A Justiça de São Paulo condenou Danilo Gentili a pagar R$ 10 mil de indenização por danos morais ao Padre Júlio Lancellotti em razão de publicações consideradas ilícitas. A decisão foi proferida em 6 de agosto de 2026 pela 29ª Vara Cível do Foro Central Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e também determinou a retirada de conteúdos apontados no processo.
A sentença é de primeira instância e ainda pode ser contestada por recurso. O processo tramita sob segredo de Justiça, o que limita o acesso público à íntegra dos documentos.
Segundo informações divulgadas sobre a decisão, a ação envolveu diferentes manifestações feitas por Gentili nas redes sociais e em uma plataforma digital ligada ao apresentador. O caso também incluiu publicações com teor ofensivo e homofóbico, além de imagens manipuladas.
Justiça condena Danilo Gentili a pagar R$ 10 mil
Além da indenização de R$ 10 mil, a sentença determinou a remoção de publicações consideradas ilícitas pela Justiça.
Entre os conteúdos citados está uma publicação de 25 de abril de 2025 intitulada “#Perdeu, Padre — Padre da Linguiça leva uma invertida”, divulgada por Gentili em sua plataforma.
O material também envolvia imagens manipuladas associadas à publicação. Segundo o relato divulgado sobre a decisão, o conjunto de conteúdos analisado ultrapassou os limites da sátira porque, na avaliação judicial, algumas manifestações apresentavam acusações como se fossem fatos.
A decisão ainda tratou de afirmações relacionadas a uma suposta compra de silêncio e a uma proposta de conciliação. O entendimento foi de que determinadas declarações atribuíam ao religioso comportamentos considerados desonrosos.
Quais publicações foram alvo da ação de Padre Júlio?
O processo reúne diferentes manifestações feitas por Danilo Gentili sobre Padre Júlio Lancellotti. Entre elas estavam apelidos pejorativos, afirmações consideradas ofensivas e imagens manipuladas.
Um dos episódios citados ocorreu em dezembro de 2022, quando o religioso criticou a ostentação de jogadores da Seleção Brasileira que haviam consumido carne banhada a ouro. Gentili respondeu com uma publicação que foi classificada na época como homofóbica pela imprensa.
Na ação que resultou na sentença de 2026, porém, foram considerados também conteúdos posteriores. O processo permaneceu em segredo de Justiça e a decisão analisou o conjunto de materiais apresentados. O magistrado entendeu que determinados conteúdos não poderiam ser tratados apenas como humor ou sátira quando passavam a atribuir fatos desonrosos ao religioso.
Padre Júlio chama decisão de “pedagógica”
Após a divulgação da sentença, Padre Júlio Lancellotti comentou o resultado durante uma entrevista.
O religioso afirmou que considera a decisão “pedagógica” e disse que foi doloroso ser alvo de manifestações que, segundo ele, buscavam atingir sua imagem. Padre Júlio também defendeu que liberdade de expressão não significa ausência de limites para manifestações ofensivas.
Na entrevista, ele afirmou ainda que continua recebendo ataques de perfis falsos e que tem encaminhado informações sobre esses casos às autoridades.
O padre também informou que o valor da indenização deverá ser destinado à Pastoral do Povo da Rua de São Paulo.
Imagens manipuladas também foram analisadas pela Justiça
Outro elemento considerado no processo foram as imagens manipuladas utilizadas nas publicações atribuídas a Gentili.
A decisão levou em conta não apenas o conteúdo escrito, mas também a maneira como determinadas imagens e montagens eram utilizadas para representar Padre Júlio de forma depreciativa. Parte desse material foi produzido ou alterado com ferramentas de inteligência artificial.
O uso desses recursos tornou a discussão sobre o caso mais ampla, envolvendo não apenas os limites do humor, mas também a responsabilidade pela circulação de imagens manipuladas nas redes sociais.
A sentença, porém, refere-se às publicações específicas analisadas no processo e não estabelece uma proibição geral de críticas, sátiras ou manifestações humorísticas.
Defesa de Danilo Gentili ainda pode recorrer
A decisão da 29ª Vara Cível é de primeira instância e, portanto, ainda pode ser contestada.
A defesa de Danilo Gentili ainda pode recorrer da decisão. Até a última atualização, não havia sido divulgado um posicionamento público sobre o mérito da sentença.
O recurso pode levar o caso para análise em instância superior. Por isso, a condenação não deve ser tratada como definitiva.
Enquanto isso, permanecem válidas as determinações estabelecidas na sentença, incluindo o pagamento da indenização e a retirada dos conteúdos apontados como ilícitos.




