A Nokia lançou o visual e a proposta dos antigos “tijolões” com o Nokia 300 Charge, celular básico que aposta em uma característica pouco comum nos aparelhos atuais: uma bateria removível de 3.700 mAh capaz de oferecer até 40 dias de autonomia em modo de espera, segundo a fabricante. O aparelho também pode funcionar como power bank para carregar outros dispositivos, mas tem uma limitação importante: só é compatível com redes 2G.
Desenvolvido pela HMD Global, licenciada da marca Nokia, o aparelho foi lançado em agosto de 2026 com uma proposta bastante diferente da dos smartphones. Em vez de aplicativos, câmera avançada, redes sociais e telas grandes, o modelo é voltado para quem procura chamadas, mensagens, longa duração de bateria e simplicidade.
O Nokia 300 Charge roda o sistema S30+, não possui loja de aplicativos e não oferece suporte a 3G, 4G ou 5G. Por isso, embora tenha sido lançado recentemente, sua utilização depende da disponibilidade de redes 2G no local onde for usado.
Nokia 300 Charge aposta em bateria de 40 dias
O principal destaque do novo Nokia é a bateria. Com capacidade de 3.700 mAh, ela é removível e, de acordo com a HMD, pode proporcionar até 40 dias de autonomia em espera e até 37,9 horas de conversação.
A capacidade é bastante elevada para um celular desse tipo, principalmente porque o aparelho não precisa alimentar recursos encontrados em smartphones, como tela de alta resolução, conexão 5G e aplicativos que funcionam continuamente em segundo plano.
A proposta, portanto, é simples: reduzir ao máximo o consumo de energia e entregar um aparelho que possa permanecer ligado por longos períodos sem precisar ser conectado à tomada.
O número de 40 dias, porém, é uma estimativa de laboratório da fabricante e não significa que todos os usuários terão exatamente essa autonomia. O tempo real depende das condições de uso, da rede e de outros fatores.
Celular pode funcionar como power bank
Outro recurso que diferencia o Nokia 300 Charge é a possibilidade de carregar outros aparelhos.
O telefone possui um botão lateral identificado como “Out”. Ao acioná-lo, o usuário pode ativar o carregamento reverso por meio da porta USB-C, com potência de até 10 watts.
Na prática, isso permite que a bateria do Nokia seja utilizada como uma espécie de fonte de emergência para outros dispositivos compatíveis.
O aparelho também vem com um cabo com diferentes conectores, pensado justamente para permitir o carregamento de outros equipamentos.
A bateria removível é outro elemento que remete aos celulares de gerações passadas. Em vez de exigir assistência técnica para a substituição da bateria, o componente pode ser retirado pelo próprio usuário.
Nokia 300 Charge tem WhatsApp?
Não. O Nokia 300 Charge não foi desenvolvido para oferecer a experiência de um smartphone. O aparelho utiliza o S30+, sistema operacional voltado para celulares básicos, e não conta com uma loja de aplicativos como ocorre em aparelhos Android ou iPhone. Por isso, o usuário não encontrará no aparelho aplicativos populares como WhatsApp, Instagram, TikTok, Spotify ou YouTube. A ausência desses recursos não é um defeito acidental do modelo. Ela faz parte da proposta do telefone: oferecer comunicação básica, baixo consumo de energia e uma experiência mais simples. O aparelho é equipado com tela de 2,4 polegadas, câmera traseira QVGA e suporte para dois chips Mini SIM.
Por que o Nokia 300 Charge só funciona em 2G?
A principal limitação do Nokia 300 Charge para mercados como o Brasil está justamente na conectividade.
O telefone trabalha apenas com GSM 2G nas frequências de 900 MHz e 1.800 MHz. Não há suporte a 3G, 4G ou 5G.
Isso significa que o aparelho só poderá realizar chamadas e utilizar os serviços de rede onde ainda houver infraestrutura 2G compatível.
No Brasil, a situação merece atenção. A Anatel vem acompanhando a transição das redes móveis mais antigas para tecnologias como 4G e 5G, mas a agência esclarece que não há, atualmente, um desligamento total das redes 2G e 3G em andamento. A transição deve ocorrer de acordo com o planejamento técnico e operacional das próprias prestadoras, sob acompanhamento da agência.
