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ENTREVISTA

Mãe de Isabelle Caracristi diz que namorado pediu cartão e queria abrir empresa no nome dela

Isorlanda Caracristi afirmou à TV Cidade Fortaleza que ficou preocupada com a relação da filha; Polícia Civil ainda investiga a morte da universitária

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Mãe de Isabelle Caracristi diz que namorado pediu cartão e queria abrir empresa no nome dela
Isabelle foi encontrada morta em um condomínio no bairro Aldeota, em Fortaleza, na última semana. A mãe concedeu entrevista à TV Cidade Fortaleza. Foto: Reprodução

A mãe da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, afirmou que o namorado da filha pediu o cartão de crédito dela e queria colocar uma empresa no nome da jovem. O relato foi feito por Isorlanda Caracristi em entrevista exclusiva à TV Cidade Fortaleza.

Segundo a professora universitária, Isabelle contou que o namorado havia pedido o cartão para utilizá-lo no pagamento de uma cirurgia. Isorlanda também disse que ele teria manifestado a intenção de abrir uma empresa usando o nome da estudante.

Leia também: Isabelle Caracristi estava grávida, revela irmão após morte da universitária em Fortaleza

“Ela se queixou que ele pediu o cartão de crédito dela emprestado. Uma estudante de 22 anos, cartãozinho de crédito de limite baixo. Ele, que se dizia sócio, pediu o cartão de crédito dela para emprestar para fazer uma cirurgia e que queria muito botar a empresa no nome dela”, relatou Isorlanda.

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A mãe afirmou que ficou preocupada com a situação e passou a considerar que o nome da filha poderia estar sendo utilizado em interesses financeiros do namorado.

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Mãe relata pedido de cartão e empresa no nome de Isabelle

Isorlanda contou que a filha chegou a demonstrar satisfação com a possibilidade de ter uma empresa, sem, segundo a mãe, perceber os riscos que ela enxergava na proposta. “Ela pensava, ela estava se sentindo orgulhosa porque ia ter uma empresa. Digo: minha filha, se toque. Isso não é normal. Ele está querendo usar o seu nome”, afirmou.

A professora disse que, naquele momento, pretendia conversar com a filha e tomar medidas para tentar interromper o relacionamento.

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“Foi quando eu estava determinada mesmo a tomar algumas providências no sentido de que não, ela não podia mais ficar com ele, mas não deu tempo.”

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Além do episódio envolvendo o cartão e a empresa, Isorlanda relatou outros comportamentos que, na avaliação dela, indicavam uma relação de controle.

A mãe afirmou que costumava ter contato frequente com Isabelle e que começou a perceber mudanças quando a filha passou a receber mensagens constantes do namorado durante as visitas à família.

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“Eu tive o cuidado de estar observando quem era que estava mandando a mensagem e vi que era ele. Mensagem uma atrás da outra, uma atrás da outra.”

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Segundo Isorlanda, em algumas ocasiões Isabelle inicialmente dizia que permaneceria mais tempo com a família, mas depois mudava de ideia e queria voltar para encontrar o homem.

Como começou o relacionamento de Isabelle com o namorado

De acordo com Isorlanda, Isabelle conheceu o namorado em um escritório de advocacia onde havia começado um estágio. O homem, segundo o relato da mãe, tinha 33 anos e ocupava uma posição de chefia no local.

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A professora afirmou que Isabelle iniciou o estágio no começo de julho e que, cinco dias depois, teria sido transferida do setor em que trabalhava para a área comandada pelo homem.

“Minha filha, ela começou a estagiar, foi selecionada, começou a estagiar nesse escritório no início de julho. Cinco dias depois, esse cara simplesmente transferiu ela do setor dela para o setor dele, para trabalhar diretamente com ele”, relatou.

Ainda segundo Isorlanda, o relacionamento começou menos de dez dias depois do início do estágio.

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“Em menos de dez dias já estava namorando ela. Certo? Ou seja, foi tudo muito, muito rápido.”

A mãe afirmou que chegou a conhecer o namorado da filha e que, inicialmente, tentou manter a proximidade com Isabelle para evitar um afastamento entre as duas.

Isorlanda também relatou que considerava o comportamento do homem controlador e afirmou ter conversado com a filha sobre a relação. Essas avaliações pertencem ao relato da mãe e não representam uma conclusão da investigação policial.

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Polícia procura namorado da estudante

Enquanto a família relata episódios relacionados ao relacionamento, a Polícia Civil continua investigando a morte de Isabelle.

A estudante foi encontrada morta na noite de domingo (13), por volta das 20h40, no pátio do condomínio onde morava com o namorado e familiares dele, no bairro Aldeota, em Fortaleza.

Neste domingo (20), equipes da Polícia Civil realizaram novas diligências para localizar o namorado. Até o momento, ele não foi encontrado e está sendo procurado.

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A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) não informou que o homem é suspeito da morte de Isabelle nem apresentou publicamente uma conclusão sobre o motivo da procura.

