O consumo de carne segue presente na rotina das famílias brasileiras e também aparece em novas experiências gastronômicas, que vão dos cortes tradicionais aos preparos inspirados em diferentes partes do mundo. No supermercado, opções como alcatra, coxão mole e patinho estão entre as mais procuradas, enquanto eventos especializados apostam em cortes diferentes para atrair o público.
Para a aposentada Luzenite Menezes, a carne é presença garantida nas refeições da família. Ela conta que costuma alternar os cortes e prefere preparar a alcatra assada.
“Prefiro sempre alcatra, aí segunda é coxão mole, porque dela já tá pra fazer carne de sol”, relata Luzenite.
Quando prepara a alcatra, a aposentada costuma fazer o corte na frigideira. Ela aquece bem a panela, acrescenta azeite ou óleo e coloca o bife para assar, virando a carne antes de retirar. O preparo simples faz parte da rotina de quem mantém a carne como uma das principais opções para o almoço.
A preferência de Luzenite acompanha um comportamento observado nos estabelecimentos. Entre os cortes mais procurados estão o coxão mole, a alcatra e o patinho, com preços que variam conforme o dia e podem ir de R$ 29 a R$ 109 o quilo.
Cortes mais procurados variam entre bovinos, suínos e aves
A escolha da carne não depende apenas do tipo de animal. Características como maciez, preço e quantidade de gordura também pesam na decisão do consumidor.
Entre cortes bovinos, suínos e aves, o patinho, o carré suíno e o filezinho sassami aparecem como opções que se destacam. A procura está relacionada principalmente à combinação entre custo-benefício, textura e menor quantidade de gordura.
O patinho, por exemplo, costuma aparecer em diferentes preparos do dia a dia. Já o carré suíno oferece uma alternativa entre os cortes de porco, enquanto o filezinho sassami é uma opção de frango.
A variedade mostra como o consumidor pode escolher a carne de acordo com diferentes necessidades. Para algumas famílias, o preço é determinante. Para outras, a prioridade está na maciez ou em uma carne com menos gordura.
Mas há também quem prefira justamente o caminho contrário.
Dono de restaurante prefere carne com gordura e marmoreio
O empresário Pipo Gurjão tem uma preferência diferente da busca por cortes mais magros. Dono de restaurante, ele defende carnes com gordura e marmoreio, característica em que pequenas quantidades de gordura ficam distribuídas entre as fibras da carne.
A experiência com diferentes cortes fez com que ele chegasse a uma preferência específica dentro da carne suína.
Pipo conta que passou anos testando partes diferentes do animal, como lombinho, linguiça e paleta, mas muitas vezes considerava os resultados secos ou duros. Até descobrir o corte que, para ele, reúne as melhores características.
“Achava sempre seca, sempre dura, mesmo a picanha eu achava dura. E a carne melhor que tem se chama copa lombo”, afirma Pipo.
Para ele, o corte suíno pode ser uma alternativa para quem gosta de preparar carne na churrasqueira. A recomendação é direta: experimentar a copa-lombo no churrasco.
“Então, copa lombo, se você fizer um churrasco de copa lombo, você nunca vai mais querer outro corte na sua vida”, destaca.
A preferência de Pipo também revela uma mudança importante na relação com o churrasco: embora cortes tradicionais continuem populares, existe espaço para experimentar diferentes partes dos animais e formas de preparo.
Festival de churrasco aposta em cortes tradicionais e exóticos
A variedade também é um dos principais atrativos do Festival BBQ, que reúne milhares de pessoas a cada edição e se apresenta como o maior festival de churrasco do Norte e Nordeste. Em Fortaleza, o Festival BBQ acontece no dia 19 de setembro, na CE-010, nº 100, na Região Metropolitana, no limite com Eusébio.
Segundo a organização, o evento recebe mais de duas mil pessoas por edição. A proposta é oferecer tanto os cortes conhecidos do público quanto opções que normalmente não fazem parte do churrasco preparado em casa.
O coordenador do BBQ, Felipe Farias, explica que a experiência busca justamente equilibrar familiaridade e novidade. O visitante pode encontrar preparos tradicionais, mas também experimentar carnes e técnicas que dificilmente fariam parte de um churrasco convencional.
“Eu acho que o cara quando vai para um festival desse, ele quer ter os cortes tradicionais que ele faz no final de semana, aquela picanhazinha, aquela maminha, aquela linguicinha especial, mas ele também quer ver coisas diferentes que ele muitas vezes não consegue fazer em casa”, explica Felipe.
A ideia é transformar o evento em uma oportunidade para o público conhecer novos sabores sem abrir mão dos clássicos do churrasco.
BBQ terá 60 estações e sabores de diferentes países
Nesta edição, o festival terá 60 estações, com uma proposta de reunir diferentes estilos de churrasco e gastronomia.
A organização promete uma espécie de viagem gastronômica, com preparos de diferentes regiões do Brasil e referências internacionais.
Felipe explica que o evento reúne desde cortes característicos de diferentes partes do país até técnicas e temperos de outras culturas.
“Eu tenho cortes tradicionais do sul do Brasil, tenho cortes tradicionais da região central do Brasil, tenho cortes do interior do sertão do Ceará, do interior do Nordeste, tenho cortes do Norte do Brasil, usando temperos mais característicos, como o tucupi”, detalha.
A programação também inclui referências estrangeiras. Entre elas estão o American Barbecue, o churrasco coreano e preparos com inspiração oriental.
“Então, eu tenho American Barbecue, eu tenho um churrasco coreano, eu tenho comida um pouco mais oriental, voltada para a parte de yakisoba e tal. Então, a gente faz um mix um pouquinho da gastronomia mundial para trazer para a galera a melhor experiência possível”, afirma Felipe.
A diversidade faz com que o churrasco deixe de ser apresentado apenas como uma refeição tradicional e passe a funcionar também como experiência gastronômica.
Público busca até carnes exóticas em festival
A estudante de medicina Paula Vanessa já conhece bem essa experiência. Frequentadora do Festival BBQ, ela conta que participou de cinco edições e costuma procurar as estações que oferecem preparos menos convencionais.
Entre as opções que chamam sua atenção estão carnes como javali e jacaré, além de cortes com apresentação diferenciada, como os folheados a ouro.
A curiosidade por novas experiências convive, no entanto, com a tradição familiar. Paula conta que a carne também tem espaço garantido na rotina de casa, principalmente por influência do padrasto.
“Meu padrasto, ele é viciado em carne. Então, tipo assim, não pode faltar a carne de sal dele, não pode faltar a bisteca dele, a carne do churrasco no final de semana é por conta dele, é garantia dele”, conta Paula.
Para ela, o churrasco faz parte da rotina familiar e é tratado como uma tradição.
“É de lei na casa”, resume.
A história de Paula ajuda a explicar por que o churrasco consegue reunir públicos com interesses diferentes. Há quem procure o corte conhecido para o almoço de domingo, quem escolha a carne pelo preço ou pela quantidade de gordura e quem vá a um festival justamente para provar algo que nunca experimentou.
Entre a carne preparada em casa e as dezenas de opções disponíveis em um evento especializado, o hábito de comer carne ganha novas formas. A tradição permanece, mas passa a dividir espaço com técnicas internacionais, cortes menos conhecidos e experiências gastronômicas que ampliam o repertório de quem gosta de churrasco.




