Os bancários do Ceará decidiram paralisar as atividades na próxima quinta-feira (20). A decisão foi tomada em assembleia realizada na noite de segunda-feira (17), segundo informou José Eduardo, presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará, em declaração enviada à Rádio Jovem Pan News Fortaleza nesta terça-feira (18).
De acordo com o dirigente, a categoria decidiu pela paralisação porque não há, até o momento, uma proposta apresentada pelos bancos que possa ser levada para avaliação dos trabalhadores. A mobilização ocorre em meio à Campanha Nacional Unificada dos Bancários, que envolve negociações entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
Eduardo afirmou que a categoria pretende pressionar a representação dos bancos pela apresentação de uma nova proposta. Ele também destacou que o movimento não tem como objetivo atingir a população, mas buscar avanços nas negociações trabalhistas.
Paralisação dos bancários no Ceará acontece na quinta-feira (20)
A paralisação está prevista para ocorrer em 20 de agosto. Segundo José Eduardo, a mobilização foi definida em conjunto com bancários de outras partes do país.
O presidente do sindicato afirmou que mais de 50 mil bancários participaram das atividades relacionadas à mobilização nacional. A decisão pela paralisação ocorreu após assembleias realizadas pelos sindicatos em diferentes regiões.
No Ceará, porém, o material divulgado pelo sindicato não detalha quais agências ou instituições financeiras terão as atividades interrompidas, nem informa o horário de início ou término da paralisação. Por esse motivo, não é possível afirmar que todas as agências bancárias estarão fechadas durante todo o dia. Eventuais orientações específicas sobre o funcionamento dos serviços deverão ser divulgadas pelo sindicato ou pelas instituições financeiras.
Por que os bancários decidiram pela paralisação?
Segundo o Sindicato dos Bancários, a decisão se deu pela falta de uma proposta de reajuste salarial considerada suficiente pela categoria.
A negociação nacional teve uma nova rodada prevista para esta terça-feira (18), quando o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban voltariam a se reunir. Essa é a oitava rodada da campanha salarial.
Na reunião anterior, realizada na quinta-feira (13), os bancos não apresentaram uma proposta de índice de reajuste salarial. Segundo as informações divulgadas pelo sindicato, a Fenaban apresentou outras sugestões, incluindo o congelamento do piso de ingresso para novos bancários.
Também foi discutida a possibilidade de reajustes diferentes para três faixas salariais. Na ocasião, entretanto, os bancos não teriam informado quais seriam os parâmetros de cada faixa nem os respectivos percentuais.
A reunião anterior durou quase oito horas e terminou sem uma proposta de reajuste salarial para a categoria.
Como estão as negociações com a Fenaban
Durante a rodada anterior, outro ponto discutido foi o valor dos vales refeição e alimentação.
Segundo o Sindicato dos Bancários, a representação dos bancos chegou a propor uma redução dos valores dos benefícios para trabalhadores de cidades do interior. Nas grandes capitais, os vales poderiam ter aumento.
Ainda de acordo com a entidade, a Fenaban também ameaçou recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) caso não houvesse acordo sobre os modelos de reajuste apresentados. Após um intervalo na negociação, porém, a representação dos bancos recuou dessa posição.
Depois da reunião, o Comando Nacional dos Bancários decidiu convocar assembleias em sindicatos de todo o país para consultar os trabalhadores sobre as propostas e sobre a possibilidade de paralisações e manifestações.
Quais são as reivindicações dos bancários?
A categoria reivindica aumento real nos salários e em outras formas de remuneração. Isso significa um reajuste acima da inflação.
Entre os pedidos apresentados estão:
- aumento real dos salários;
- reajuste da Participação nos Lucros e Resultados (PLR);
- aumento dos vales alimentação e refeição;
- valorização do piso salarial;
- criação de um piso para trabalhadores da área de tecnologia da informação (TI);
- melhores condições de trabalho;
- fim de metas consideradas abusivas pela categoria;
- combate ao assédio algorítmico;
- proibição do monitoramento permanente associado à cobrança por resultados;
- aumento do número de funcionários nas instituições;
- redução de filas, sobrecarga e estresse no trabalho.
A pauta também inclui reivindicações relacionadas à igualdade de oportunidades e ao acesso ao emprego.
O movimento sindical defende igualdade salarial e de ascensão profissional para mulheres, negros, indígenas, pessoas com deficiência (PCD) e pessoas LGBTQIA+.
Bancários também reivindicam mudanças na área de tecnologia
Outro ponto da pauta envolve a participação das mulheres no setor de tecnologia. A categoria reivindica o fortalecimento de um programa de bolsas de qualificação integrais e a reserva de vagas para bancárias na área de tecnologia da informação.
A proposta está relacionada ao combate à disparidade de gênero no setor tecnológico e faz parte das reivindicações apresentadas durante a campanha nacional.
O que acontece agora?
Nesta terça-feira (18), o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban retomam as negociações coletivas. O resultado dessa rodada poderá alterar o cenário antes da paralisação prevista para quinta-feira (20).
Até o momento, segundo o Sindicato dos Bancários do Ceará, a categoria mantém a decisão de interromper as atividades no dia 20 por considerar que ainda não existe uma proposta que possa ser submetida à avaliação dos trabalhadores.
José Eduardo afirmou que o sindicato acompanha as negociações e que novas informações poderão ser divulgadas ao longo desta terça-feira.
A paralisação, portanto, está prevista para quinta-feira (20), mas os detalhes sobre quais serviços serão afetados, quais unidades participarão e como ficará o atendimento ao público no Ceará ainda não foram informados no material divulgado pela entidade.




