O Ministério Público Eleitoral (MPE) investiga uma possível interferência de integrantes de uma organização criminosa nas eleições em Forquilha, no interior do Ceará. A apuração busca esclarecer denúncias de ameaças, extorsões e tentativas de influenciar a campanha de candidatos no município.
O procedimento foi instaurado após uma denúncia apresentada pelo prefeito de Forquilha, Edinardo Rodrigues Filho (PSB). Segundo o Ministério Público, as informações recebidas apontam que integrantes de uma facção criminosa teriam ameaçado candidatos e outros agentes políticos e tentado interferir no andamento da campanha eleitoral.
A investigação ocorre em meio a uma série de ações das forças de segurança contra suspeitos de tentar interferir nas eleições de 2026 no Ceará. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), 13 pessoas já foram detidas desde o início do período eleitoral, em 16 de agosto, em ocorrências relacionadas à suspeita de atuação de organizações criminosas no processo eleitoral.
Eleições em Forquilha são investigadas pelo Ministério Público Eleitoral
O MPE formalizou um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para apurar os fatos denunciados no município.
Esse tipo de procedimento é utilizado pelo Ministério Público para investigar possíveis crimes e reunir elementos que podem subsidiar uma eventual ação penal. No caso de Forquilha, a apuração considera a possibilidade de que as ameaças e outras condutas tenham afetado a disputa eleitoral.
Segundo o órgão, os fatos investigados podem ter comprometido a liberdade de propaganda eleitoral, a igualdade entre os candidatos e a manifestação livre da vontade dos eleitores.
O Ministério Público também aponta a possibilidade de ocorrência de crimes eleitorais e crimes comuns relacionados à atuação de organização criminosa.
Como parte das primeiras medidas adotadas, o prefeito deverá prestar depoimento em 2 de setembro, na sede da Polícia Federal em Sobral. A expectativa é de que ele apresente materiais relacionados às denúncias, como documentos, mensagens, áudios e vídeos.
O MPE também solicitou informações a órgãos de segurança pública e autoridades policiais. A intenção é reunir mais elementos sobre a possível atuação criminosa e verificar se houve tentativa de interferência no processo eleitoral de Forquilha.
A investigação ainda está em andamento, e a eventual responsabilidade criminal dos envolvidos dependerá da apuração dos fatos e da análise das provas coletadas pelas autoridades.
Suspeitos são presos por ameaças e extorsão em Forquilha
A investigação do Ministério Público ocorre depois de uma sequência de prisões relacionadas a ameaças e tentativas de extorsão contra pessoas ligadas à política local.
Em 20 de agosto, dois homens foram presos em Forquilha. Eles foram identificados como Gean Barboza Fontenele, de 19 anos, e Francisco Werlysson Feijão Silva, conhecido como “Ratin”, de 28 anos.
Segundo as informações policiais, os dois são suspeitos de ameaçar e tentar extorquir agentes políticos ligados ao prefeito.
Ainda conforme a investigação, os suspeitos são apontados como integrantes do Comando Vermelho e teriam cobrado R$ 200 mil para permitir que candidatos a deputado aliados ao prefeito realizassem campanha no município.
O caso passou a envolver outras localidades após a identificação de suspeitos que estariam relacionados ao esquema.
Em 26 de agosto, um homem de 21 anos foi preso em São Paulo. Ele também é apontado como integrante do Comando Vermelho e suspeito de participação nas ameaças e extorsões contra candidatos em Forquilha.
No dia seguinte, a Delegacia de Forquilha realizou uma operação para localizar outros envolvidos no Rio de Janeiro. Um dos presos foi José Álisson Vitorino da Costa, encontrado no bairro Leblon.
Já em 28 de agosto, uma mulher de 19 anos foi presa em Forquilha. A identidade dela não foi divulgada pelas autoridades. Conforme as informações apresentadas na investigação, a prisão também estaria relacionada às ameaças e tentativas de extorsão investigadas no município.
As prisões fazem parte das ações policiais destinadas a identificar pessoas que estariam tentando impor restrições ou exigir valores de candidatos durante a campanha eleitoral.
Polícia prende suspeitos em São Paulo e no Rio de Janeiro
O caso de Forquilha chama atenção também pela dimensão interestadual das investigações.
Parte dos suspeitos não estava no Ceará quando foi localizada. A polícia realizou ações em São Paulo e no Rio de Janeiro, além das prisões efetuadas em Forquilha.
A atuação em diferentes estados demonstra que a investigação não está restrita aos envolvidos diretamente identificados no município. As forças de segurança buscam esclarecer a participação de outros suspeitos e identificar como as ameaças teriam sido organizadas.
A apuração também procura estabelecer de que forma as ordens teriam chegado aos envolvidos e qual seria o alcance da suposta tentativa de interferência na campanha.
Por enquanto, os fatos estão sob investigação. As suspeitas apresentadas pelas autoridades ainda precisam ser confirmadas a partir da análise dos materiais apreendidos e das informações reunidas no procedimento.
Ceará já tem 13 presos por suspeita de interferência nas eleições
O caso de Forquilha faz parte de um cenário mais amplo de investigações sobre possíveis tentativas de organizações criminosas de interferir nas eleições de 2026 no Ceará.
Segundo a SSPDS, 13 pessoas foram detidas desde 16 de agosto, quando teve início o período eleitoral considerado no balanço divulgado pela pasta. As prisões ocorreram em ocorrências relacionadas à suspeita de atuação de integrantes de organizações criminosas para influenciar campanhas ou limitar a atuação de candidatos.
Além de Forquilha, casos recentes foram registrados em Maranguape e Itapajé.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, os suspeitos utilizariam diferentes meios para pressionar candidatos e pessoas ligadas às campanhas. Entre as estratégias identificadas estão o uso de redes sociais e ligações telefônicas para ameaças e coação.
Em determinadas situações investigadas, criminosos teriam exigido valores para permitir que campanhas fossem realizadas em determinadas áreas. Em outras, a suspeita é de que candidatos tenham sido impedidos de entrar ou realizar atividades políticas em locais específicos.
O uso de ferramentas tecnológicas amplia a capacidade de contato dos criminosos com vítimas e pode dificultar a identificação imediata dos responsáveis pelas ameaças. Por isso, segundo a SSPDS, informações de inteligência têm sido utilizadas pelas forças de segurança para identificar suspeitos e orientar as operações.
A Secretaria informou que as 13 capturas estão relacionadas a suspeitos de integrar organizações criminosas e de tentar atuar no contexto eleitoral de 2026.
No caso específico de Forquilha, o Ministério Público Eleitoral ainda pretende aprofundar a investigação para determinar a extensão da possível interferência, identificar todos os envolvidos e verificar se as condutas denunciadas efetivamente afetaram a campanha eleitoral e a liberdade de escolha dos eleitores.
O procedimento também deverá reunir informações produzidas pelas forças de segurança, além dos documentos e demais materiais que serão apresentados pelo prefeito durante o depoimento marcado para setembro.
Até a conclusão das investigações, os envolvidos são tratados como suspeitos, e eventuais responsabilidades criminais deverão ser definidas pelas autoridades competentes a partir das provas reunidas.




