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COMEMORAÇÃO

Lula completa 81 anos nesta terça-feira (27); conheça a trajetória do presidente da República

Da infância marcada por dificuldades financeiras no interior de Pernambuco à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva construiu uma carreira ligada ao movimento sindical, às políticas sociais e a disputas que marcaram a história.

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Lula completa 81 anos nesta terça-feira (27); conheça a trajetória do presidente da República
Lula completa 81 anos nesta terça-feira (27), dois dias após conquistar o quarto mandato presidencial. (Foto: Reprodução)


Luiz Inácio Lula da Silva completa 81 anos nesta terça-feira (27), dois dias depois de vencer o segundo turno das Eleições 2026 e garantir mais um mandato na Presidência da República. Nascido em Pernambuco, o petista percorreu um caminho que começou no trabalho ainda na infância, passou pela indústria metalúrgica e pelo movimento sindical e chegou ao centro das principais disputas políticas do país.

Leia também: Prefeito de Nova York parabeniza Lula após vitória nas eleições de 2026

A trajetória de Lula acompanha diferentes momentos da história brasileira, da ditadura militar à redemocratização, da criação do Partido dos Trabalhadores (PT) à chegada de um ex-metalúrgico ao Palácio do Planalto. Seus governos também ficaram marcados por programas de transferência de renda, iniciativas de combate à fome, expansão do ensino superior e investimentos em infraestrutura.

Ao longo da carreira, Lula enfrentou derrotas eleitorais, crises políticas, investigações judiciais e um período de prisão que o afastou da disputa presidencial de 2018. Em 2021, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) anularam condenações que impediam sua candidatura e restituíram seus direitos políticos.

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A vitória de 25 de outubro de 2026 acrescentou um novo capítulo a essa história. Lula foi eleito presidente pela quarta vez, após vencer as disputas de 2002, 2006 e 2022. Ele assumirá o novo mandato em janeiro de 2027 e, se permanecer no cargo até o fim do período, deixará a Presidência aos 85 anos.

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Infância em Pernambuco e mudança para São Paulo

Lula nasceu em 27 de outubro de 1945, em Pernambuco, em uma família numerosa e com dificuldades financeiras. Filho de Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Mello, conhecida como dona Lindu, cresceu em um contexto no qual a busca por trabalho e melhores condições de vida levou parte da família a deixar o Nordeste.

Em 1952, ainda criança, mudou-se com a mãe e os irmãos para o estado de São Paulo. A viagem ocorreu em um caminhão conhecido como pau de arara, meio de transporte utilizado por famílias que migravam em busca de oportunidades. Depois de passar pelo litoral paulista, a família se estabeleceu na capital.

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Na cidade de São Paulo, Lula começou a trabalhar cedo para ajudar no sustento doméstico. Entre as atividades que exerceu estavam as de engraxate, auxiliar em tinturaria e office-boy. Aos 14 anos, ingressou no mercado de trabalho formal e iniciou sua formação profissional no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), onde se qualificou como torneiro mecânico.

A profissão o levou ao setor metalúrgico, especialmente à região do ABC Paulista, que se tornaria o principal cenário de sua atuação sindical. O contato diário com operários e reivindicações por melhores salários, condições de trabalho e direitos trabalhistas abriu caminho para sua entrada na vida pública.

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Do chão de fábrica à liderança sindical

Lula iniciou sua participação no movimento sindical no fim da década de 1960. Em 1969, foi eleito suplente da diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Depois de ocupar outras funções na entidade, assumiu sua presidência em 1975.

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O período foi marcado pela ditadura militar, iniciada em 1964, e por restrições à organização política e sindical. No fim da década de 1970, Lula ganhou projeção ao liderar greves de metalúrgicos que reivindicavam reajustes salariais e melhores condições de trabalho.

As mobilizações reuniram milhares de trabalhadores e colocaram o movimento sindical do ABC entre os principais focos de contestação ao regime. Em 1980, durante uma nova onda de paralisações, Lula e outros dirigentes foram presos com base na Lei de Segurança Nacional. Ele permaneceu detido por 31 dias.

A experiência consolidou sua imagem como uma das principais lideranças do chamado novo sindicalismo, que defendia maior autonomia para os sindicatos e participação dos trabalhadores nas decisões políticas. A atuação nas fábricas e nas greves se tornou a base para a entrada de Lula na disputa eleitoral.

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Fundação do PT e participação na redemocratização

Em 10 de fevereiro de 1980, Lula participou da fundação do Partido dos Trabalhadores, ao lado de sindicalistas, intelectuais, representantes de movimentos sociais e lideranças de outros setores. A proposta era criar uma organização política com participação dos trabalhadores e de grupos populares.

