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VOTAÇÃO

TSE: Nunes Marques diz que não há indicativo de interferência internacional nas eleições

Presidente do tribunal afirmou que não recebeu relatórios da PF ou da Abin que indiquem risco estrangeiro; Polícia Federal abriu procedimento preliminar sobre o tema

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TSE: Nunes Marques diz que não há indicativo de interferência internacional nas eleições
No balanço parcial do primeiro turno, Nunes Marques avaliou que o processo eleitoral ocorre de forma positiva em todo o país. Foto: Luiz Roberto/TSE

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou neste domingo (4) que não há, até o momento, indicação concreta de interferência internacional nas eleições brasileiras. A avaliação foi apresentada durante o balanço do primeiro turno, em Brasília, enquanto a Polícia Federal mantém uma apuração preliminar sobre a possibilidade de atuação externa no processo eleitoral.

Nunes Marques afirmou que as equipes responsáveis pelo monitoramento de riscos não identificaram ameaça estrangeira e disse que o tribunal não recebeu relatórios da Polícia Federal ou da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apontando esse tipo de situação.

Leia também: Governadores eleitos no primeiro turno em 2026: veja lista por estado

“Vamos falar do momento atual, até o momento, não temos nenhum indicativo concreto de interferência internacional”, declarou o presidente do TSE.

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A declaração se dá no mesmo dia em que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, confirmou que a corporação iniciou um procedimento para verificar a possibilidade de interferência externa. A apuração foi aberta depois de uma representação encaminhada pela Advocacia-Geral da União (AGU).

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TSE afirma que votação segue dentro da normalidade

No balanço parcial do primeiro turno, Nunes Marques avaliou que o processo eleitoral ocorre de forma positiva em todo o país. A estrutura preparada para a votação inclui mecanismos para enfrentar problemas que possam afetar o funcionamento das seções, como interrupções no fornecimento de energia.

Até o momento do balanço, 1.121 urnas haviam sido substituídas, o equivalente a 0,2% dos equipamentos utilizados na votação.

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“Em relação às seções eleitorais, tudo está funcionando normalmente, todas as urnas. Nós temos geradores e baterias suficientes para concluir todo o processo de votação e transmissão [dos resultados]”, disse.

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As chuvas fortes registradas no Paraná também foram mencionadas durante a entrevista. Segundo o ministro, parte dos eleitores deixou para procurar os locais de votação mais tarde em razão das condições climáticas, o que provocou concentração do movimento em determinados horários.

O tribunal também registrou filas em algumas seções, situação que Nunes Marques classificou como algo já observado em eleições anteriores.

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Polícia Federal abriu apuração preliminar

Enquanto o TSE afirma não ter identificado uma ameaça concreta, a Polícia Federal iniciou uma averiguação sobre a possibilidade de interferência estrangeira nas eleições.

Andrei Rodrigues explicou que o procedimento começou após a PF receber uma representação da Advocacia-Geral da União. O material foi encaminhado à Diretoria de Inteligência da corporação, responsável pela análise do caso.

O diretor-geral ressaltou que se trata de uma apuração em andamento. Por essa razão, ainda não havia sido publicada uma portaria formal de inquérito, embora as diligências já tivessem começado.

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A solicitação da AGU ocorreu depois de uma reportagem do jornal britânico The Guardian sobre a previsão de destinação de aproximadamente R$ 5,2 bilhões de um fundo do governo dos Estados Unidos para grupos brasileiros que fazem críticas ao Supremo Tribunal Federal e ao ministro Alexandre de Moraes.

Até o momento, a investigação da PF não havia confirmado uma atuação estrangeira sobre as eleições.

PF não identifica risco efetivo contra embaixadas

A possibilidade de ações contra representações diplomáticas também foi questionada durante as declarações deste domingo.

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Nunes Marques afirmou que o monitoramento realizado pelas equipes responsáveis por avaliar riscos não apontava ameaça contra embaixadas ou outros sinais de interferência internacional.

