O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visita nesta segunda-feira (17) um navio-sonda da Petrobras que atua na exploração de petróleo na Margem Equatorial, no litoral do Amapá. A agenda ocorre em Oiapoque, três dias depois de a estatal anunciar a identificação de hidrocarbonetos no poço exploratório Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas.
Lula é acompanhado pelo presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP). Os dois seguiram no mesmo avião do Amapá até Oiapoque e participam da visita à embarcação responsável pelas atividades de prospecção em águas profundas na região.
O poço Morpho está localizado a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá. A perfuração ocorre em águas profundas, em uma área onde o mar chega a 2.886 metros de profundidade.
A identificação de hidrocarbonetos indica a presença de petróleo ou gás natural. A Petrobras, porém, ainda precisa concluir as avaliações para determinar o volume encontrado e verificar as condições da área antes de definir se existe viabilidade para uma eventual exploração comercial.
Petrobras prevê novos poços na Margem Equatorial
A descoberta no poço Morpho faz parte de uma campanha mais ampla de exploração da Petrobras na Margem Equatorial brasileira, região que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte.
De acordo com o plano de negócios da companhia para o período de 2026 a 2030, estão previstos 15 novos poços na região até 2030. O planejamento estabelece investimentos de US$ 2,5 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 13 bilhões, no local durante os próximos cinco anos.
O bloco FZA-M-59, onde está localizado o poço Morpho, integra a Bacia da Foz do Amazonas. A Petrobras considera a área uma das regiões com potencial para novas descobertas de petróleo no país.
A Margem Equatorial ganhou atenção nos últimos anos após grandes descobertas de petróleo em águas da Guiana e do Suriname, países vizinhos ao Brasil.
A exploração na região também envolve discussões relacionadas aos possíveis impactos ambientais. A Petrobras aguardou mais de uma década pela autorização para perfurar o primeiro poço na Bacia da Foz do Amazonas. Em outubro de 2025, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu a licença, após estabelecer medidas de proteção ambiental e de resposta a eventuais acidentes.
Visita ocorre após reaproximação entre Lula e Alcolumbre
A presença de Davi Alcolumbre na agenda ocorre após uma retomada dos encontros entre o presidente da República e o presidente do Senado.
Nas últimas duas semanas, Lula e Alcolumbre se reuniram três vezes. A reaproximação ocorreu depois da rejeição ao nome de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
O movimento também resultou na retomada, por Alcolumbre, de pautas de interesse do governo federal no Senado para 2026.
O presidente do Senado deve recepcionar Lula no aeroporto no fim da manhã desta segunda-feira. Para Alcolumbre, a exploração da região representa uma possibilidade de transformação econômica para o estado.
“É um momento histórico para o Amapá e para o Brasil. Lutamos durante anos pelo direito de conhecer as riquezas da nossa região e queremos que elas se transformem em desenvolvimento, emprego, renda e oportunidades para a nossa gente”, afirmou.
Lula iniciou campanha pela reeleição
A visita ao Amapá ocorre um dia depois de Lula lançar oficialmente sua campanha pela reeleição à Presidência da República. O ato foi realizado no domingo (16), no estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.
O local escolhido para o lançamento tem relação com a trajetória política de Lula, que iniciou sua atuação no movimento sindical da região e ganhou projeção nacional durante as mobilizações de metalúrgicos no fim da década de 1970.
O evento teve como lema “Brasil pronto para mais” e como mote “Onde tudo começou”. O discurso do presidente durou cerca de 35 minutos e abordou temas como segurança pública, soberania nacional, educação, emprego, mulheres e jovens.
Durante a fala, Lula também fez críticas ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).