No mesmo dia, a Polícia Civil localizou a mãe do namorado na praia do Cumbuco, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. Um mandado de busca e apreensão foi cumprido, e um celular e um tablet foram recolhidos. Os equipamentos serão periciados.

O celular de Isabelle também já passou por perícia. O conteúdo do aparelho está sendo analisado pelos investigadores.

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As câmeras do condomínio permitiram à Polícia Civil estabelecer uma cronologia dos deslocamentos de Isabelle e do namorado. As imagens continuam sendo examinadas juntamente com outros elementos da investigação.

O que a perícia já identificou

A Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) realizou novas diligências no condomínio neste domingo. Os trabalhos incluíram áreas comuns do prédio e o apartamento onde Isabelle morava com o namorado e familiares dele.

Também foi feita uma complementação da coleta de vestígios de DNA. Os peritos utilizaram um drone para obter novas imagens do local.

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O laudo cadavérico apontou politraumatismo como causa da morte, com lesões no corpo compatíveis com impacto contra o solo. Os exames laboratoriais realizados até o momento tiveram resultado negativo para substâncias de interesse toxicológico.

Apesar dos resultados, a SSPDS afirma que ainda não é possível determinar oficialmente a dinâmica dos acontecimentos. A conclusão dependerá da finalização dos trabalhos periciais e das demais etapas da investigação.

As últimas horas de Isabelle

Segundo Isorlanda, Isabelle passou parte do fim de semana na casa da família e reclamava de uma dor no pescoço. A mãe afirmou que deu à filha um relaxante muscular.

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No domingo, Isabelle teria informado que iria a uma missa e a uma procissão acompanhada do namorado e de familiares dele antes de retornar ao condomínio.

Por volta das 19h, de acordo com a mãe, a estudante enviou uma mensagem informando que havia deixado uma comida na air fryer. Pouco depois, mandou outra mensagem: “Mãe, eu te amo”.

Isorlanda contou que a filha costumava enviar uma mensagem de boa noite diariamente, mas isso não ocorreu naquela noite.

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Na manhã seguinte, a professora tentou entrar em contato várias vezes com Isabelle. Como não conseguiu falar com a filha, também tentou contato com o namorado. Segundo o relato da mãe, não houve resposta e ela percebeu que havia sido bloqueada nas redes sociais dele.

Isorlanda foi ao condomínio acompanhada do irmão. Segundo ela, os funcionários inicialmente não informaram o que havia ocorrido. Depois, os dois foram encaminhados à síndica, que teria comunicado a morte da estudante e informado que o corpo já havia sido levado ao IML.

A família afirma que não recebeu a notícia diretamente do namorado ou de familiares dele.

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Família cobra esclarecimentos

Após a morte da filha, Isorlanda passou a cobrar publicamente esclarecimentos sobre o caso e falou sobre as preocupações que tinha em relação ao relacionamento.

“É muito fácil manipular uma mente de um jovem”, afirmou a professora em entrevista à TV Cidade.

Ela também pediu que outras famílias observem mudanças no comportamento dos filhos e declarou: “Não se deixem enganar pelas aparências”.

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O irmão de Isabelle, o psicólogo clínico Rafael Magalhães, também falou sobre a morte. Ele afirmou que a irmã tinha planos profissionais e interesse pela defesa de crianças e mulheres.

Rafael disse que, pela convivência que tinha com Isabelle, não identificava características que, na percepção dele, apontassem para uma morte provocada pela própria jovem.

“Isabelle não era esse tipo de pessoa”, declarou.

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Ele também afirmou que a família ainda possui dúvidas sobre o que aconteceu. “Tem muita coisa por trás”, disse.

As declarações dos familiares são relatos da família e não representam conclusões da investigação.

O que ainda falta esclarecer

A Polícia Civil já ouviu quatro pessoas e tem outras quatro oitivas agendadas. A investigação também reúne as imagens das câmeras do condomínio, os dados extraídos do celular de Isabelle, os aparelhos apreendidos com a mãe do namorado e os resultados das perícias realizadas no local.

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A morte ocorreu em 13 de setembro, por volta das 20h40, no condomínio onde Isabelle morava. A perícia identificou politraumatismo e lesões compatíveis com impacto contra o solo, enquanto os exames toxicológicos realizados até o momento não apontaram substâncias de interesse.

O relato da mãe sobre o cartão de crédito e a proposta de abrir uma empresa no nome da filha integra as informações apresentadas pela família sobre o relacionamento. Até o momento, a Polícia Civil não apresentou esses episódios como explicação para a morte.

A dinâmica do que aconteceu no condomínio ainda não foi oficialmente concluída. A SSPDS informou que o esclarecimento depende da conclusão das diligências policiais e dos exames complementares da Pefoce.

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Denúncias para a polícia

A população pode contribuir com investigações das forças de segurança do estado do Ceará repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via "e-denúncias", o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.

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