“Sobre embaixada: sempre que existe um acirramento, um país pode suspender as atividades diplomáticas. O nosso indicativo das equipes que monitoram riscos não apontam nenhum tipo de risco. Nós não temos nenhum relatório da PF, da Abin, que aponte nenhum tipo de risco. Não recebemos nenhum indicativo concreto”, afirmou.

Andrei Rodrigues também declarou que não havia sido identificado um plano contra representações diplomáticas estrangeiras.

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“Não comprovamos nenhum elemento concreto que nos apontasse algum risco efetivo contra qualquer embaixada. Os elementos colhidos ontem não indicam nada concreto, nenhum plano que a gente tenha identificado”, reforçou.

A avaliação apresentada pelo diretor-geral da PF se refere ao estágio atual da apuração e não representa o encerramento do procedimento aberto para verificar a possibilidade de interferência externa.

Plataformas digitais são citadas pelo presidente do TSE

Nunes Marques também atribuiu parte do cenário considerado positivo ao trabalho desenvolvido pela Justiça Eleitoral com empresas de tecnologia.

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O presidente do TSE afirmou que as medidas adotadas nos meses anteriores, incluindo o plano de conformidade e a adequação das plataformas à legislação brasileira, ajudaram a reduzir riscos relacionados ao ambiente digital.

O ministro destacou que a atuação conjunta buscou enfrentar problemas que poderiam atingir o processo eleitoral, especialmente aqueles relacionados à circulação de conteúdos nas plataformas.

Mais de R$ 380 mil foram apreendidos

O balanço apresentado pelo TSE também trouxe dados sobre ocorrências relacionadas a crimes eleitorais.

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Até o momento da divulgação dos números, R$ 380 mil em dinheiro haviam sido apreendidos durante operações ligadas às eleições. Além disso, 59 pessoas foram conduzidas a delegacias por suspeita de crimes eleitorais, sendo 25 delas detidas em flagrante.

Os serviços digitais da Justiça Eleitoral também tiveram grande utilização durante o período de votação.

Mais de 6 milhões de novas emissões do e-Título foram registradas, enquanto as consultas aos locais de votação ultrapassaram 15 milhões. O número de justificativas eleitorais passou de 3 milhões.

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O programa Seu Voto Importa também foi citado no balanço. Mais de 8 mil eleitores de áreas remotas foram transportados para os locais de votação.

Judicialização pode ocorrer após a votação

Outro tema abordado pelo presidente do TSE foi a possibilidade de candidatos recorrerem à Justiça depois do primeiro turno.

Nunes Marques afirmou que a judicialização de disputas eleitorais faz parte da prática brasileira, especialmente em situações que envolvem suspeitas de abuso de poder político ou econômico.

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Ao mesmo tempo, o ministro destacou a participação de diferentes instituições na preparação e na fiscalização do sistema eletrônico de votação.

A estrutura de acompanhamento envolve órgãos públicos, entidades da sociedade civil e empresas de tecnologia, além da própria Justiça Eleitoral.

Nunes Marques homenageia Cármen Lúcia

Durante o balanço, o presidente do TSE também atribuiu parte da preparação das eleições de 2026 ao trabalho iniciado por sua antecessora na presidência da Corte, ministra Cármen Lúcia.

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“Como vocês sabem, o dia de hoje só é possível em razão de uma longa preparação que antecede o período eleitoral. Antes de fazer um resumo, queria fazer uma homenagem, com justiça, à ministra Cármen Lúcia, que foi quem iniciou toda essa preparação para as eleições de 2026”, declarou.

Nunes Marques também mencionou os servidores da Justiça Eleitoral e dividiu com eles o resultado da organização do pleito.

“Teremos com certeza uma eleição exitosa, mas esse êxito também precisamos dividir com os servidores e com a ministra”, afirmou.

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