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INVESTIGAÇÃO

Por que namorado de Isabelle foi preso? Veja os elementos considerados na decisão

Decisão que decretou a prisão preventiva de João Munhoz Neto reúne elementos colhidos pela Polícia Civil, incluindo relatos sobre violência psicológica, áudio enviado por Isabelle antes da morte, mensagens, dados do celular e retirada de uma câmera do apartamento

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Por que namorado de Isabelle foi preso? Veja os elementos considerados na decisão
Caso Isabelle Caracristi: o que levou à prisão preventiva de João Munhoz Neto. Foto: Reprodução

João Munhoz Neto, namorado de Isabelle Caracristi, teve a prisão preventiva mantida após a audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (23), em Fortaleza. A prisão foi decretada no contexto da investigação sobre a morte da estudante de Direito, de 22 anos, e a decisão reúne diferentes elementos colhidos pela Polícia Civil durante a apuração.

Leia também: Caso Isabelle Caracristi: perícia aponta suicídio, mas investigação continua em aberto

Entre os pontos considerados estão relatos sobre a relação entre Isabelle e João, mensagens e áudios enviados pela jovem, depoimentos de familiares, dados extraídos do celular, a retirada de uma câmera instalada na porta do apartamento e acontecimentos registrados depois da morte. O conjunto é analisado pela investigação em diferentes frentes, incluindo possíveis crimes relacionados à violência psicológica e ao induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio.

A prisão preventiva, no entanto, não representa uma conclusão definitiva sobre a dinâmica da morte de Isabelle nem estabelece, por si só, a responsabilidade criminal de João. A investigação continua em andamento. A defesa nega participação dele na morte e sustenta a versão de que Isabelle cometeu suicídio.

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Prisão reúne diferentes elementos da investigação

A decisão que decretou a prisão preventiva considera informações produzidas pela Polícia Civil ao longo da investigação. O material inclui elementos relacionados ao relacionamento de Isabelle com João e às circunstâncias registradas antes e depois da morte.

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Um dos eixos da apuração é a existência de possíveis sinais de violência psicológica. Mensagens recuperadas do celular da jovem foram analisadas pelos investigadores e, segundo os elementos reunidos, indicariam uma relação marcada por vigilância, cobranças, controle e pressão emocional.

Entre os comportamentos investigados estão pedidos de localização em tempo real, restrições relacionadas ao convívio de Isabelle com outras pessoas e situações envolvendo dependência financeira. Os elementos também são analisados considerando a relação profissional existente entre os dois no período em que o relacionamento começou.

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Essas informações foram consideradas no contexto da investigação, mas não significam que cada relato tenha sido judicialmente confirmado como fato definitivo.

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Áudio de Isabelle horas antes da morte

Um dos elementos de maior relevância na investigação é um áudio enviado por Isabelle a um familiar poucas horas antes da morte.

Segundo o depoimento prestado pelo primo Alessandro Ferreira Caracristi, a gravação tinha aproximadamente 16 minutos. Isabelle teria relatado uma discussão com João, afirmado que estava sendo ameaçada e pedido que o áudio fosse entregue à Polícia caso alguma coisa acontecesse com ela.

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O depoimento também relata uma conversa ocorrida cerca de uma semana antes da morte. Segundo Alessandro, Isabelle dizia não suportar mais o relacionamento por causa do ciúme de João e de restrições relacionadas ao contato com familiares e colegas.

Ainda conforme o relato do primo, em uma dessas ocasiões ele teria ouvido João ao fundo ordenando que Isabelle desligasse o telefone. O conteúdo foi incorporado à investigação para ajudar a reconstruir o contexto da relação e as horas que antecederam a morte.

“Não acredite nele” aparece em depoimento

Outro trecho citado na investigação envolve uma mensagem atribuída a Isabelle em que ela teria pedido ao primo que não acreditasse em João caso alguma coisa acontecesse com ela.

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O conteúdo foi relatado por Alessandro em depoimento e passou a integrar o conjunto de informações analisadas pela Polícia Civil. A frase ganhou relevância porque aparece associada aos relatos anteriores da jovem sobre conflitos e ameaças dentro do relacionamento.

O depoimento também descreve episódios de ciúme e controle. Segundo Alessandro, Isabelle teria dito que pretendia denunciar João e demonstrado preocupação com o comportamento dele.

Essas informações são tratadas pela investigação como parte do contexto anterior à morte, ao lado de outros elementos técnicos e testemunhais.

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Celular apresenta lacuna de quase 19 horas

O celular de Isabelle também passou por análise pericial. O aparelho ficou fisicamente danificado após a queda, o que dificultou a recuperação integral das informações.

O relatório técnico identificou registros recuperados até aproximadamente 2h do dia 13 de setembro e informações posteriores ao horário estimado da morte, por volta das 20h40. Com isso, ficou um intervalo de quase 19 horas sem registros recuperados no material analisado.

O período é considerado importante porque corresponde justamente às horas que antecederam a morte. A Polícia Civil cruza as informações disponíveis no aparelho com dados de servidores, imagens de câmeras, depoimentos e outros dispositivos.

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A existência da lacuna, porém, não permite afirmar isoladamente que mensagens foram apagadas de propósito. O telefone sofreu danos com a queda e o procedimento de extração não recuperou todos os tipos de dados que podem ter existido no aparelho.

