Mesmo sem a obrigação de votar, muitos eleitores com mais de 70 anos compareceram às urnas no primeiro turno das Eleições 2026, realizado em 4 de outubro. No Ceará, esse público integra um eleitorado com cerca de 1,48 milhão de pessoas com 60 anos ou mais, segundo os dados apresentados na reportagem.
Uma das eleitoras ouvidas contou que acompanhou os candidatos antes de fazer sua escolha. Para ela, conhecer as propostas e observar a atuação dos concorrentes foi importante para decidir o voto.
“Fiz a pesquisa e venho acompanhando os candidatos desde o primeiro dia, né? Para realmente saber se vale a pena, quem vale e quem não vale a pena”, relatou.
A votação foi concluída após um problema com a identificação biométrica. A eleitora explicou que a digital não funcionou inicialmente, mas conseguiu finalizar o procedimento com a ajuda de um profissional no local. Ela também levou uma anotação com os números dos candidatos, conhecida como “colinha”, para facilitar a votação.
“O meu foi rápido, só deu nó porque a minha digital não estava funcionando, mas, depois que ele ajeitou lá, deu certo”, contou.
Ceará tem cerca de 1,48 milhão de eleitores com 60 anos ou mais
O eleitorado cearense com 60 anos ou mais passou de aproximadamente 1,3 milhão de pessoas em 2022 para cerca de 1,48 milhão em 2026, conforme os números apresentados na reportagem. O crescimento acompanha uma tendência nacional de aumento da participação das faixas etárias mais velhas no cadastro eleitoral.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Brasil passou de 32,9 milhões de eleitores com 60 anos ou mais em 2022 para aproximadamente 37,5 milhões em 2026. Esse grupo corresponde a 23,6% do eleitorado nacional neste ano. Os dados estão disponíveis no levantamento oficial sobre o perfil do eleitorado brasileiro.
A participação desse público também envolve experiências de diferentes períodos da história política brasileira. Para a professora de Sociologia, Irlys Barreira, a memória de parte dessa geração contribui para a maneira como os eleitores avaliam as disputas e as instituições.
“É uma geração que viveu a ditadura. É uma geração que conhece a história do país. Então sabe o significado dessas eleições que nós estamos escolhendo, não só um candidato, mas um sistema, uma história, a história das instituições, a própria democracia”, destacou.
Pessoas com 60 anos ou mais têm direito a atendimento prioritário nos locais de votação. Eleitores com mais de 80 anos contam com prioridade sobre os demais grupos preferenciais, independentemente da ordem de chegada à seção eleitoral, conforme as regras da Justiça Eleitoral.
Quem tem mais de 70 anos é obrigado a votar?
O voto é facultativo para pessoas com mais de 70 anos, jovens de 16 e 17 anos e pessoas analfabetas. Para eleitores alfabetizados com idade entre 18 e 70 anos, o comparecimento é obrigatório, de acordo com as regras eleitorais.
A aposentada Tereza Mota defendeu a importância de participar da escolha dos representantes, mesmo diante das dificuldades que observa no país.
“A pessoa tem de votar para ajudar o país, para ver se as coisas melhoram, porque o jeito que está, está muito ruim”, afirmou.
A decisão de comparecer às urnas, portanto, pode partir tanto do cumprimento da obrigação eleitoral quanto da vontade de participar da escolha dos representantes. Para quem já não é obrigado a votar, a participação continua sendo um direito.
Quem não votou no primeiro turno pode participar do segundo
O segundo turno das Eleições 2026 está marcado para 25 de outubro. Quem não compareceu à votação de 4 de outubro poderá votar nessa nova etapa, desde que esteja com a situação regular perante a Justiça Eleitoral.
O TSE considera cada turno uma eleição independente. Por isso, a ausência no primeiro não impede a participação no segundo, conforme explica o tribunal em sua orientação sobre a votação de 25 de outubro.
A professora Irlys Barreira avalia que a presença dos eleitores mais velhos pode continuar na próxima votação e destaca a importância de incentivar a participação desse público.
“Teremos um público repetindo sua votação e não só repetindo, como ampliando a sua votação. Eu acho que temos que fazer esse processo, valorizar, incentivar a ideia de que essas pessoas podem definir uma história importante do país”, pontuou.
Votar também pode valer como prova de vida do INSS
Além do exercício do direito político, o comparecimento às urnas pode contribuir para a comprovação de vida de aposentados, pensionistas e outros beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O instituto informa que o comparecimento eleitoral pode ser utilizado na verificação automática da prova de vida por meio do cruzamento de dados com a Justiça Eleitoral. A medida integra os procedimentos usados para confirmar que o titular continua vivo e permitir a manutenção regular dos pagamentos previdenciários e assistenciais.
De acordo com o INSS, o procedimento não depende exclusivamente da votação: outras informações de bases oficiais também podem ser utilizadas na verificação. Por isso, votar não substitui todas as demais formas de comprovação nem garante, isoladamente, que a situação de cada beneficiário esteja regularizada.



