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JUSTIÇA

Alunos do Ceará são excluídos da final de Olimpíada de Matemática e pais recorrem à Justiça

Estudantes haviam passado por todas as etapas da competição e se preparavam para viajar a Campinas; liminar determinou a participação da equipe cearense na fase final

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Alunos do Ceará são excluídos da final de Olimpíada de Matemática e pais recorrem à Justiça
Alunos do Ceará classificados para final de Olimpíada de Matemática são retirados da competição. Foto: Reprodução

Uma equipe de estudantes do Ceará classificada para a fase final da Olimpíada de Matemática da Unicamp foi retirada da lista de participantes às vésperas da prova, marcada para o dia 5 de setembro, em Campinas, São Paulo. As famílias afirmam que já tinham comprado passagens e hospedagens e que foram surpreendidas ao perceber que o nome da equipe não aparecia na organização da etapa decisiva.

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Diante da falta de uma explicação considerada suficiente pelos responsáveis, pais dos estudantes buscaram a Justiça para tentar garantir a participação na competição. A resposta veio rapidamente: uma decisão liminar determinou, nesta terça-feira, a participação da equipe do Ceará na fase final.

A situação também atingiu estudantes de outros estados. Em Teresina, no Piauí, o aluno Ângelo Aragão, que também havia sido classificado para a etapa final, passou por situação semelhante e a família também buscou medidas judiciais.

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Alunos passaram meses se preparando para a competição

João Enzo, de 12 anos, começou a se preparar para a Olimpíada de Matemática em fevereiro. Ao lado dos dois colegas de equipe — uma adolescente de 13 anos e outro estudante de 12 —, ele passou meses estudando para as diferentes etapas da competição.

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A preparação era feita principalmente em grupo. Os estudantes resolviam provas de edições anteriores, realizavam atividades no colégio e se reuniam aos fins de semana para estudar.

O pai de João Enzo, John Gleison, conta que a rotina de preparação envolveu um esforço contínuo dos três estudantes e que a expectativa pela viagem para Campinas já fazia parte dos planos da família.

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“Desde fevereiro que eles estão nessa luta, de fato ali estudando. As crianças, a equipe são três. Uma moça de 13 anos e dois meninos de 12 anos e eles se juntam no final de semana, se juntam na casa um do outro para fazer as provas”, relata John.

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Segundo ele, a família já havia comprado a passagem e reservado a hospedagem para acompanhar os estudantes na etapa final. A surpresa veio quando os próprios alunos foram verificar as informações relacionadas à prova e perceberam que o nome da equipe não estava na lista das salas.

O pai afirma que o impacto maior foi sentido pelos próprios estudantes, depois de todo o período dedicado à competição.

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“Passagem comprada, hospedagem lá e fora a decepção da criança. Não é nem da família, mas da criança”, afirma John Gleison.

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João Enzo também relata a frustração ao descobrir que poderia não participar da prova. O estudante conta que a equipe havia se dedicado durante meses e que a notícia foi recebida com tristeza.

“Eu fiquei bastante triste porque a gente tinha se esforçado bastante, estudado”, conta João.

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O estudante afirma ainda que a equipe foi surpreendida com a informação relacionada a uma possível documentação enviada de maneira incorreta. Para ele, a situação foi especialmente difícil porque o grupo havia conseguido avançar pelas etapas anteriores da competição.

Pais dizem não ter recebido explicação para retirada

A exclusão da equipe cearense ocorreu quando a viagem para Campinas já estava próxima. De acordo com os responsáveis, os estudantes haviam sido classificados para a fase final depois de avançarem pelas etapas anteriores.

Os pais afirmam que tentaram inicialmente solucionar a situação diretamente com a organização da Olimpíada. Segundo eles, porém, não houve uma justificativa clara que explicasse a retirada dos estudantes da etapa final.

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O advogado Jorio Martins, que também é pai de um dos alunos envolvidos, afirma que os responsáveis procuraram a organização antes de recorrer ao Judiciário.

Segundo ele, a ausência de uma justificativa e a interpretação do regulamento foram determinantes para a decisão de apresentar a ação.

“A comissão simplesmente disse que não tinha o que fazer sem explicar os motivos que ensejaram a não participação dessas crianças”, afirma Jorio.

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O advogado sustenta que, na avaliação dos pais, a eliminação não estaria prevista no edital da competição. Ele também argumenta que os estudantes, depois de aprovados nas fases anteriores, teriam direito de participar da etapa final.

“Com base justamente na inexistência desse motivo e com base também no manual da Olimpíada, no regulamento da Olimpíada, nós ingressamos com essa ação judicial”, explica.