Câmera instalada na porta do apartamento foi retirada

Outro elemento analisado pela investigação é uma câmera particular que estava instalada na entrada do apartamento de João.

Segundo as informações reunidas no caso, o equipamento foi retirado depois dos acontecimentos. A ausência da câmera passou a ser considerada pelos investigadores na avaliação sobre a preservação de possíveis vestígios e sobre a reconstrução de quem esteve no imóvel.

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A investigação também analisa outros acontecimentos posteriores à morte. Entre eles estão a limpeza do apartamento, a saída de João e da mãe dele do imóvel durante a madrugada e a posterior colocação do apartamento à venda.

Esses fatos foram considerados no contexto da apuração sobre possível interferência na preservação de elementos importantes para esclarecer o caso. A retirada da câmera, isoladamente, não permite afirmar que houve destruição ou ocultação de prova.

Saída do imóvel também entrou na apuração

Outro ponto considerado na investigação envolve o comportamento de João depois da morte.

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Conforme os elementos reunidos pela Polícia Civil, cerca de cinco horas depois da queda, durante a madrugada do dia 14, João e a mãe deixaram o apartamento levando bagagens, acompanhados por outras pessoas, e passaram a permanecer em outro local.

A investigação também apura a colocação do apartamento à venda poucas horas depois da morte. O imóvel passou por limpeza, e essas circunstâncias foram analisadas juntamente com a retirada da câmera e outros elementos relacionados à preservação de vestígios.

Outro aspecto questionado pela família foi a ausência de comunicação imediata sobre a morte de Isabelle. A mãe da jovem só descobriu o que havia acontecido no dia seguinte.

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Cronologia ajuda a reconstruir as últimas horas

As imagens de segurança são usadas pela Polícia Civil para reconstruir os deslocamentos de Isabelle e João no dia 13 de setembro.

Isabelle chegou ao condomínio por volta das 17h58. João aparece no local para recebê-la. Posteriormente, ele deixou o imóvel, enquanto Isabelle permaneceu no condomínio.

Por volta das 19h12, registros indicam que Isabelle seguiu em direção ao último andar do edifício. O horário estimado da morte é aproximadamente 20h40.

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Mais tarde, por volta das 22h48, João retornou ao condomínio. A movimentação registrada pelas câmeras é analisada em conjunto com depoimentos, celulares e demais vestígios para reconstruir o que ocorreu no intervalo entre a chegada de Isabelle e a queda.

A sequência de imagens não esclarece sozinha a dinâmica da morte. Por isso, os investigadores continuam cruzando os registros visuais com os demais elementos da perícia.

O que a perícia apontou sobre a morte

Isabelle Caracristi foi encontrada morta no pátio do condomínio La Piazza, na Aldeota, em Fortaleza, no dia 13 de setembro.

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A perícia identificou politraumatismo e lesões compatíveis com impacto contra o solo. Os exames toxicológicos realizados até então não identificaram substâncias de interesse no organismo da jovem. A dinâmica que levou à queda, porém, ainda não foi oficialmente esclarecida.

O fato de as lesões serem compatíveis com uma queda não determina, por si só, se o episódio foi acidente, suicídio ou se houve participação de outra pessoa. Essa é justamente uma das questões centrais que permanecem sob investigação.

Como a família descobriu a morte

No dia da morte, Isabelle manteve contato com a mãe, Isorlanda Caracristi. Entre as últimas mensagens, a jovem escreveu “Mãe, eu te amo”.

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Depois disso, a mãe não conseguiu mais falar com a filha e estranhou a ausência do contato habitual. Isorlanda relatou posteriormente que foi bloqueada por João ao tentar entrar em contato com ele.

No dia seguinte, diante da falta de notícias, a mãe foi até o condomínio acompanhada do filho Rafael Magalhães. Foi então que soube que Isabelle havia morrido e que o corpo havia sido encaminhado ao Instituto Médico Legal.

Rafael também prestou depoimento durante a investigação e relatou informações sobre a irmã e o relacionamento dela com João. Os relatos dos familiares passaram a integrar o conjunto de elementos analisados pela Polícia Civil.

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Por que João continua preso

João foi preso preventivamente na terça-feira (22), em Fortaleza. A prisão ocorreu após o avanço da investigação e a reunião de elementos relacionados à relação com Isabelle, às circunstâncias que antecederam a morte e a possíveis riscos para a apuração.

A decisão considera, entre outros pontos, os relatos sobre violência psicológica, o áudio enviado por Isabelle, os depoimentos de familiares, os dados digitais, a retirada da câmera e acontecimentos posteriores à morte.

No dia seguinte à prisão, João passou por audiência de custódia, e a prisão preventiva foi mantida. A audiência analisa a situação da prisão e não representa julgamento sobre a responsabilidade de João pela morte da jovem.

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A defesa contesta as acusações e sustenta que João não participou da morte de Isabelle, defendendo a hipótese de suicídio. A investigação continua sob sigilo e ainda depende da análise de provas, depoimentos e exames periciais.

O caso, portanto, permanece em apuração. Os elementos reunidos até agora ajudam a explicar por que a Polícia Civil pediu e por que a prisão preventiva foi decretada e mantida, mas a definição sobre o que aconteceu no momento da queda de Isabelle ainda depende do avanço da investigação.

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