A Polícia Civil do Ceará procura o namorado da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, encontrada morta no condomínio onde morava, no bairro Aldeota, em Fortaleza. Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE), equipes fizeram novas diligências neste domingo (20), mas o homem ainda não foi localizado.
A SSPDS não informou que o namorado é suspeito da morte de Isabelle. A secretaria também não esclareceu o motivo específico pelo qual ele está sendo procurado, nem informou se existe alguma ordem judicial contra ele. A localização do homem ocorre enquanto a Polícia Civil reúne depoimentos, imagens e resultados de exames para esclarecer o caso.
No mesmo dia, a Polícia Civil localizou a mãe do namorado na praia do Cumbuco, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. Um mandado de busca e apreensão foi cumprido, e um celular e um tablet foram recolhidos. Os aparelhos serão submetidos a perícia.
Polícia procura namorado de Isabelle Caracristi
Isabelle foi encontrada morta na noite de domingo (13), por volta das 20h40, no pátio do condomínio onde morava com o namorado e familiares dele, na Aldeota.
A investigação é conduzida pela Polícia Civil, com participação da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce). Neste domingo, novas equipes foram mobilizadas para localizar o namorado da estudante e avançar na análise dos elementos reunidos desde a morte.
O celular de Isabelle também já passou por perícia. O conteúdo do aparelho está sendo analisado pelos investigadores e será confrontado com os demais dados obtidos durante o inquérito.
Até este domingo, quatro pessoas haviam prestado depoimento. Outras quatro oitivas estão agendadas.
Mãe do namorado é localizada no Cumbuco
A mãe do namorado de Isabelle foi encontrada pela Polícia Civil no início da noite de domingo, na praia do Cumbuco.
Durante a diligência, os policiais cumpriram um mandado de busca e apreensão e recolheram o celular e um tablet da mulher. Os equipamentos serão analisados para verificar se possuem informações relacionadas à investigação.
A SSPDS informou que as diligências continuam e que a Polícia Civil ainda trabalha para reunir elementos capazes de esclarecer as circunstâncias da morte.
O que a perícia descobriu sobre a morte de Isabelle
A Pefoce realizou uma nova perícia no condomínio neste domingo. Os trabalhos incluíram áreas comuns do prédio e o apartamento onde Isabelle vivia com o namorado e familiares dele.
Também houve uma nova coleta de vestígios para exames de DNA. Os peritos utilizaram um drone para registrar imagens adicionais do local.
O laudo cadavérico apontou politraumatismo como causa da morte. As lesões identificadas no corpo são compatíveis com impacto contra o solo. Os exames laboratoriais realizados até o momento não encontraram substâncias de interesse toxicológico.
Esses resultados, porém, ainda não esclarecem como ocorreu a queda. A SSPDS informou que somente após a conclusão dos trabalhos periciais e investigativos será possível determinar a dinâmica dos acontecimentos que levaram à morte da estudante.
Câmeras ajudam a reconstruir movimentação no condomínio
As imagens das câmeras de segurança do condomínio são analisadas pela Polícia Civil e já permitiram estabelecer uma cronologia dos deslocamentos de Isabelle e do namorado.
O material ainda está sendo examinado juntamente com outras diligências. As gravações ajudam a identificar a movimentação no prédio, mas, isoladamente, não determinam a dinâmica da morte.
A investigação busca confrontar as imagens com os depoimentos e os resultados das perícias realizadas no condomínio e nos aparelhos eletrônicos.
O que a família relata sobre os últimos momentos da estudante
Antes da morte, Isabelle passou parte do fim de semana na casa da mãe, a professora universitária Isorlanda Caracristi. Segundo o relato da mãe, a estudante reclamava de dor no pescoço e recebeu um relaxante muscular.
No domingo, Isabelle informou à mãe que iria a uma missa e a uma procissão com o namorado e familiares dele antes de retornar ao condomínio.
Por volta das 19h, de acordo com Isorlanda, a filha enviou uma mensagem informando que havia deixado comida na air fryer. Depois, mandou outra mensagem: “Mãe, eu te amo”.
A mãe contou que Isabelle costumava enviar uma mensagem de boa noite diariamente, mas isso não ocorreu naquela noite. Na manhã seguinte, sem conseguir contato com a filha, Isorlanda também tentou falar com o namorado. Segundo ela, não houve resposta e ela percebeu que havia sido bloqueada nas redes sociais dele.
A professora foi ao condomínio acompanhada do irmão. Segundo o relato da família, os funcionários inicialmente não informaram o que havia acontecido. Ela foi encaminhada à síndica e soube que Isabelle havia morrido na noite anterior e que o corpo já havia sido levado ao IML.
Isorlanda Caracristi, professora universitária e mãe de Isabelle, também passou a relatar publicamente preocupações que tinha em relação ao relacionamento da filha. Segundo ela, o namorado era um dos chefes da jovem no escritório de advocacia onde Isabelle havia começado um estágio e era cerca de dez anos mais velho.
A mãe afirmou ter percebido comportamentos que considerava controladores. Entre os episódios relatados por ela estão uma consulta médica em que o namorado teria tentado acompanhar Isabelle na sala e uma situação na qual, segundo Isorlanda, ele teria pedido para usar o cartão da jovem e sugerido colocar uma empresa em nome dela.
Essas afirmações são relatos da mãe e não foram apresentadas pela Polícia Civil como conclusão sobre o relacionamento ou como explicação para a morte.
Família cobra respostas sobre o caso
Após a morte da filha, Isorlanda publicou um vídeo nas redes sociais cobrando esclarecimentos sobre o que aconteceu. “É muito fácil manipular uma mente de um jovem”, afirmou a professora.
Ela também orientou outras famílias a observarem mudanças no comportamento dos filhos e declarou: “Não se deixem enganar pelas aparências”.
O irmão de Isabelle, Rafael Magalhães, psicólogo clínico, também falou sobre a morte. Segundo ele, a estudante tinha planos profissionais e interesse em atuar na defesa de crianças e mulheres.
Rafael afirmou que, pela convivência com a irmã, não identificava características que, na avaliação dele, apontassem para uma morte provocada pela própria jovem. “Isabelle não era esse tipo de pessoa”, declarou.
O psicólogo também disse que a família ainda possui dúvidas sobre o que aconteceu. “Tem muita coisa por trás”, afirmou.
As declarações dos familiares representam os relatos da família e não constituem conclusões da investigação policial.
O que ainda falta esclarecer no caso
Isabelle Caracristi morreu na noite de 13 de setembro, por volta das 20h40, no condomínio onde morava, na Aldeota. A perícia apontou politraumatismo e lesões compatíveis com impacto contra o solo, enquanto os exames toxicológicos realizados até o momento tiveram resultado negativo para substâncias de interesse.
A Polícia Civil já estabeleceu uma cronologia dos deslocamentos da estudante e do namorado por meio das câmeras de segurança. O celular de Isabelle foi periciado e o conteúdo está em análise.
A nova etapa da investigação inclui a procura pelo namorado, a perícia dos aparelhos apreendidos com a mãe dele, novas análises das câmeras e exames complementares realizados pela Pefoce no condomínio.
Denúncias para a polícia
A população pode contribuir com investigações das forças de segurança do estado do Ceará repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via "e-denúncias", o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.