Justiça determina participação da equipe do Ceará

Com a proximidade da prova, os pais decidiram buscar uma resposta judicial para evitar que os estudantes perdessem a oportunidade de disputar a final.

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A ação foi apresentada na Justiça no fim da tarde de segunda-feira. No dia seguinte, uma decisão liminar determinou a participação da equipe cearense na fase final da Olimpíada de Matemática da Unicamp.

Jorio Martins afirma que a decisão saiu em poucas horas e foi recebida pelos responsáveis como uma resposta importante diante da proximidade da competição.

“Nós ingressamos ontem, final de tarde, e hoje por volta do meio-dia já tivemos essa grata surpresa com a definição da medida liminar”, relata o advogado.

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A rapidez da decisão foi considerada importante pelos pais porque a prova está marcada para 5 de setembro. Caso os estudantes não conseguissem uma resposta antes da viagem e da realização da etapa, a oportunidade de participar poderia ser perdida.

O advogado destaca justamente esse aspecto. Segundo ele, não haveria uma segunda oportunidade equivalente para os estudantes depois da realização da prova, já que a etapa final faz parte de um calendário específico da competição.

“A probabilidade de, eventualmente, eles perderem essa prova e fazerem em uma outra oportunidade é praticamente inexistente”, afirma Jorio.

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Ele explica que, após a realização da prova, os resultados e as premiações serão definidos, o que torna a participação nesta edição especialmente importante para os alunos classificados.

“Então, teoricamente, ou faz agora ou não haverá outra janela de oportunidade”, conclui.

Estudante do Piauí também relata frustração

A situação não ficou restrita à equipe do Ceará. Em Teresina, no Piauí, o estudante Ângelo Aragão também havia conquistado a classificação para a fase final e, segundo a família, recebeu a informação de que não participaria da etapa às vésperas da viagem.

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A mãe de Ângelo, Karine Aragão, relata que o estudante vinha se preparando havia meses e que a família também havia feito investimentos para possibilitar a participação na competição.

Ela afirma que a frustração aumentou porque a classificação para a etapa final representava o resultado de um longo período de preparação e dedicação.

“A matrícula foi feita e agora chegou a notícia, véspera da viagem, de que eles não irão participar, depois de ter saído uma lista com a confirmação das equipes”, relata Karine.

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A mãe afirma que a família não conseguiu identificar com clareza o motivo que teria levado à retirada da equipe e destaca o impacto emocional sobre o estudante.

“Não sabemos ao certo qual o motivo, mas sentimos uma imensa frustração em relação a toda uma preparação que vem de meses, muito esforço, muita dedicação”, afirma Karine.

Ângelo também demonstra expectativa de conseguir participar da final. Para o estudante, a classificação representava a possibilidade de concluir uma trajetória iniciada meses antes e disputar uma etapa que poderia resultar, inclusive, em uma medalha.

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“Agora, quando está perto de a gente conquistar isso, talvez até ganhar uma medalha, vem esse abalo emocional”, afirma Ângelo.

O estudante diz ainda que permanece esperançoso com a possibilidade de superar o problema e realizar a prova em Campinas.

“A gente está muito esperançoso que a gente vai conseguir pular essa barreira e que a gente consiga fazer a prova lá na Unicamp”, afirma Ângelo.

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Final da Olimpíada de Matemática acontece em 5 de setembro

A fase final da Olimpíada de Matemática da Unicamp está prevista para 5 de setembro, em Campinas. A proximidade da data foi um dos fatores que levou os responsáveis pelos estudantes a buscar uma solução rápida para o caso.

No Ceará, a decisão liminar assegura a participação da equipe na etapa final, segundo os responsáveis pela ação. O caso chegou à Justiça depois das tentativas de solucionar o impasse diretamente com a organização da competição.

Para os estudantes, a decisão representa a possibilidade de concluir uma preparação que começou ainda no início do ano. Foram meses de estudos, encontros em grupo e resolução de provas anteriores até a classificação para a fase decisiva.

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Agora, com a decisão judicial, a equipe cearense poderá seguir com os preparativos para a viagem e para a prova marcada para o início de setembro.

O episódio também chama atenção para o impacto que competições acadêmicas podem ter na rotina de estudantes e famílias. Além do esforço intelectual exigido para avançar nas etapas, há preparação logística, gastos com deslocamento e hospedagem e, principalmente, uma expectativa criada ao longo de meses de estudo.

Para João Enzo e os colegas, a participação na final representa justamente a conclusão desse percurso. Depois de avançarem pelas etapas anteriores, os estudantes agora aguardam a realização da prova em Campinas.

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