O Plano de Governo de Ciro Gomes para a disputa pelo Governo do Ceará em 2026 reúne propostas para áreas como segurança pública, saúde, educação, desenvolvimento econômico, infraestrutura, assistência social e gestão fiscal. O documento registrado na Justiça Eleitoral está estruturado em seis grandes eixos e apresenta medidas que vão da ampliação da presença policial no Estado à redução do número de secretarias e à transformação digital da administração pública.
O programa foi registrado por Ciro Gomes, candidato do PSDB ao Governo do Ceará, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em julho. A base de dados oficial do tribunal para as Eleições 2026 inclui as propostas de governo entre as informações disponibilizadas sobre os candidatos.
O plano apresenta uma visão integrada da administração estadual. As propostas são divididas entre desenvolvimento humano e qualidade de vida; inclusão, assistência e cidadania; desenvolvimento econômico sustentável; infraestrutura, cidades e conectividade; segurança pública e justiça social; e governança, gestão e eficiência fiscal.
Entre os pontos de maior destaque estão a previsão de ampliar a estrutura de segurança pública, criar delegacias em todos os municípios cearenses, modernizar o sistema penitenciário, fortalecer a investigação criminal e utilizar tecnologia e integração de dados no combate ao crime organizado.
Na área econômica, o documento prevê uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo, com fortalecimento do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, interiorização dos investimentos e estímulo a diferentes setores produtivos.
Já na administração pública, o plano propõe uma reforma da estrutura do Estado, com redução do número de secretarias, integração de sistemas, uso de inteligência artificial e adoção de mecanismos de gestão por resultados.
Segurança pública é um dos principais eixos do plano
A segurança pública aparece como uma das áreas centrais do programa. O documento propõe ampliar a presença do Estado em todo o território cearense e estabelece como diretriz a atuação integrada das forças de segurança.
Entre as medidas está a previsão de implantar delegacias em todos os municípios do Ceará, além de fortalecer estruturas regionais de investigação. O plano também defende metas para a área, acompanhamento permanente dos resultados e cobrança de desempenho.
A proposta prevê ainda uma rede estadual integrada de segurança, com conexão entre câmeras públicas e privadas, sistemas de identificação, bases de dados e centrais de monitoramento.
A intenção descrita no documento é utilizar essas ferramentas para acompanhar informações relacionadas a criminosos, veículos roubados, armas e cargas ilícitas.
Outro ponto é o fortalecimento da inteligência policial. O programa prevê maior uso de análise de dados, investigação financeira e cooperação com instituições nacionais e internacionais.
O combate às organizações criminosas também inclui a identificação de lideranças, financiadores e integrantes envolvidos em homicídios, extorsões, expulsões de moradores e domínio territorial.
O plano prevê ainda mudanças no sistema penitenciário. Entre as medidas estão a ampliação de vagas, modernização das unidades, reforço do controle interno e isolamento de lideranças criminosas em estabelecimentos de alta segurança.
Para crianças e jovens ameaçados ou recrutados por organizações criminosas, a proposta é criar uma espécie de porta de saída baseada em proteção, educação, qualificação profissional, esporte, cultura e acesso ao trabalho.
Saúde e educação têm foco em regionalização e tecnologia
Na saúde, o plano propõe fortalecer a regionalização do Sistema Único de Saúde (SUS) e ampliar a integração entre atenção primária, policlínicas, hospitais regionais e unidades de alta complexidade.
Uma das metas apresentadas é reduzir filas de consultas, exames e cirurgias por meio de ampliação da oferta, mudanças na gestão e utilização de ferramentas digitais.
O programa inclui a implantação de sistemas integrados de regulação, ampliação da telemedicina e criação de um prontuário eletrônico integrado.
A utilização de inteligência de dados também aparece como ferramenta para a administração da rede pública. O documento prevê monitoramento contínuo da qualidade dos serviços e modernização da gestão hospitalar.
