O deputado federal André Fernandes (PL-CE) afirmou que não vai questionar o resultado das eleições presidenciais de 2026 e reconheceu que "muita gente" escolheu Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no segundo turno realizado no domingo (25). Em vídeo publicado nas redes sociais nesta terça-feira (27), o parlamentar disse que não pretende falar sobre urnas ou golpe e atribuiu a escolha de parte dos eleitores a promessas que, na avaliação dele, não serão cumpridas.
“Eu não vou aqui falar sobre urna, eu não vou aqui falar sobre golpe, eu não vou falar sobre isso. Porque eu sei que muita gente votou sim no Lula. Porque acreditou em mentiras, porque acreditou em promessas vazias que não serão cumpridas”, declarou.
André Fernandes havia apoiado o senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula na disputa presidencial. O deputado participou de atividades de campanha durante o segundo turno e agradeceu aos apoiadores que estiveram com ele nas ruas. O parlamentar também recordou que, após o primeiro turno, agradeceu nas redes sociais por ter sido eleito deputado federal mais votado da história do Nordeste.
Ao comentar o resultado da eleição, Fernandes afirmou que pretende continuar na oposição ao governo federal e pediu que seus apoiadores mantenham a participação política. “Nos resta fazer o quê? Bater a poeira do corpo e continuar”, disse.
André Fernandes pede união após derrota de Flávio Bolsonaro
No vídeo, o deputado afirmou que não pretende transformar a derrota eleitoral em motivo para brigas ou retaliações. Ele também pediu que os eleitores de Lula no Ceará não o vejam como inimigo por causa de suas posições políticas.
“Mas até lá, eu quero que você, que votou no Lula, que é daqui do Ceará, entenda uma coisa: eu não sou seu inimigo, Eu não sou seu adversário. Eu faço oposição ao Lula, faço oposição ao PT, porque eu acredito que eles não têm ajudado o povo, não têm lutado pra melhorar a vida do povo do jeito que o povo merece, mas eu faço oposição a eles e não a você.”
Fernandes afirmou que espera que as gestões do presidente Lula e do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), tenham bons resultados, embora tenha dito acreditar que isso dificilmente ocorrerá. Ele justificou a atuação na oposição como uma forma de cobrar políticas públicas que melhorem as condições de vida da população.
“A hora não é de brigar, a hora não é de revanchismo”, afirmou o deputado, ao pedir que os apoiadores não desistam do Ceará, do Nordeste e do Brasil.
Deputado critica cenário político do Ceará
André Fernandes também avaliou que o grupo político que já ocupa cargos de poder no Ceará saiu fortalecido da eleição. Ele cita que o PT e aliados hoje têm a Prefeitura de Fortaleza, o Governo do Estado, as três vagas do Ceará no Senado, a Presidência da Assembleia Legislativa e a Presidência da República.
O parlamentar afirmou que pretende continuar atuando politicamente no estado e no Congresso Nacional. Ele também pediu que a população acompanhe indicadores de violência e desemprego e cobre o cumprimento das promessas de campanha.
“Quando aparecer mais um ranking nacional, com as cidades mais violentas do Brasil sendo daqui do Ceará, nós vamos chorar juntos. Quando o índice de desemprego aumentar, nós vamos chorar juntos. Quando as promessas não forem cumpridas, nós vamos chorar juntos.”
Flávio Bolsonaro contestou resultado e anunciou pedido de anulação
A posição de André Fernandes contrasta com a manifestação de Flávio Bolsonaro após a derrota para Lula no segundo turno de domingo (25). Em pronunciamento realizado em Brasília naquela noite, o senador afirmou que não reconheceria o resultado das urnas e anunciou que acionaria a Justiça para pedir a anulação da eleição.
Flávio concentrou as críticas na decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou por até duas horas o horário de votação em seções que ainda estavam abertas. Com a medida, o encerramento nesses locais passou para as 19h.
O senador alegou que a decisão criou condições diferentes para eleitores de cidades e estados. Ele afirmou que a manutenção de algumas seções abertas, enquanto outras já haviam encerrado a votação, dificultaria avaliar quantos votos poderia ter recebido caso a medida tivesse sido aplicada de maneira uniforme.
“É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Vamos usar nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”, declarou Flávio, em fala reproduzida pela Agência Brasil.
A prorrogação ocorreu após solicitações das campanhas dos dois candidatos, que apontaram dificuldades de deslocamento para os eleitores. A equipe de Lula pediu a ampliação do horário em todo o país, citando problemas na circulação do transporte público, especialmente em cidades da Bahia.
PL reconhece reeleição de Lula e diverge de Flávio
O Partido Liberal, legenda de Flávio Bolsonaro e André Fernandes, reconheceu na segunda-feira (26) o resultado da eleição presidencial que garantiu a reeleição de Lula. A posição foi divulgada em nota assinada pelo presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto.
O partido, entretanto, cobrou esclarecimentos sobre questionamentos levantados durante o processo eleitoral. Na manifestação, Valdemar afirmou que a legenda continuará acompanhando os acontecimentos e buscará respostas para os pontos que considera necessário esclarecer.
A nota também defendeu que eventuais questionamentos sejam tratados em um ambiente de debate político democrático, com transparência e respeito às instituições. O documento não detalhou quais medidas judiciais o partido pretende adotar nem apresentou uma lista de irregularidades comprovadas que justificassem uma eventual contestação do resultado.
O posicionamento da direção do PL divergiu da manifestação individual de Flávio, que afirmou pretender recorrer à Justiça para contestar o resultado e pedir a anulação do pleito.




