A votação no exterior nas Eleições 2026 mostra, até o momento, uma divisão entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), com o presidente vencendo em 17 países e o senador aparecendo à frente em oito. Os resultados começaram a ser conhecidos conforme as urnas foram encerradas em diferentes fusos horários, enquanto países com grande número de eleitores, como Portugal e Estados Unidos, ainda movimentavam brasileiros ao longo do domingo.
A votação fora do Brasil ocorre exclusivamente para os cargos de presidente e vice-presidente da República. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o eleitorado brasileiro no exterior chega a mais de 918 mil pessoas em 2026, número 31,82% superior ao registrado em 2022, quando eram 697.078 eleitores.
A distribuição dos eleitores por diferentes continentes faz com que a eleição brasileira tenha uma duração maior no exterior. Enquanto algumas comunidades encerraram a votação ainda durante a madrugada de domingo no horário de Brasília, outras seguiram com atendimento aos eleitores ao longo do dia.
O TSE estabelece que as seções eleitorais instaladas fora do país seguem o horário local. A regra permite que a votação ocorra de acordo com o fuso de cada localidade, fazendo com que o processo internacional se estenda por mais de 29 horas.
Nova Zelândia foi o primeiro país a concluir a votação
A Nova Zelândia esteve entre os primeiros locais a encerrar a votação. No país, Lula recebeu 234 votos, equivalentes a 70,48%, enquanto Flávio Bolsonaro somou 64 votos, ou 19,28%.
Na Austrália, a vantagem também foi de Lula. O petista recebeu 4.562 votos, correspondentes a 53,98%, contra 2.579 votos de Flávio Bolsonaro, que alcançou 30,52%.
A votação australiana ocorreu em meio a um eleitorado brasileiro espalhado por diferentes cidades. Na jurisdição do Consulado-Geral do Brasil em Sydney, havia 14.070 brasileiros registrados, sendo 9.718 em Sydney e 4.352 em Brisbane, conforme os dados apresentados no material de apuração.
Na Ásia, entretanto, o cenário foi diferente em alguns países. O Japão registrou uma das maiores diferenças entre os dois candidatos. Flávio Bolsonaro recebeu 24.601 votos, ou 71,59%, enquanto Lula teve 5.222 votos, equivalentes a 15,20%.
O resultado japonês ocorreu em um cenário de filas nos locais de votação. Relatos obtidos pela reportagem indicaram demora em determinados pontos de votação em Tóquio.
O estudante brasileiro Daniel Wassano, de 22 anos, relatou dificuldades relacionadas à orientação dos eleitores durante o processo.
"Como fui votar pela parte da manhã em Tóquio, teve bastante fila. Sinto que as pessoas que estavam dando assistência antes de entrar estavam um pouco confusas em como orientar as pessoas em relação aos documentos, em especial, idosos, e isso causou um aumento nas filas", afirmou.
Segundo ele, dúvidas relacionadas à documentação também contribuíram para atrasos em algumas seções.
"Porém, deixou alguns voluntários confusos sobre como orientar [os eleitores]. Um caso que presenciei foi uma senhora que havia levado apenas seu passaporte para a eleição, e pediram para a senhora o CPF dela, que não soube informar, e os voluntários ficaram em dúvida sobre como lidar com a situação. Então isso causou um atraso na fila da minha seção", relatou.
Portugal concentra segundo maior eleitorado brasileiro fora do país
Enquanto vários países já haviam encerrado a votação, Portugal registrou movimento intenso nos locais destinados aos brasileiros.
O país possui 134.797 brasileiros aptos a votar, segundo os dados apresentados no material de apuração, e aparece como o segundo maior eleitorado brasileiro fora do território nacional, atrás apenas dos Estados Unidos.
Em Lisboa, são 78.833 eleitores distribuídos por 207 seções de votação. A abertura das urnas foi marcada por filas extensas, em um cenário que também chama atenção para a dimensão do eleitorado brasileiro residente no exterior.
A concentração de brasileiros em determinadas cidades exige uma estrutura eleitoral específica. Pela regulamentação do TSE, uma seção no exterior pode ser instalada quando houver pelo menos 30 eleitores aptos naquela localidade. Quando o eleitorado ultrapassa 800 pessoas, uma nova seção deve ser instalada.
Os locais de votação podem funcionar em embaixadas, repartições consulares e outros espaços autorizados pelas autoridades eleitorais e diplomáticas.
Veja onde Lula venceu nas Eleições 2026
Até a parcial considerada nesta apuração, Lula apareceu à frente em 17 países.
Na Europa, o petista venceu na Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Hungria, Croácia, Chipre, Romênia e Eslováquia. Na Palestina, obteve uma das maiores proporções registradas: 1.078 votos, ou 93,09%, contra 46 votos de Flávio Bolsonaro.