Na educação, as propostas incluem fortalecimento da alfabetização, melhoria da aprendizagem e expansão do ensino em tempo integral.
O plano também prevê valorização dos profissionais da educação e medidas voltadas à preparação dos estudantes para áreas relacionadas à economia digital, inovação e empreendedorismo.
Outro ponto é a atenção aos estudantes neurodivergentes e o fortalecimento do ensino médio integrado à formação técnica e profissional.
O programa ainda prevê ampliar oportunidades de qualificação e inserção produtiva para jovens e facilitar o acesso ao ensino superior, especialmente para estudantes do interior.
Ciência, inovação e inteligência artificial também aparecem no programa
O documento propõe ampliar o papel das universidades, institutos de pesquisa, parques tecnológicos, incubadoras, startups e centros de inovação no desenvolvimento do Ceará.
A estratégia inclui incentivo à pesquisa aplicada e à transferência de tecnologia, além de uma maior aproximação entre universidades, empresas e administração pública.
As universidades estaduais também são citadas como estruturas que devem receber investimentos em infraestrutura, pesquisa, internacionalização, pós-graduação, inovação e formação de profissionais.
A tecnologia aparece de maneira transversal em diferentes áreas do plano.
Além da saúde e da educação, a proposta prevê o uso de inteligência artificial, análise de dados e plataformas digitais na administração pública e no processo de tomada de decisões.
O programa também prevê avaliar a criação de Centros de Ciências e Descobrimento, destinados à divulgação científica e à aproximação da população com ciência, tecnologia e inovação.
Plano de Governo de Ciro Gomes propõe mudanças na assistência social
Na área social, a proposta é criar uma política estadual de inclusão, assistência e cidadania baseada na integração de diferentes áreas do poder público.
O Sistema Único de Assistência Social (SUAS) aparece como eixo estruturador da proteção social, com previsão de aumento do cofinanciamento estadual e regionalização de serviços especializados.
O documento também propõe ampliar e qualificar equipamentos como Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Centros de Referência Especializados para População em Situação de Rua (Centros POP).
Para a população em situação de rua, o plano prevê uma política estadual permanente que reúna acolhimento, tratamento da dependência química, acesso à documentação, qualificação profissional e moradia.
A proposta também contempla reconstrução de vínculos familiares e comunitários e ações de reinserção social.
Há ainda medidas específicas para mulheres, idosos, pessoas com deficiência, população negra, povos originários, comunidades quilombolas, população LGBTQIA+ e outros grupos considerados vulneráveis pelo documento.
Na proteção às mulheres, o plano prevê ampliação da rede de atendimento, serviços de acolhimento, apoio psicossocial, qualificação profissional e medidas para aumentar a autonomia econômica.
Economia tem Pecém e interiorização entre as prioridades
O desenvolvimento econômico sustentável é outro eixo do programa.
A proposta é estabelecer uma estratégia de longo prazo que considere as características econômicas de diferentes regiões do Ceará. O plano defende maior articulação entre investimentos públicos e privados, estímulo à inovação e melhoria do ambiente de negócios.
O Complexo Industrial e Portuário do Pecém recebe atenção específica. O documento prevê consolidar o complexo como polo logístico, industrial, energético e exportador, além de ampliar o uso da Zona de Processamento de Exportação (ZPE).
A atração de novos empreendimentos industriais também aparece entre as medidas.
Para o interior, a proposta inclui criação de novos polos industriais e tecnológicos, diversificação das cadeias produtivas, fortalecimento dos arranjos produtivos locais e estímulo ao empreendedorismo.
A agricultura familiar e o agronegócio são contemplados simultaneamente. Entre as medidas estão ampliação do crédito rural e da assistência técnica, pesquisa agropecuária, mecanização, irrigação, cooperativismo e agroindustrialização.
No turismo, o programa prevê uma política permanente de desenvolvimento regional. A intenção é diversificar os segmentos explorados no Estado, incluindo turismo religioso, histórico, cultural, gastronômico, ecológico, esportivo, de aventura e de negócios.
