O arcebispo da Arquidiocese de Fortaleza, dom Gregório Paixão, fez um apelo pela unidade da Igreja Católica após a decisão da Santa Sé de excomungar bispos ligados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX). A medida foi adotada depois que integrantes da organização realizaram a consagração de novos bispos sem autorização do papa Leão XIV, ato considerado pelo Vaticano uma grave ruptura da comunhão e da disciplina da Igreja.
Ao comentar o episódio, dom Gregório foi questionado sobre os possíveis impactos para os fiéis que frequentam ou mantêm vínculo com a fraternidade em Fortaleza. Em resposta, afirmou que cada pessoa responde por suas próprias escolhas, mas ressaltou que a missão da Igreja continua sendo acolher os fiéis e promover a comunhão entre os católicos.
Segundo o arcebispo, o momento deve ser vivido com oração e compromisso com a unidade da Igreja, lembrando o ensinamento de Jesus sobre a importância da comunhão entre os cristãos.
"Agora pedimos a Deus que a gente possa viver aquilo que Jesus rezou no momento crucial da sua vida, suplicando, antes de ser crucificado, pela unidade da Igreja. [...] Portanto, que a gente una os corações, que a gente una a vida e que o grande testemunho da nossa vida cristã seja exatamente o dessa unidade, e nunca o da divisão", afirmou.
Dom Gregório pede unidade após excomunhão ligada à Fraternidade São Pio X
A declaração ocorre em meio à repercussão internacional da decisão anunciada pela Santa Sé. A excomunhão reacende um conflito histórico entre o Vaticano e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, grupo tradicionalista fundado em 1970.
Embora tenha reconhecido a liberdade individual dos fiéis, dom Gregório evitou ampliar o debate sobre punições canônicas e concentrou sua manifestação na necessidade de preservar a unidade da Igreja Católica. A fala reforça uma postura de acolhimento, ao mesmo tempo em que destaca a importância da comunhão em torno da autoridade do papa.
Por que a Santa Sé excomungou os bispos da Fraternidade São Pio X
A decisão foi anunciada após dois bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X consagrarem quatro padres como bispos sem autorização do papa Leão XIV.
Antes da cerimônia, o Vaticano já havia advertido oficialmente que qualquer ordenação episcopal sem mandato pontifício seria considerada um ato cismático, sujeito à excomunhão automática prevista pelo Direito Canônico.
Além do alerta divulgado em maio, o papa Leão XIV encaminhou, em 29 de junho, uma carta aos integrantes da fraternidade, escrita em francês, pedindo que a cerimônia não fosse realizada.
Mesmo diante do apelo, a organização manteve a programação e realizou a consagração na cidade de Ecône, na Suíça.
A cerimônia foi conduzida pelos bispos Alfonso de Galarreta e Bernard Fellay, que consagraram Pascal Schreiber, Michael Goldade, Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier como novos bispos.
Após a ordenação, a Santa Sé confirmou a excomunhão dos dois bispos celebrantes e dos quatro novos bispos. Também informou que sacerdotes diretamente envolvidos receberam a mesma sanção e advertiu que fiéis que passarem a integrar formalmente o grupo estarão sujeitos às consequências previstas pelo Direito Canônico.
O que é a Fraternidade Sacerdotal São Pio X
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X foi fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, na Suíça. O grupo reúne sacerdotes e fiéis que defendem uma interpretação tradicionalista do catolicismo e rejeitam parte das reformas promovidas pela Igreja Católica ao longo das últimas décadas.
Os integrantes, conhecidos como "lefebvrianos", preservam práticas litúrgicas anteriores ao Concílio Vaticano II. Entre elas estão a celebração da missa em latim e a manutenção do rito em que o sacerdote permanece voltado para o altar durante grande parte da celebração.
A fraternidade também critica mudanças relacionadas à participação dos leigos na Igreja, ao diálogo com outras religiões e a diversas reformas implementadas após a década de 1960.
Como surgiu o conflito entre a Fraternidade São Pio X e o Vaticano
O principal ponto de divergência entre a Fraternidade São Pio X e o Vaticano está nas decisões do Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965 por convocação do papa João XXIII.
O concílio promoveu uma ampla atualização da Igreja Católica, permitindo que as missas fossem celebradas nas línguas locais, ampliando a participação dos fiéis e incentivando o diálogo ecumênico e inter-religioso.
Essas mudanças nunca foram plenamente aceitas pela fraternidade.
O conflito atingiu um de seus momentos mais marcantes em 1988, quando Marcel Lefebvre ordenou quatro bispos sem autorização do papa, situação semelhante à que voltou a ocorrer agora.
A nova decisão da Santa Sé reforça que a consagração de bispos sem mandato pontifício continua sendo considerada uma violação grave da estrutura hierárquica e da comunhão da Igreja Católica, motivo pelo qual os envolvidos foram novamente submetidos à pena de excomunhão.




