A cantora e influenciadora Juliette Freire comentou a condenação de Matheus Anthony Lima Martins Queiroz pelo feminicídio da enfermeira Clarissa Costa Gomes, assassinada em Fortaleza. O homem foi condenado pelo Tribunal do Júri a mais de 31 anos de prisão, e a artista utilizou as redes sociais para falar sobre o caso e alertar para discursos e comportamentos que podem contribuir para a violência contra mulheres.
A decisão judicial reconheceu que o crime foi cometido como feminicídio, além das qualificadoras de emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado, e a Justiça determinou que o condenado não poderá recorrer em liberdade.
Clarissa Costa Gomes tinha 31 anos e trabalhava como enfermeira neonatal no Hospital Geral de Fortaleza. Segundo as investigações, ela foi morta dentro da própria residência após decidir encerrar o relacionamento com Matheus Anthony.
Juliette alerta sobre discursos de violência contra mulheres
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Juliette afirmou que a condenação representa uma resposta da Justiça, mas destacou que o enfrentamento ao feminicídio também depende da identificação e do combate a comportamentos abusivos antes que eles resultem em agressões.
A cantora chamou atenção para uma declaração feita pelo réu durante o processo judicial. Segundo Juliette, ao ser questionado sobre o relacionamento com Clarissa, Matheus teria afirmado que a relação era prejudicial apenas pelas palavras.
Para a artista, falas que controlam, diminuem ou desacreditam mulheres não devem ser tratadas como situações sem importância. Ela afirmou que discursos de caráter misógino podem contribuir para a normalização de atitudes violentas.
Juliette destacou ainda que o caso de Clarissa terminou com uma condenação, mas defendeu que a sociedade precisa combater comportamentos que possam incentivar novos episódios de violência.
Julgamento reconheceu feminicídio
O julgamento de Matheus Anthony ocorreu na 2ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza, no Fórum Clóvis Beviláqua. Os trabalhos começaram na segunda-feira (13) e foram encerrados na terça-feira (14), após mais de 13 horas de sessão.
Durante o julgamento, o Conselho de Sentença rejeitou a tese apresentada pela defesa e reconheceu a ocorrência de feminicídio. Também foram consideradas as circunstâncias de crueldade e a dificuldade de defesa da vítima.
Além da pena de prisão, a Justiça determinou o pagamento de R$ 40,5 mil por danos morais à família de Clarissa.
O condenado confessou o crime durante o interrogatório judicial. A confissão foi considerada como circunstância atenuante na definição da pena aplicada pelo magistrado.
Juliette relembrou amizade com enfermeira
Após a morte de Clarissa, Juliette já havia publicado conteúdos nas redes sociais falando sobre a amizade entre as duas.
A cantora contou que conhecia a enfermeira por meio de uma amiga de infância, com quem dividiu apartamento na Paraíba. Na época, descreveu Clarissa como uma pessoa dedicada aos estudos, educada e comprometida com o trabalho de cuidar de recém-nascidos.
Segundo Juliette, pessoas próximas não tinham conhecimento de sinais de violência no relacionamento entre Clarissa e Matheus antes do crime.
Ela afirmou que não havia relatos de pedidos de ajuda ou situações que indicassem o desfecho ocorrido.
Caso teve repercussão no Ceará
A morte da enfermeira gerou mobilizações relacionadas ao combate ao feminicídio. Nos meses seguintes ao crime, Juliette utilizou as redes sociais para pedir justiça e participou de manifestações sobre violência contra mulheres.
Com a condenação de Matheus Anthony, o caso passou a ser novamente debatido após a decisão judicial e a manifestação da cantora.
Segundo as investigações, Clarissa foi assassinada dentro da casa onde morava com a mãe, em Fortaleza. O homem foi preso após o crime e permaneceu à disposição da Justiça até o julgamento.




