O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que “dói” ver alguém querer retirar Nossa Senhora Aparecida da história do Brasil. A declaração foi publicada pelo presidenciável nas redes sociais no sábado (26), em meio à repercussão de conteúdos que associaram Flávio Bolsonaro (PL) a uma suposta iniciativa para retirar da santa o título de Padroeira do Brasil.
Caiado iniciou a manifestação falando sobre sua relação com a fé católica e a devoção a Nossa Senhora das Graças. Em seguida, fez referência direta à controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida.
“Sou católico e devoto de Nossa Senhora das Graças. Aprendi desde cedo que, nos momentos mais difíceis, a fé é onde a gente encontra força, esperança e consolo. E é por isso que me dói ver alguém querer apagar Nossa Senhora Aparecida da história do Brasil.”
Na sequência, o candidato afirmou que Nossa Senhora Aparecida representa a fé de milhões de brasileiros e disse que uma eventual mudança na legislação não seria suficiente para eliminar a devoção popular.
“Ela não é apenas um título, é a Padroeira do Brasil, é a fé de milhões de mães, pais e famílias brasileiras.”
Caiado concluiu a publicação dizendo:
“Podem mudar uma lei, podem tentar apagar um título. Mas ninguém vai arrancar Nossa Senhora do coração do povo brasileiro!”
Caiado critica politização da religião
Neste domingo (27), após participar de uma missa em Goiânia (GO), Caiado voltou a comentar o assunto. O candidato criticou o uso de questões religiosas na disputa eleitoral e defendeu o respeito às diferentes crenças.
A celebração ocorreu na Paróquia Nossa Senhora Aparecida e Santa Edwiges. Durante a agenda, Caiado afirmou que cabe ao Estado assegurar a liberdade religiosa e que diferenças de fé não devem ser utilizadas para estimular confrontos.
“Eu, realmente, repudio frontalmente todos aqueles que querem usar de um momento como esse, de qualquer restrição a qualquer opção religiosa que a pessoa tenha. Isso é um direito de cada um e cabe ao Estado brasileiro garantir essa liberdade religiosa.”
O candidato também afirmou que a campanha eleitoral passou a ser marcada por conflitos entre grupos e criticou o que classificou como intolerância.
“O ódio está dominando um segmento da sociedade brasileira e está distorcendo totalmente o bom senso, o equilíbrio de uma campanha eleitoral, da convivência entre as pessoas. Brigam por tudo.”
Caiado disse ainda ter pedido, durante a missa, pela redução das tensões na reta final da campanha.
“Pedi muito a Deus para que aliviasse o coração dessas pessoas que estão vivendo este momento de ódio.”
Projeto sobre Padroeira do Brasil foi apresentado em 2007
A discussão sobre a possibilidade de alteração do título de Nossa Senhora Aparecida envolve um projeto de lei apresentado há quase duas décadas.
O Projeto de Lei 2.623/2007 foi apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli. A proposta pretendia alterar a legislação relacionada ao feriado de 12 de outubro e substituir a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O texto foi arquivado pela Câmara dos Deputados em 22 de agosto de 2008.
A controvérsia voltou a circular durante a campanha presidencial de 2026 depois de uma declaração no programa “Em Pauta”, da GloboNews, sobre uma suposta movimentação de setores evangélicos para alterar a condição de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil.
A fala não atribuía a iniciativa a Flávio Bolsonaro, mas conteúdos publicados posteriormente nas redes sociais passaram a associar o candidato do PL ao tema. Flávio negou ter apoiado qualquer proposta nesse sentido. A GloboNews posteriormente informou que o projeto citado havia sido apresentado em 2007 e arquivado no ano seguinte.
Repercussão nas redes sociais
A discussão ganhou alcance durante a reta final da campanha presidencial. Um levantamento do Instituto Democracia em Xeque (IDX), divulgado no sábado (26), registrou 977,6 mil publicações sobre o assunto em um período de 55 horas.
De acordo com o levantamento, essas publicações somaram 8,5 milhões de interações nas redes sociais.
Foi nesse contexto que Caiado publicou, no sábado, a manifestação na qual declarou que “dói” ver alguém querer apagar Nossa Senhora Aparecida da história do Brasil.
Caiado também comenta as bets
Durante a agenda deste domingo, o candidato também falou sobre as apostas esportivas. Caiado classificou o vício em apostas como uma “doença” e afirmou ser contrário aos jogos.
Segundo o presidenciável, o tema está previsto em seu plano de governo. Ele defendeu a adoção de ações educativas e de restrições à publicidade das plataformas de apostas.
“Primeiro, um projeto educativo para a sociedade. Em segundo lugar, restrições duras na publicidade. E, a partir daí, você vai graduando e vendo as medidas que devem ser tomadas. É assim que eu me posicionei. É assim que está no meu plano de governo.”
Caiado também afirmou que, durante sua gestão como governador de Goiás, não autorizou uma loteria estadual. Ao comentar sua posição sobre os jogos, declarou:
“Eu sou tão restritivo a jogo. Eu acredito que sou o único estado no Brasil que não autorizou loteria. Eu não autorizei loteria no meu estado de Goiás enquanto fui governador. Isso mostra o quanto eu sou avesso a jogo, o quanto isso realmente leva a um quadro que nós estamos assistindo: problema financeiro, depois problema social, familiar, agressão, suicídio, tudo isso.”




