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REAÇÃO

Campanha de Flávio Bolsonaro aciona Justiça contra perfis por publicações sobre Nossa Senhora Aparecida

Candidato afirma que ao menos 29 perfis divulgaram conteúdo falso sobre uma suposta retirada do título de padroeira do Brasil

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Campanha de Flávio Bolsonaro aciona Justiça contra perfis por publicações sobre Nossa Senhora Aparecida
Flávio negou a existência de qualquer proposta nesse sentido (Foto: Reprodução)


A campanha do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) acionou a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE), nesta sexta-feira (25), contra perfis nas redes sociais que divulgaram a informação de que ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A equipe jurídica do candidato apresentou uma notícia-crime e pediu investigação sobre a origem e a disseminação das publicações. Segundo a campanha, ao menos 29 perfis foram identificados na circulação do conteúdo.

Leia também: Nossa Senhora Aparecida: como surgiu história sobre ala evangélica bolsonarista tirar título de padroeira

O episódio ganhou força nas redes sociais entre quinta-feira (24) e sexta-feira (25), em meio à campanha eleitoral para a Presidência em 2026. A informação atribuída a Flávio afirmava que, caso fosse eleito, ele adotaria medidas para retirar o título concedido a Nossa Senhora Aparecida.

Flávio negou a existência de qualquer proposta nesse sentido. Em vídeo publicado nas redes sociais, o candidato afirmou que a informação era falsa e disse que não havia projeto com esse objetivo.

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A repercussão aumentou depois que o assunto foi mencionado no programa “Em Pauta”, da GloboNews. A emissora posteriormente corrigiu a informação e pediu desculpas. Na retratação, esclareceu que a proposta mencionada havia sido apresentada em 2007 e arquivada pela Câmara dos Deputados em 2008.

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Flávio Bolsonaro leva caso sobre Nossa Senhora Aparecida à PGE

Na notícia-crime apresentada à PGE, a defesa de Flávio Bolsonaro solicita a identificação dos responsáveis pelas publicações e dos administradores das contas apontadas pela campanha.

O documento também pede que seja investigada a eventual existência de uma atuação coordenada entre os perfis. A campanha sustenta que a circulação do conteúdo teve potencial de produzir prejuízo eleitoral ao candidato.

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A informação é tratada pela defesa como possível ilícito eleitoral, e o pedido agora será analisado pelas autoridades competentes. A apresentação da notícia-crime, por si só, não estabelece responsabilidade criminal ou eleitoral dos perfis citados. Cabe à investigação verificar a origem das publicações, sua eventual coordenação e a participação de cada conta.

Segundo o relato apresentado pela campanha, uma das primeiras publicações identificadas teria aparecido no X e posteriormente sido reproduzida por outras contas. Parlamentares e páginas de conteúdo político também teriam repercutido a informação.

O episódio ocorre em um ambiente eleitoral no qual conteúdos publicados nas redes sociais podem alcançar rapidamente diferentes públicos e ser reproduzidos antes que a informação original seja verificada.

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Como surgiu a informação sobre a padroeira do Brasil

A origem da confusão está relacionada a um projeto de lei apresentado há quase duas décadas.

O Projeto de Lei 2.623/2007 foi apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli, do Mato Grosso. A proposta não foi apresentada por Flávio Bolsonaro e não tinha autoria do atual candidato à Presidência. O texto foi arquivado pela Câmara dos Deputados em 22 de agosto de 2008.

O projeto tratava da forma como Nossa Senhora Aparecida era identificada na legislação relacionada ao feriado nacional de 12 de outubro. A proposta pretendia substituir a expressão “padroeira do Brasil” por uma referência à santa como padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos.

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A Câmara dos Deputados registra que a proposta foi rejeitada quanto ao mérito pela comissão responsável pela análise. Posteriormente, o projeto acabou arquivado. Em 2018, a própria Câmara publicou esclarecimento sobre a circulação de informações falsas que afirmavam que o texto ainda estaria em análise no Legislativo.