Na Dinamarca, Lula teve 1.166 votos, correspondentes a 78,94%. Na França, alcançou 1.281 votos, ou 82,27%. Na Espanha, onde o eleitorado brasileiro é numeroso, foram 7.063 votos, equivalentes a 62,15%.
Fora da Europa, Lula também venceu na Austrália, Arábia Saudita, Cingapura, China, Coreia do Sul, Egito, Kuwait, Malásia, Nova Zelândia e Quênia.
Na China, o petista recebeu 367 votos, ou 56,63%, enquanto Flávio teve 203, equivalentes a 31,33%.
Na Coreia do Sul, Lula chegou a 123 votos, contra 72 de Flávio, conforme os resultados apresentados na apuração. Em Cingapura, foram 190 votos para Lula, ou 54,60%, contra 92 para Flávio, que teve 26,44%.
Flávio Bolsonaro vence no Japão, Israel e Emirados Árabes
Flávio Bolsonaro apareceu à frente em oito países na parcial: Catar, Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Grécia, Israel, Japão, Tailândia e Taiwan.
O resultado mais expressivo em números absolutos foi registrado no Japão. Flávio teve 24.601 votos, contra 5.222 de Lula.
Em Israel, o senador recebeu 523 votos, correspondentes a 74,40%, enquanto Lula teve 92 votos, ou 13,09%.
Nos Emirados Árabes Unidos, Flávio somou 659 votos, equivalentes a 48,92%, contra 469 de Lula, que alcançou 34,82%.
No Catar, a disputa foi mais próxima: Flávio teve 173 votos, ou 48,45%, enquanto Lula recebeu 147, correspondentes a 41,17%.
Nas Filipinas, Flávio ficou com 53,23%, diante de 41,94% de Lula. Na Grécia, foram 46,65% para o senador e 39,75% para o presidente.
Taiwan também registrou vantagem de Flávio, com 107 votos, ou 48,86%, contra 77 de Lula, equivalente a 35,16%. Na Tailândia, Flávio teve 51 votos, 50% do total, enquanto Lula recebeu 40, ou 39,22%.
Quase 919 mil brasileiros estão aptos a votar no exterior
O crescimento do eleitorado brasileiro fora do país é um dos elementos que ajudam a explicar a dimensão da votação internacional em 2026.
O TSE registra 918.911 eleitores no exterior na atualização de setembro do painel estatístico, enquanto a comunicação oficial publicada no início de outubro informa 918.876 eleitores aptos. A pequena diferença decorre das datas de atualização das bases eleitorais.
Em comparação com 2022, houve crescimento de mais de 221 mil eleitores cadastrados fora do Brasil, uma alta de 31,82%.
Apesar desse crescimento, o eleitorado no exterior representa pouco mais de 0,5% do eleitorado brasileiro total. A diferença é que, fora do país, esses eleitores participam apenas da escolha para presidente e vice-presidente.
O TSE informa que o resultado da eleição presidencial no exterior pode ser acompanhado por meio do sistema oficial de divulgação de resultados, que permite consultar a totalização da votação. A divulgação oficial dos resultados começa a partir das 17h, no horário de Brasília.
A apuração internacional, portanto, ainda pode sofrer alterações enquanto os dados das diferentes localidades forem incorporados à totalização oficial.
Votação no exterior termina em horários diferentes por causa dos fusos
A diferença de horários é uma das principais particularidades da eleição brasileira fora do território nacional.
Enquanto brasileiros em determinadas regiões já tinham encerrado a votação e divulgado resultados locais, eleitores em países com outros fusos ainda estavam diante das urnas.
A regulamentação eleitoral determina que a votação e a apuração das seções instaladas no exterior observem o horário local.
Por isso, o mapa dos resultados internacionais é atualizado de forma progressiva. Países da Ásia e da Oceania aparecem primeiro, enquanto localidades mais próximas do continente americano encerram a votação posteriormente.
Além das diferenças de horário, o tamanho das comunidades brasileiras também produz cenários bastante distintos. Em países com poucos eleitores, diferenças de apenas algumas dezenas de votos podem determinar o resultado local. Já em países como Japão, Espanha e Portugal, o volume de brasileiros torna a votação numericamente mais relevante.
As imagens de filas e manifestações também ganharam espaço nas redes sociais durante o domingo. O material de apuração registra ainda a presença de apoiadores com camisetas, placas e faixas em locais de votação no exterior, onde a dinâmica eleitoral também está sujeita às regras e à fiscalização das autoridades locais.
Com o avanço da totalização oficial, os resultados por país podem ser atualizados. O cenário apresentado nesta reportagem corresponde à parcial disponível até o momento da publicação.




