A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pouco depois das 11h desta quinta-feira (22), a autorização para a abertura de sigilos do petista e de familiares, após o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário na disputa presidencial, aceitar o desafio com condições adicionais. O ex-ministro Camilo Santana afirmou que Lula concordou com as exigências apresentadas pelo parlamentar e cobrou que ele também cumpra o compromisso antes do segundo turno, marcado para domingo (25).
Camilo esteve no TSE acompanhado de advogados da campanha e do deputado federal Guilherme Boulos. Na noite de quarta-feira (21), o coordenador da campanha petista havia anunciado que o presidente não se opunha às condições estabelecidas por Flávio. A equipe de Lula também pediu que o senador comparecesse ao tribunal para apresentar sua autorização.
A disputa começou no debate entre os dois candidatos, no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a abrir os sigilos bancário e telefônico. O presidente afirmou que autorizaria o acesso aos próprios dados e aos de sua esposa e filhos caso o adversário fizesse o mesmo. Na ocasião, Lula declarou que a medida permitiria esclarecer “quem é honesto e quem é ladrão”.
Na terça-feira (20), Lula foi ao TSE e apresentou um requerimento autorizando a divulgação de seus dados. Depois, aguardou uma resposta de Flávio, que aceitou a proposta, mas pediu que o procedimento abrangesse outras pessoas e informações.
Quais condições Flávio Bolsonaro apresentou?
Flávio afirmou que aceita abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, desde que Lula amplie o alcance da medida. Entre as exigências do senador estão a divulgação de informações sobre mandatos anteriores do presidente, negócios no exterior, uso do cartão corporativo e dados do Instituto Lula.
O candidato do PL também pediu que fossem incluídos os dados de familiares e de pessoas que, segundo ele, poderiam ter informações relevantes fora das contas diretamente vinculadas ao presidente. Entre os nomes citados estão Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e ex-chefe de gabinete de Lula; José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente; e a empresária Roberta Luchsinger. No caso de Roberta, Flávio solicitou que fossem tornados públicos os registros de entrada dela no Palácio do Planalto.
Ao justificar as condições, o senador alegou que a autorização apresentada inicialmente por Lula não alcançaria informações que poderiam estar registradas em nome de terceiros, e não nas contas diretamente vinculadas ao presidente. Flávio também afirmou que aceitaria liberar dados do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e dos irmãos.
Camilo disse que Lula concordou com as condições e voltou a cobrar uma resposta do adversário no mesmo prazo. “Todas as condicionantes que ele [Flávio] colocou, a resposta do presidente é que ele não se opõe a absolutamente nada do que ele está propondo. Contanto que ele também cumpra e abra tudo que está no pedido protocolado junto ao TSE.”
Na quinta-feira, Camilo afirmou que a campanha petista compareceria ao tribunal para formalizar a resposta e que Flávio deveria fazer o mesmo até as 11h. “É o prazo que ele vai ter para estar lá e abrir todo seu sigilo bancário e telefônico. Não pode deixar pra depois da eleição. O prazo é amanhã”, declarou na véspera.
Em publicação nas redes sociais, Lula também convocou o senador para comparecer ao TSE. “Desafio aceito, Flávio Bolsonaro. Amanhã às 11h, esperamos você no TSE para abertura total do sigilo. O Brasil merece saber a verdade”, escreveu o presidente.
A abertura de sigilos depende de autorização legal para que a Justiça e investigadores tenham acesso a informações normalmente privadas, como extratos bancários, declarações de impostos e registros de ligações telefônicas. O protocolo de uma autorização, por si só, não significa que todos os dados já tenham sido divulgados.
Flávio esteve em Fortaleza e atacou Lula e o PT
Na quarta-feira (21), Flávio Bolsonaro participou de um ato de campanha em Fortaleza, depois de a equipe de Lula anunciar que aceitava as condições para a abertura dos sigilos. Durante cerca de sete minutos de discurso, feito sobre um carro de som ao lado do deputado federal André Fernandes (PL), o senador não mencionou o assunto.
A quatro dias do segundo turno, Flávio concentrou a fala em críticas ao presidente e ao PT. O candidato afirmou que pretende “aposentar o Lula” no domingo e contestou o que classificou como notícias falsas divulgadas pela campanha adversária, incluindo afirmações de que acabaria com o Bolsa Família e retiraria direitos de aposentados.
O senador também fez um aceno ao público LGBT e declarou que, em um eventual governo dele, homossexuais “vão prosperar como todo cidadão brasileiro”.
Na área da segurança pública, prometeu que integrantes de facções criminosas “vão ser presos ou vão ser neutralizados pela polícia”. Ele defendeu ainda que adolescentes que cometem crimes respondam como adultos, voltou a apoiar a castração química para condenados por estupro e abuso de crianças e propôs permitir que jovens a partir dos 16 anos tirem carteira de motorista.
Flávio citou o pai, Jair Bolsonaro, e afirmou que o ex-presidente está proibido de conceder entrevistas. Para esta quinta-feira (22), o senador tinha compromissos em Brasília, mas não havia agenda pública de campanha prevista.




