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CONEXÕES COM RICARDO BEZERRA

Cearense que ficou tetraplégico três vezes revela como recuperou movimentos e planeja correr 5 km em Fortaleza

Durante o Conexões, Paulo Cavalcante contou detalhes da luta contra a neurofibromatose, das cirurgias e da recuperação dos movimentos; ele pretende participar de uma corrida de 5 km em dezembro

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Cearense que ficou tetraplégico três vezes revela como recuperou movimentos e planeja correr 5 km em Fortaleza
Cearense conta história de superação após ficar tetraplégico e realizar o sonho de praticar corridas de rua em Fortaleza. Foto: Danielle Christine

A história de superação de um cearense que convive há mais de duas décadas com a neurofibromatose foi destaque no programa Conexões com Ricardo Bezerra, exibido nesta segunda-feira (24), pela Jovem Pan News Fortaleza. Paulo Cavalcante contou como enfrentou o crescimento de tumores pelo corpo, passou por diferentes cirurgias e chegou a ficar tetraplégico em três momentos da vida.

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Durante a entrevista, ele também revelou que voltou a recuperar movimentos depois de uma nova fase de agravamento da doença e afirmou que pretende correr 5 quilômetros em dezembro, em Fortaleza, sem cadeira de rodas e sem bengala. A corrida é encarada por ele como uma espécie de coroação de mais uma etapa de uma trajetória marcada por desafios.

Paulo nasceu sem apresentar inicialmente os sintomas da doença. Segundo o relato feito no programa, a neurofibromatose provocou o crescimento de tumores ao longo da vida e levou a uma série de procedimentos médicos. Aos 30 anos, ele passou por uma terceira cirurgia, que envolveu dez vértebras. Após o procedimento, voltou a caminhar durante o período de recuperação, mas a situação mudaria novamente.

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Perda dos movimentos aconteceu de forma gradual

Depois da terceira cirurgia, Paulo acreditava que teria mais alguns anos de liberdade antes de enfrentar novamente as complicações. No entanto, cerca de dois anos depois, começou a perceber contrações e novos sinais relacionados à doença.

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O problema era que, segundo ele, não havia mais possibilidade de realizar outra cirurgia. A coluna já havia sido submetida a diversos procedimentos. A partir daquele momento, Paulo acompanhou durante aproximadamente seis meses a perda progressiva dos movimentos do corpo.

Ele explicou que esse processo foi doloroso não apenas fisicamente, mas também por representar uma mudança profunda na própria identidade. De uma pessoa independente, passou a depender de outras para tarefas básicas, como se alimentar.

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Apesar disso, Paulo afirmou que passou a separar a doença da própria identidade. Para ele, estar em uma cadeira de rodas ou conviver com a neurofibromatose não define quem ele é. “A doença não é quem eu sou.”

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A ideia, segundo o entrevistado, foi fundamental para enfrentar os períodos mais difíceis e continuar buscando maneiras de recuperar a autonomia.

Fé e fisioterapia fizeram parte da recuperação

A recuperação dos movimentos foi associada por Paulo à combinação entre tratamento, fisioterapia, força de vontade e fé. Ele contou que iniciou um processo intensivo de reabilitação mesmo depois de familiares demonstrarem preocupação com os riscos de sair de casa para fazer o tratamento.

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Na Neurocê, onde realizou fisioterapia com uma equipe multidisciplinar, chegou a passar duas ou três horas por dia trabalhando os movimentos. No início, duas pessoas precisavam ajudá-lo para movimentar braços e pernas.

Com o tempo, ele começou a apresentar evolução. A melhora de Paulo também passou a influenciar outros pacientes que acompanhavam o processo de reabilitação.

Um dos momentos mais marcantes aconteceu em 4 de maio de 2022, quando Paulo decidiu que ficaria em pé no dia do próprio aniversário. Ele cumpriu a promessa e conseguiu dar três passos sozinho.

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A conquista foi transmitida para pessoas que acompanhavam sua trajetória e se tornou um dos principais símbolos da primeira grande recuperação dos movimentos.

Nova fase de tetraplegia trouxe outro desafio

A história, porém, não terminou com a recuperação. Paulo revelou durante o programa que atualmente enfrenta uma nova fase da doença.

Segundo ele, há cerca de dois meses estava novamente sem movimentar braços e pernas. O agravamento teria ocorrido após a medicação que vinha sendo utilizada deixar de apresentar o mesmo efeito.

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Mesmo diante da piora, ele afirmou que voltou a apresentar movimentos depois de insistir em um tratamento que havia sido desaconselhado. Em aproximadamente um mês, relatou que as feridas começaram a cicatrizar e, após 45 dias, já conseguia movimentar a cadeira de rodas.