Esse histórico é importante porque o projeto antigo passou a ser relacionado, nas redes sociais, ao atual candidato à Presidência, embora não exista autoria de Flávio Bolsonaro no texto de 2007.

A associação ganhou força em razão de outra declaração recente do candidato sobre religião. Flávio havia afirmado anteriormente que, caso chegasse à Presidência, um de seus primeiros atos seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.

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A fala foi posteriormente relacionada nas redes sociais ao debate sobre Nossa Senhora Aparecida. No entanto, a existência dessa declaração não estabelece, por si só, que Flávio tenha apresentado ou apoiado o projeto de 2007.

Projeto sobre Nossa Senhora Aparecida foi arquivado em 2008

A documentação oficial da Câmara é um dos principais elementos para compreender a controvérsia.

O registro legislativo mostra que o PL 2.623/2007 foi apresentado pelo então deputado Professor Victório Galli e arquivado em 2008. Portanto, trata-se de uma proposta antiga, que não está em tramitação atualmente.

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A proposta também não foi criada durante a atual disputa presidencial. A Câmara já havia tratado da circulação de informações falsas sobre o projeto em 2018, justamente para esclarecer que o texto estava arquivado.

A retomada do assunto em 2026 ocorreu, portanto, em outro contexto: a disputa eleitoral e a discussão sobre religião nas campanhas.

Esse ponto ajuda a separar três acontecimentos diferentes que acabaram misturados nas redes: o projeto apresentado em 2007, as declarações recentes de Flávio Bolsonaro sobre religião e a informação de que o candidato teria intenção de retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil.

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Os registros disponíveis não estabelecem uma ligação direta entre o candidato e o projeto antigo.

GloboNews corrige informação e pede desculpas

A repercussão também envolveu a GloboNews. O canal mencionou o assunto no programa “Em Pauta”, na quinta-feira (24), e posteriormente fez uma correção na edição da meia-noite.

Na retratação, a emissora esclareceu que a proposta citada havia sido apresentada em dezembro de 2007 e arquivada pela Mesa Diretora da Câmara em agosto de 2008. A GloboNews também pediu desculpas pela informação transmitida anteriormente.

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A correção ocorreu depois que o tema já havia alcançado as redes sociais e passado a ser associado diretamente a Flávio Bolsonaro.

O episódio mostra como uma informação sobre um projeto legislativo antigo pode ser deslocada para o contexto de uma eleição atual e ganhar novos significados quando combinada com declarações recentes de um candidato.

Para o eleitor, a diferença entre uma proposta efetivamente apresentada por um candidato e uma associação feita posteriormente nas redes é central para a compreensão do caso.

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O que será investigado pela Justiça Eleitoral

A notícia-crime apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro agora será submetida à análise das autoridades eleitorais.

Entre os pontos que a defesa quer esclarecer estão a origem das publicações, quem administrava os perfis envolvidos e se houve coordenação entre diferentes contas para disseminar o conteúdo.

A campanha aponta ao menos 29 perfis. A identificação dessas contas, contudo, não significa que os responsáveis já tenham sido considerados culpados por qualquer irregularidade. A eventual responsabilização dependerá da apuração dos fatos e das decisões das autoridades competentes.

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O caso também passou a ter repercussão judicial em outra frente. O ministro André Mendonça, atuando no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a retirada de publicações que associavam Flávio Bolsonaro à suposta proposta de retirada do título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida. A decisão envolveu conteúdos publicados em diferentes plataformas digitais.

A disputa em torno do conteúdo ocorre, assim, em duas dimensões: a investigação solicitada pela campanha para identificar os responsáveis pela disseminação da informação e as medidas determinadas pela Justiça Eleitoral para retirar publicações consideradas relacionadas ao conteúdo questionado.

O caso permanece em apuração, e novos elementos poderão esclarecer como a informação surgiu, de que maneira foi reproduzida e qual foi o alcance da circulação nas redes sociais.

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