A votação do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 foi encerrada após a prorrogação do horário até as 19h deste domingo (25). A extensão, determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), acrescentou duas horas ao prazo inicialmente previsto, que terminaria às 17h, após a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) relatar dificuldades no transporte público em diferentes cidades do país.
A decisão atribuiu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a responsabilidade de adotar as medidas necessárias para cumprir a determinação. Posteriormente, Zanin esclareceu que a extensão deveria ser aplicada somente às seções eleitorais que ainda estavam abertas quando a ordem chegou. Os votos das urnas já fechadas deveriam ser computados e totalizados normalmente.
A prorrogação atendeu a um pedido da coligação Brasil Pronto Pra Mais, da campanha de Lula. A reclamação foi apresentada ao STF às 16h22, e o ministro registrou que os fatos chegaram oficialmente ao conhecimento da Corte às 16h32. A campanha argumentou que a redução da oferta de ônibus poderia impedir eleitores de chegar às seções dentro do horário regular.
A decisão foi anunciada no fim da tarde, quando a votação se aproximava do encerramento previsto. Com a mudança, as seções que ainda estavam abertas deveriam permanecer em funcionamento até as 19h, no horário de Brasília. A medida não determinou a reabertura dos locais onde a votação já havia sido encerrada.
TSE interrompeu a totalização no início da apuração
A mudança no horário foi seguida pela interrupção temporária da totalização dos votos pelo TSE. Às 17h06, o sistema registrava a apuração de 0,25% das seções eleitorais do país.
Naquela atualização, Luiz Inácio Lula da Silva aparecia com 193.574 votos, correspondentes a 57,66%, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) somava 142.169 votos, ou 42,34%. Os números eram parciais e não correspondiam ao resultado definitivo da disputa presidencial.
No Ceará, a divulgação dos resultados também havia começado antes da pausa. Às 17h06, quatro seções eleitorais do estado já tinham sido totalizadas, somando 1.152 votos registrados. Desse total, 1.117 eram válidos, 14 foram brancos e 21, nulos.
Na parcial cearense, Lula tinha 782 votos válidos, equivalentes a 70,01%, enquanto Flávio Bolsonaro registrava 335, ou 29,99%. Esses dados se referiam apenas às quatro seções contabilizadas e não indicavam o resultado consolidado do estado.
O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) informou, em coletiva realizada neste domingo, que a votação no estado foi encerrada às 17h. Segundo o tribunal, as seções cearenses já estavam fechadas quando a decisão do STF chegou, motivo pelo qual não houve extensão do horário no estado.
Decisão foi motivada por relatos de problemas no transporte
A campanha de Lula havia solicitado inicialmente a ampliação do horário em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia. Ao longo do domingo, o pedido foi estendido a outras unidades da Federação e, depois, ao território nacional.
Na petição apresentada ao STF, a coligação sustentou que eleitores de diferentes municípios enfrentavam obstáculos semelhantes para chegar às urnas e deveriam ter o mesmo prazo adicional. A campanha também pediu que o transporte coletivo gratuito continuasse funcionando com frota equivalente à dos dias úteis até as 21h, para permitir o deslocamento até os locais de votação e o retorno para casa.
A solicitação incluiu ainda um pedido para que o TSE orientasse a Polícia Federal e outras autoridades policiais a prender em flagrante pessoas responsáveis por impedir eleitores de exercer o direito ao voto.
Para justificar a medida, a coligação citou dados sobre a repercussão dos problemas de transporte nas redes sociais. Segundo a petição, o tema “transporte” somou 249,7 mil publicações e 848,7 mil interações nas plataformas digitais entre 8h e 13h30 de domingo.
Denúncias foram registradas em diferentes cidades
Em João Pessoa, na Paraíba, a Ouvidoria do Ministério Público estadual recebeu mais de 30 denúncias relacionadas ao transporte coletivo durante o domingo eleitoral. Entre os relatos estavam ônibus que não pararam nos pontos e falta de veículos intermunicipais no Terminal Rodoviário da capital.
Lula citou João Pessoa, Salvador, Recife, Maceió e Teresina, entre outras cidades, ao pedir providências à Justiça Eleitoral.
Em Salvador, a Justiça Eleitoral determinou o restabelecimento da frota integral de ônibus. A restrição na circulação de veículos também levou o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) a determinar a prisão do secretário municipal de Mobilidade Urbana, Pablo Souza.
A Prefeitura de Salvador afirmou que as empresas de transporte enfrentavam dificuldades operacionais para colocar 100% da frota nas ruas. Entre os problemas mencionados pelo município estava a presença de adesivos de campanha em parte dos ônibus.
Em Teresina, uma decisão judicial estabeleceu multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento da determinação relacionada à oferta de transporte público.
Campanha apontou redução da frota em São Paulo
Na capital paulista, a campanha de Lula afirmou que os ônibus estavam operando com aproximadamente 60% da capacidade. Um levantamento apresentado pela coligação indicou redução média de 31,4% na circulação de veículos entre 11h e 14h, em comparação com os dias úteis da mesma semana.
A campanha pediu a prisão do secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Jorge Caldeira. A Prefeitura de São Paulo informou ao jornal O Estado de S. Paulo que havia comunicado às empresas de ônibus, no sábado (24), a exigência de operação com a frota completa no domingo.
A SPTrans, responsável pela gestão do transporte municipal, afirmou que ampliar a frota em prazo curto impunha dificuldades operacionais, incluindo a necessidade de reorganizar escalas de trabalho, jornadas e rotinas previamente planejadas.
Presidente do TSE havia dito que analisaria as denúncias
Antes da decisão de Zanin, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, havia afirmado que examinaria os relatos sobre problemas no transporte de eleitores. Naquele momento, o tribunal aguardava um relatório sobre a situação na Bahia, e o magistrado não havia confirmado a prorrogação nacional.
Ao comentar os registros em Salvador, Lauro de Freitas e Feira de Santana, Nunes Marques disse que era necessário avaliar a dimensão dos problemas relatados. O pedido para estender o horário a outras unidades da Federação ainda não havia sido apresentado ao Supremo naquela etapa.
Depois da ordem de Zanin, o presidente do TSE encaminhou orientações aos presidentes dos tribunais regionais eleitorais. O documento determinou que as seções ainda abertas permanecessem em funcionamento até as 19h, respeitando o esclarecimento posterior de que as urnas já fechadas não deveriam ser reabertas.
Campanha de Flávio também pediu extensão
A campanha de Flávio Bolsonaro também solicitou à Justiça Eleitoral a prorrogação do horário de votação em localidades atingidas por condições que poderiam dificultar o acesso às urnas.
Entre os municípios citados nas informações fornecidas estavam Belo Horizonte, Poços de Caldas e cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte com locais de votação sem energia elétrica. No Rio Grande do Sul, o pedido incluía São Borja, Itaqui e Uruguaiana, atingidas por fortes chuvas e pela cheia do rio Uruguai.
Os materiais de referência divergem sobre a lista completa de localidades incluídas no pedido da campanha de Flávio: uma versão cita Minas Gerais e Rio Grande do Sul, enquanto outra menciona São Paulo, Paraná e Santa Catarina. A relação definitiva deve ser confirmada com o documento protocolado pela campanha.
Pelas regras eleitorais, eleitores que já estavam dentro do local de votação no horário previsto para o encerramento tinham direito de votar, com distribuição de senhas para organizar o atendimento. Com a prorrogação, as seções que ainda estavam abertas receberam orientação para continuar funcionando até as 19h.




