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DEPUTADO

Eleições 2026: Nikolas chama prorrogação da votação de “golpe” e critica decisão

Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato criticaram a prorrogação determinada por Cristiano Zanin e levantaram suspeitas de favorecimento político; denúncias sobre a circulação de ônibus foram registradas em Salvador e em outras cidades

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Eleições 2026: Nikolas chama prorrogação da votação de “golpe” e critica decisão
Nikolas comparou a situação à de um time que, diante da possibilidade de perder, tenta mudar o resultado fora do campo. Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de estender o horário de votação do segundo turno das eleições de 2026 até as 19h provocou críticas de parlamentares aliados a Flávio Bolsonaro (PL). O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que a medida poderia ser usada para construir uma narrativa de fraude eleitoral, enquanto Lucas Pavanato (PL-SP) declarou que os apoiadores de seu grupo político deveriam permanecer atentos a possíveis irregularidades.

Nikolas publicou um vídeo nas redes sociais em que questionou o momento em que a decisão foi anunciada e acusou o PT de tentar reverter uma eventual derrota de Lula por meio de medidas judiciais. O parlamentar também afirmou acreditar na vitória de Flávio Bolsonaro e disse que, caso o resultado fosse favorável ao presidente, a ampliação do prazo poderia beneficiar a campanha petista.

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Na gravação, Nikolas comparou a situação à de um time que, diante da possibilidade de perder, tenta mudar o resultado fora do campo. Ele sustentou que a prorrogação poderia criar uma “narrativa de golpe” e afirmou que pretende apresentar um novo pedido de impeachment contra Zanin em 2027. O deputado já havia criticado o ministro, a quem chamou de “ex-advogado do Lula”.

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Lucas Pavanato também divulgou um vídeo sobre a decisão. O parlamentar afirmou que não aceitaria uma possível tentativa de golpe e pediu atenção dos apoiadores diante dos desdobramentos da votação. As declarações dos dois deputados levantaram suspeitas de favorecimento político, mas as acusações sobre a motivação da decisão foram apresentadas por eles, sem comprovação nos fatos citados.

O senador eleito Marcel van Hattem (Novo-RS) se manifestou na mesma linha e cobrou uma reação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques. Van Hattem pediu que o magistrado adotasse providências contra Zanin, usando a expressão “enquadrar” para se referir à atuação do ministro do Supremo.

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Campanhas de Lula e Flávio pediram mais tempo para votar

A ampliação do horário de votação ocorreu após solicitações feitas pelas duas campanhas presidenciais. A equipe de Flávio Bolsonaro recorreu à Justiça Eleitoral para pedir mais tempo em municípios de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde fortes chuvas afetaram a circulação e as condições de deslocamento.

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Já a campanha de Lula apontou problemas no transporte público em cidades de diferentes regiões do país. A petição citou localidades do Piauí, da Paraíba, do Paraná, do Pará, do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Alagoas, de Pernambuco, de Roraima e da Bahia. A alegação era de que a redução ou a interrupção da oferta de ônibus poderia dificultar o acesso de eleitores às seções eleitorais.

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Zanin determinou inicialmente que o encerramento da votação fosse prorrogado até as 19h, no horário de Brasília, em todo o país. A ordem foi tomada após o ministro receber informações sobre dificuldades no transporte de eleitores.

A decisão provocou dúvidas sobre a aplicação da medida porque parte das seções já havia encerrado os trabalhos às 17h, horário oficial de fechamento das urnas. Posteriormente, Zanin esclareceu que a extensão deveria valer apenas nos locais em que as urnas ainda não tivessem sido fechadas. Os votos das seções já encerradas seriam totalizados normalmente.

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Na sequência, Nunes Marques orientou os tribunais regionais eleitorais a manter em funcionamento até as 19h as seções que ainda estivessem abertas, em cumprimento à determinação judicial.

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Denúncias sobre ônibus em Salvador

As declarações de Nikolas sobre as dificuldades de transporte na Bahia ocorreram em meio a denúncias de eleitores que relataram problemas para chegar aos locais de votação em Salvador. O deputado afirmou que apoiadores do PT teriam criado uma narrativa sobre impedimentos ao voto por falta de ônibus.

Os registros sobre a circulação de coletivos, porém, incluíram fiscalizações e decisões de autoridades públicas. Na capital baiana, o Procon estadual informou ter encontrado 370 ônibus parados em quatro garagens durante uma das etapas da fiscalização realizada no domingo. A verificação ocorreu após denúncias de bloqueio na saída dos veículos. Em atualização posterior, o governo estadual informou que o número de ônibus parados identificados em nove garagens chegou a 944.

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A Secretaria Municipal de Mobilidade de Salvador confirmou que pelo menos 75 ônibus haviam sido impedidos de sair das garagens, segundo as informações divulgadas. O prefeito Bruno Reis (União Brasil) atribuiu o atraso à atuação de sindicalistas que, conforme sua versão, teriam ido às garagens e colocado adesivos do PT nos veículos. A alegação do prefeito foi apresentada como justificativa para o ocorrido.

Diante das reclamações, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou o restabelecimento da frota integral do transporte público da cidade, com frequência equivalente à dos dias úteis. A decisão também incluiu um pedido à Polícia Federal para prender o secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, que estava em Paris naquele domingo. A medida judicial e o pedido de prisão não equivalem, por si só, a uma condenação do secretário.

Problemas de transporte também foram relatados em São Paulo, Maceió, Belém e Recife. Na capital paulista, uma denúncia apontou que apenas 60% da frota prevista estaria circulando, apesar de uma decisão judicial de sábado (24) determinar a operação de todos os veículos em níveis semelhantes aos de dias úteis.

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Pedido ao TSE antecedeu decisão do Supremo

Antes da ordem de Zanin, a campanha de Lula havia acionado o TSE para relatar as dificuldades de deslocamento e solicitar a extensão do horário de votação. O tribunal informou que analisaria o pedido, mas não havia anunciado uma decisão sobre a prorrogação até o encerramento previsto para as 17h.

Às 16h07, Nunes Marques concedeu prazo de 30 minutos para que o TRE-BA apresentasse informações sobre a situação do transporte público por ônibus em Salvador. Segundo as informações fornecidas sobre a sequência dos acontecimentos, não houve decisão dentro desse intervalo. Zanin, então, determinou a ampliação do horário.

O ministro do STF esclareceu posteriormente que tanto a campanha de Lula quanto a de Flávio Bolsonaro haviam alegado dificuldades no transporte de eleitores, embora os pedidos das candidaturas apontassem situações diferentes. A medida inicial, que previa a prorrogação nacional, foi ajustada para evitar a reabertura de seções que já haviam encerrado a votação.

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