Paulo também falou sobre a importância do treinamento mental. Quando não consegue executar determinado movimento fisicamente, ele utiliza a visualização para imaginar o próprio corpo realizando a ação.

A estratégia faz parte da maneira como ele encara a recuperação: primeiro visualiza o objetivo e depois trabalha fisicamente para alcançá-lo.

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Cearense quer correr 5 km em dezembro

A próxima meta de Paulo é ainda mais ambiciosa. Ele afirmou que já se inscreveu em uma corrida prevista para dezembro e pretende completar 5 quilômetros em pé, sem cadeira de rodas e sem bengala.

Antes disso, ele também citou a possibilidade de participar da Night Run, em novembro, como uma preparação para o desafio seguinte.

Para ele, a corrida representa mais do que uma competição esportiva. É uma forma de marcar uma nova etapa depois de enfrentar novamente a perda dos movimentos.

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Paulo afirmou que já consegue realizar movimentos que havia perdido e que voltou a trabalhar para ficar de pé. Durante a entrevista, chegou a dizer que pretendia levantar e abraçar Ricardo Bezerra em pé.

“Nem sempre a gente está sorrindo”

Apesar da imagem de otimismo que transmite nas redes sociais e durante entrevistas, Paulo também revelou que a rotina tem momentos de dor e dificuldade.

Ele contou que existem noites difíceis, períodos de infecção e momentos em que não consegue manter o mesmo estado emocional. Para ele, sorrir é uma decisão que ajuda a enfrentar essas fases.

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O cearense também reconheceu que ser visto como exemplo pode se transformar em uma cobrança. Segundo ele, algumas pessoas acabam imaginando que precisa estar sempre forte, quando, na realidade, também enfrenta momentos de fragilidade.

Em uma publicação mencionada durante o programa, Paulo relatou um dos períodos mais difíceis da atual fase da doença. Ele escreveu sobre o aumento dos tumores e a possibilidade de a medicação não estar mais funcionando.

Mesmo diante da incerteza, manteve a decisão de continuar lutando e afirmou que pretende superar mais uma vez aquilo que considera um “impossível”.

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Relação com a mãe é um dos pilares da história

Durante a conversa, Paulo também destacou o papel da mãe, Priscila, na trajetória de recuperação.

Segundo ele, a mãe, de 1,45 metro e cerca de 50 quilos, chegou a carregá-lo, mesmo tendo problemas físicos. Ele contou que ela passou anos cuidando dele, do pai e dos avós sem abandonar o otimismo.

Um dos momentos mais emocionantes relatados durante a entrevista foi justamente quando Paulo conseguiu ficar em pé e abraçar a mãe nessa posição.

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Para ele, aquele momento teve um significado maior do que simplesmente recuperar a capacidade de andar. Era a possibilidade de voltar a abraçar a própria mãe em pé, algo que considerava uma conquista simples, mas profundamente importante.

Paulo também falou sobre dificuldades financeiras

Além da luta contra a doença, o entrevistado revelou que enfrenta dificuldades financeiras para manter a estrutura necessária ao tratamento.

Durante o programa, Paulo afirmou que não está em uma situação financeira confortável e pediu ajuda aos amigos para custear despesas relacionadas à rotina de cuidados. Ricardo Bezerra também informou aos espectadores como entrar em contato com Paulo e mencionou o trabalho dele com palestras.

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A situação mostra que a batalha do cearense não envolve apenas a recuperação dos movimentos. O tratamento, a fisioterapia, os medicamentos e a necessidade de cuidados constantes também representam desafios fora do ambiente médico.

“Vai passar”, diz Paulo sobre os momentos difíceis

Ao final da entrevista, Paulo foi questionado sobre o que diria para a pessoa que estivesse enfrentando uma situação aparentemente impossível.

A resposta foi baseada naquilo que se tornou uma das principais marcas de sua trajetória: manter a fé, concentrar energia no objetivo e não aceitar imediatamente os limites impostos pela situação.

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Ele afirmou que não considera impossível aquilo que ainda pretende conquistar e reforçou que pretende continuar trabalhando para realizar os sonhos que estabeleceu para o futuro.

Entre eles estão voltar a correr, formar uma família, conquistar um carro e ter o próprio apartamento.

O entrevistado encerrou a participação deixando uma mensagem para quem enfrenta dificuldades: acreditar no objetivo, manter a fé e continuar avançando, mesmo quando o processo é doloroso.

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A história de Paulo Cavalcante foi apresentada no Conexões com Ricardo Bezerra como um relato de persistência diante de uma condição que transformou completamente sua rotina. Depois de três episódios de tetraplegia e de diferentes etapas de tratamento, ele agora trabalha para alcançar uma nova marca: voltar a correr 5 quilômetros em Fortaleza.

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