito de Ormuz após tensões geopolíticas.
Segundo analistas do mercado, o cenário ainda é sensível, mas há percepção de que parte do risco inicial já foi incorporado aos preços dos ativos.
Brasil é beneficiado por cenário de commodities e juros
Especialistas apontam que o Brasil tem se beneficiado do ambiente externo, especialmente por ser exportador líquido de petróleo. A alta da commodity tende a fortalecer o saldo da balança comercial e melhorar as contas externas do país.
Além disso, fatores internos também contribuem para o desempenho do real, como a taxa Selic próxima de 15% ao ano, que mantém o país atrativo para investidores estrangeiros em busca de rendimento.
Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 6,748 bilhões nas duas primeiras semanas de abril, alta de 151,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Perspectivas para o mercado cambial
Analistas avaliam que, com a redução momentânea da aversão ao risco global e manutenção de preços elevados de energia, moedas de países emergentes podem continuar se beneficiando no curto prazo. No caso do Brasil, a combinação entre juros elevados, fluxo comercial positivo e valorização de commodities sustenta a melhora do real frente ao dólar.
Leia também




