O Banco de Olhos do Ceará (BOC) registrou 586 doações de córneas entre janeiro e junho de 2026. O número integra uma série histórica que soma 11.032 doações desde 2016. Neste ano, a maior parte das córneas captadas permaneceu no próprio Ceará para atender à demanda por transplantes.
Entre janeiro e junho, o percentual destinado ao Ceará variou de 88% a 100%, enquanto entre 0% e 12% das córneas foram encaminhadas para outras unidades da federação por meio do Sistema Nacional de Transplantes (SNT).
Segundo o Banco de Olhos, a distribuição acompanha uma mudança observada nos últimos dois anos, período em que pacientes de outros estados passaram a se deslocar para o Ceará para realizar transplantes com médicos que atuam no Estado.
“Antes, havia uma disponibilidade maior de córneas no Ceará, que podia ser destinada ao Sistema Nacional de Transplantes. Hoje, temos uma demanda maior dentro do próprio Estado, inclusive com pacientes de outras unidades da federação vindo para cá para realizar o procedimento. Isso faz com que praticamente toda a nossa disponibilidade seja utilizada aqui”, explica Lisiane Paiva, coordenadora do Banco de Olhos do Ceará.
Doações de córneas superam 11 mil desde 2016
Entre 2016 e 2025, foram registradas 10.446 doações no Ceará. Com as 586 contabilizadas nos seis primeiros meses de 2026, o total chega a 11.032.
Em 2019, o número foi de 723. Em 2020, chegou a 798. A partir de 2021, as doações voltaram a ultrapassar mil registros anuais: foram 1.235 naquele ano e 1.147 em 2022.
Em 2023, o Banco de Olhos registrou 1.060 doações. Em 2024, foram 1.270. Já em 2025, o total chegou a 1.357, maior número da série apresentada pela instituição.
Os dados de 2026 correspondem apenas ao primeiro semestre e ainda não permitem comparação com o resultado anual de 2025.
Ceará atende pacientes de outros estados
O aumento da demanda local também está relacionado à chegada de pacientes de outras partes do país.
De acordo com o Banco de Olhos, pessoas de outras unidades da federação passaram a procurar o Ceará nos últimos dois anos para realizar transplantes com médicos que atuam no Estado.
Esse fluxo aparece nos dados de distribuição das córneas. Em alguns meses do primeiro semestre, 100% das doações foram destinadas ao atendimento no Ceará. Nos demais períodos, a parcela enviada para outros estados ficou entre 0% e 12%.
A distribuição é feita de acordo com a demanda e com as regras do Sistema Nacional de Transplantes.
Como funciona a doação de córneas
A doação de córneas ocorre após a morte e depende da autorização da família. Depois da captação, o tecido passa por avaliação antes de ser disponibilizado para transplante.
As córneas consideradas aptas são preparadas e encaminhadas conforme a regulação do sistema. O Banco de Olhos informa que o tecido pode ser utilizado em pacientes que aguardam procedimentos para recuperar a visão.
A instituição também orienta que condições como miopia, hipermetropia, astigmatismo, catarata ou glaucoma não impedem necessariamente a doação. A avaliação sobre a possibilidade de aproveitamento é feita após a captação.
Doações aumentaram após os anos mais afetados pela pandemia
A série apresentada pelo Banco de Olhos também permite observar a evolução das doações ao longo da última década.
Depois dos registros de 2019 e 2020, os números passaram a patamares mais altos nos anos seguintes. Em 2021, foram 1.235 doações; em 2022, 1.147; em 2023, 1.060; em 2024, 1.270; e, em 2025, 1.357.
O crescimento observado a partir de 2021 coincide com a retomada dos serviços de saúde após o período mais crítico da pandemia de Covid-19.
Maior parte das córneas permanece no Ceará
A distribuição registrada no primeiro semestre de 2026 mostra que a maior parte das córneas captadas está sendo utilizada no próprio Estado.
Os percentuais destinados ao Ceará variaram de 88% a 100% entre janeiro e junho. Para outras unidades da federação, os índices ficaram entre 0% e 12%.
Segundo o Banco de Olhos, um dos fatores para essa concentração é o aumento do número de pacientes que realizam transplantes no Ceará, inclusive pessoas encaminhadas de outros estados.
A coordenadora Lisiane Paiva afirma que a mudança reduziu a quantidade de córneas disponíveis para envio a outras unidades da federação, já que uma parcela maior do material passou a ser utilizada localmente.
"Uma córnea doada pode devolver a possibilidade de enxergar, estudar, trabalhar e viver com mais autonomia", destaca o Banco de Olhos do Ceará.