Meio ambiente e recursos hídricos entram no plano
A política ambiental proposta combina recuperação de áreas degradadas, proteção de bacias hidrográficas, combate à desertificação e ampliação da cobertura vegetal.
O programa também prevê gestão integrada de resíduos sólidos e maior eficiência nos processos de licenciamento ambiental.
A proteção animal aparece como uma política específica. Entre as propostas estão ampliação de programas de castração, vacinação, atendimento veterinário e adoção responsável.
O documento também prevê ações contra maus-tratos e políticas voltadas à proteção da fauna silvestre e à prevenção do tráfico de animais.
Em um Estado marcado pelos efeitos do semiárido, os recursos hídricos também ocupam espaço no programa. O plano prevê ampliar e recuperar estruturas de açudagem, melhorar sistemas de abastecimento e integrar sistemas hídricos.
Também são citadas medidas de reuso da água, dessalinização, redução de perdas na distribuição e preservação de mananciais.
Infraestrutura inclui rodovias, saneamento e mobilidade
O quarto eixo do plano concentra propostas de infraestrutura e desenvolvimento urbano.
Uma das diretrizes é garantir continuidade aos investimentos estruturantes e concluir obras paralisadas e projetos considerados estratégicos.
O programa defende que obras públicas sejam executadas com planejamento, critérios técnicos, transparência e controle de prazos e custos.
Na logística, a proposta é integrar rodovias, ferrovias, portos e aeroportos e fortalecer o Pecém como plataforma logística.
Também está prevista a recuperação, conservação e ampliação da malha rodoviária estadual, com prioridade para segurança viária e melhoria do acesso a municípios e regiões com potencial produtivo e turístico.
Na área urbana, o plano prevê apoio técnico e financeiro aos municípios, atualização dos planos diretores, regularização fundiária e expansão da habitação de interesse social.
A mobilidade urbana aparece associada à integração de diferentes modais, modernização do transporte coletivo, acessibilidade e incentivo à mobilidade ativa.
O saneamento é tratado como uma frente de universalização dos serviços. A proposta inclui expansão do abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, drenagem urbana e manejo de resíduos sólidos.
O documento também estabelece uma preocupação específica com os impactos das obras de saneamento nas ruas. A proposta é estabelecer prazos, informar previamente os moradores e recuperar integralmente as vias afetadas.
Gestão pública prevê redução de estruturas e uso de tecnologia
O último eixo trata da administração estadual e das contas públicas.
O plano propõe uma reforma da gestão pública com foco em planejamento, equilíbrio fiscal, recuperação da capacidade de investimento e controle das despesas.
A ideia é integrar o plano de governo ao Plano Plurianual, orçamento, monitoramento e avaliação dos programas.
Na área tributária, o documento prevê simplificação, combate à sonegação e uso de inteligência de dados. A proposta apresentada é melhorar a eficiência da arrecadação sem aumento da carga tributária.
Outro ponto é a transformação digital do Estado. O programa prevê modernização dos processos administrativos, redução da burocracia, integração de bases de dados e ampliação dos serviços digitais.
A inteligência artificial também é incluída na administração, tanto para apoiar decisões quanto para racionalizar despesas.
O plano ainda prevê fortalecer mecanismos de controle, auditorias preventivas, gestão de riscos, compliance, transparência e participação social.
Na estrutura administrativa, a proposta é reduzir o número de secretarias, eliminar sobreposições de competências e simplificar níveis hierárquicos. O documento afirma que a reorganização deve reduzir custos e liberar recursos para investimentos e serviços públicos.
Para os servidores, o programa prevê formação continuada, gestão por competências, avaliação de desempenho e valorização do mérito.
Também há uma proposta específica para ampliar a participação feminina em cargos de direção e funções estratégicas do governo, com metas progressivas e mecanismos de acompanhamento.