Por isso, não é correto afirmar que o Nokia 300 Charge já esteja oficialmente impedido de funcionar no Brasil por causa de um desligamento nacional do 2G. O problema é outro: um aparelho exclusivamente 2G fica cada vez mais limitado à medida que as redes antigas são substituídas por tecnologias mais novas.
Além disso, para ser comercializado oficialmente no país, um aparelho precisa atender às regras de certificação aplicáveis.
Veja as especificações do Nokia 300 Charge
Apesar da simplicidade, o celular reúne alguns recursos interessantes.
Processador: Unisoc SC6531E
Sistema operacional: S30+
RAM: 4 MB
Armazenamento interno: 4 MB
Expansão: cartão microSD de até 32 GB
Tela: LCD de 2,4 polegadas
Resolução: QVGA, 320 x 240 pixels
Câmera traseira: QVGA
Bateria: 3.700 mAh, removível
Carregamento: USB-C
Carregamento reverso: até 10 W
Rede: GSM 2G, 900/1800 MHz
SIM: dois Mini SIM
Peso: 138 gramas
Cores: verde, preto e acabamento Sandstone, conforme o mercado
As especificações oficiais da HMD confirmam ainda entrada para fones de 3,5 mm e lanterna LED de alta potência. A fabricante afirma que a lanterna pode chegar a quatro vezes a intensidade da encontrada no Nokia 105 de 2023.
O visual do Nokia 300 Charge lembra os antigos celulares que ficaram conhecidos popularmente como “tijolões”, mas isso não significa que o aparelho tenha a mesma resistência atribuída a alguns modelos históricos da Nokia.
O telefone tem um desenho robusto, mas não possui certificação específica de resistência à água ou a impactos.
Essa é uma diferença importante em relação à imagem que muitos consumidores têm dos antigos aparelhos da marca, especialmente do Nokia 1100.
O Nokia 300 Charge começou a ser vendido em mercados do Sudeste Asiático, incluindo Filipinas e Malásia.
Nas Filipinas, o aparelho aparece com preço de 2.190 pesos filipinos, enquanto na Malásia o valor informado é de aproximadamente 148 ringgits. Esses preços equivalem, em conversão direta, a algumas dezenas de dólares, mas não representam necessariamente quanto o produto custaria caso chegasse oficialmente ao Brasil.
Até o momento, não há previsão de lançamento oficial do modelo no mercado brasileiro informada pela HMD.
Por isso, eventuais anúncios de importação não devem ser confundidos com uma venda oficial da Nokia no país.
Nokia 300 Charge resgata a era do Nokia 1100
A inspiração nos celulares antigos da Nokia não é por acaso. O novo aparelho recupera características que fizeram a marca se tornar uma referência mundial em celulares básicos.
Um dos maiores símbolos dessa época foi o Nokia 1100, lançado em 2003. O modelo vendeu cerca de 250 milhões de unidades em todo o mundo e se tornou um dos maiores fenômenos da história da telefonia móvel.
O sucesso estava justamente na combinação de preço acessível, simplicidade, autonomia e resistência. O aparelho ganhou enorme popularidade em mercados da África, Ásia e América Latina.
O Nokia 300 Charge recupera parte dessa filosofia, mas acrescenta uma função pouco comum: a possibilidade de transformar o celular em uma fonte de energia para outros dispositivos.
A diferença é que, enquanto o Nokia 1100 pertenceu a uma época em que as redes 2G eram a principal tecnologia de telefonia móvel, o novo aparelho chega ao mercado em um momento de transição para redes mais modernas.
É justamente aí que está o paradoxo do Nokia 300 Charge: um celular novo, com uma bateria enorme e recursos pensados para durar, mas dependente de uma tecnologia de rede que está sendo gradualmente substituída em diferentes mercados.
Para quem busca apenas ligações, mensagens e autonomia, a proposta pode ser atraente. Para quem depende de aplicativos ou vive em uma região sem cobertura 2G compatível, entretanto, as limitações tornam o aparelho pouco adequado.
Por enquanto, o Nokia 300 Charge permanece concentrado em mercados asiáticos, sem previsão anunciada de chegada oficial ao Brasil.




