A operação da Polícia Civil do Ceará contra integrantes do Comando Vermelho (CV) teve como um dos principais alvos o engenheiro civil Abraão de Aquino Guimarães, abordado por policiais enquanto treinava em uma academia de alto padrão em Sobral, na manhã desta quinta-feira (18). O empresário é investigado por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa.
Segundo a investigação, Abraão é sócio proprietário da construtora AG Ltda, também identificada como Ecoguima. A empresa teria movimentado mais de R$ 15 milhões em apenas um ano, valor que passou a ser analisado pela Polícia Civil dentro das apurações sobre a estrutura financeira utilizada pelo grupo criminoso.
Engenheiro investigado em operação contra o CV foi abordado durante treino
O engenheiro foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a ofensiva policial. A abordagem ocorreu dentro de uma das academias mais conhecidas de Sobral.
O local também ganhou destaque durante a operação porque era o mesmo onde atuava a personal trainer e influenciadora Mayara Costa, presa na ação policial.
Mayara e o companheiro dela, o engenheiro Auriston Costa, também estão entre os investigados suspeitos de participação na movimentação e ocultação de recursos atribuídos ao Comando Vermelho no Ceará.
A Polícia Civil não detalhou o papel individual de cada alvo investigado, mas afirma que o grupo utilizava uma estrutura considerada sofisticada para circulação de dinheiro ilícito.
Polícia investiga movimentação milionária ligada à construtora
De acordo com os investigadores, a análise financeira identificou movimentações consideradas incompatíveis e operações que passaram a ser alvo de apuração dentro do inquérito.
A polícia suspeita que empresas, profissionais liberais e operadores financeiros eram utilizados para dar aparência legal aos recursos movimentados pela facção criminosa.
O caso chama atenção pelo volume financeiro identificado durante as investigações. Conforme a Polícia Civil, as movimentações analisadas ultrapassam R$ 1 bilhão.
Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias vinculadas aos investigados.
Operação contra o Comando Vermelho cumpriu mandados em oito estados
A ofensiva policial teve alcance nacional e cumpriu mandados no Ceará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins.
Ao todo, foram cumpridos 47 mandados de prisão relacionados aos crimes de integrar organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Desse total, 18 investigados já estavam presos em unidades prisionais e tiveram os novos mandados formalizados. Outros 29 suspeitos foram capturados durante a operação.
A investigação também resultou na apreensão de 64 veículos, sendo 16 localizados em Sobral.
Segundo a Polícia Civil, o volume financeiro identificado aponta para um possível sistema estruturado de lavagem de dinheiro com atuação interestadual.
Advogados também são investigados por lavagem de dinheiro
Entre os investigados estão dois advogados suspeitos de participação no esquema criminoso.
Um deles foi preso em Fortaleza por suspeita de integrar organização criminosa e atuar diretamente em operações de lavagem de dinheiro.
O segundo advogado foi alvo de mandado de busca e apreensão. O escritório utilizado pelos investigados também recebeu equipes policiais durante a operação.
As autoridades afirmam que o grupo utilizava mecanismos variados para ocultar a origem dos recursos ilícitos, incluindo movimentações empresariais e operações financeiras consideradas complexas.
Construtora citada na investigação divulga nota
Após a repercussão da operação, a construtora AG Ltda divulgou nota afirmando que ainda não teve acesso ao conteúdo que motivou as medidas judiciais determinadas pela Justiça.
No comunicado, a empresa informou que possui nove anos de atuação no mercado cearense e declarou estar à disposição das autoridades para apresentar informações contábeis, fiscais e financeiras que, segundo a defesa, comprovariam a regularidade das atividades da construtora.
A nota também afirma que a empresa e o sócio proprietário “confiam que a justiça prevalecerá” e sustentam que mantêm “conduta comercial e fiscal ilibada”.
A Polícia Civil segue investigando a origem dos recursos movimentados pelos suspeitos e a possível ligação financeira entre empresas e integrantes do Comando Vermelho. Novas fases da operação não estão descartadas.