Em 1982, Lula disputou o governo de São Paulo, mas terminou a eleição na quarta colocação. No ano seguinte, participou da criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que se tornou uma das principais organizações sindicais brasileiras.

A atuação política também incluiu a campanha Diretas Já, movimento que mobilizou milhões de pessoas em defesa da eleição direta para presidente da República. Embora a proposta não tenha sido aprovada em 1984, a mobilização se tornou um marco da luta pela redemocratização.

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Em 1986, Lula foi eleito deputado federal constituinte por São Paulo, com a maior votação individual do país naquele pleito. Como integrante da Assembleia Nacional Constituinte, participou dos debates que culminaram na Constituição de 1988, responsável por reorganizar as instituições democráticas e estabelecer garantias de direitos políticos, sociais e trabalhistas.

As primeiras candidaturas à Presidência

A primeira disputa presidencial de Lula ocorreu em 1989, na eleição direta realizada após quase três décadas sem votação popular para o cargo. Ele chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Fernando Collor de Mello. O petista voltou a concorrer em 1994 e 1998, quando perdeu para Fernando Henrique Cardoso. As três derrotas consecutivas antecederam a vitória de 2002, quando Lula ampliou as alianças políticas e conquistou a Presidência ao derrotar José Serra (PSDB) no segundo turno.

A vitória marcou a chegada de um ex-operário ao comando do governo federal e abriu uma nova fase de sua trajetória. Lula foi reeleito em 2006, derrotando Geraldo Alckmin, que anos depois se tornaria seu vice-presidente. A sequência de disputas presidenciais foi interrompida em 2018, quando Lula teve a candidatura barrada após condenação judicial e foi substituído por Fernando Haddad na disputa. Em 2022, voltou a concorrer e venceu Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno. Em 2026, conquistou o quarto mandato ao derrotar Flávio Bolsonaro (PL).

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Primeiro mandato: combate à fome e ampliação da renda

Lula assumiu a Presidência em 1º de janeiro de 2003. Entre as prioridades do governo estavam o combate à fome, a redução da pobreza e a ampliação do acesso a serviços públicos. O programa Fome Zero reuniu iniciativas voltadas à segurança alimentar e ao atendimento de famílias em situação de vulnerabilidade.

Em 2003, o governo criou o Bolsa Família, que unificou programas federais de transferência de renda e passou a atender famílias de baixa renda com benefícios condicionados ao cumprimento de compromissos nas áreas de saúde e educação. Ao longo dos anos, o programa se tornou uma das principais políticas sociais do país.

Outras iniciativas buscaram fortalecer a agricultura familiar, ampliar o acesso à energia elétrica e melhorar as condições de vida em áreas rurais. O programa Luz para Todos, lançado em 2003, tinha como objetivo levar eletricidade a comunidades que ainda não contavam com atendimento regular.

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Na economia, os primeiros dois mandatos foram marcados por crescimento, expansão do emprego formal, aumento do consumo e valorização real do salário mínimo. O cenário internacional favorável, a demanda por commodities e as decisões de política econômica contribuíram para os resultados, embora os efeitos de cada fator sejam objeto de diferentes avaliações.

Em 2005, o governo enfrentou uma crise política provocada por denúncias de pagamento de recursos a parlamentares em troca de apoio político, episódio conhecido como mensalão. O caso gerou investigações parlamentares e processos judiciais, além de atingir integrantes do governo e do PT. A crise marcou o debate sobre a relação entre o Executivo e o Congresso, mas Lula concluiu o mandato.

Segundo mandato: educação, habitação e infraestrutura

Reeleito em 2006, Lula iniciou o segundo mandato em janeiro de 2007. Uma das principais iniciativas foi o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado para organizar investimentos em infraestrutura, energia, transportes, saneamento e habitação.

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Na educação, o governo ampliou a rede federal de ensino superior, com novas universidades e campi. O Programa Universidade para Todos (ProUni), criado em 2004, passou a oferecer bolsas em instituições privadas a estudantes que atendiam aos critérios estabelecidos. A expansão do financiamento estudantil e da rede federal também integrou as políticas de acesso ao ensino superior.

Em 2009, foi lançado o Minha Casa, Minha Vida, programa habitacional voltado à ampliação do acesso à moradia, com subsídios e financiamento para diferentes faixas de renda.

O governo também precisou responder à crise financeira internacional de 2008. Entre as medidas adotadas estavam ações para estimular o crédito, o consumo e a atividade econômica. O Brasil registrou desaceleração e retração econômica em 2009, seguida de forte recuperação em 2010.

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Ao fim do segundo mandato, Lula deixou a Presidência com índices elevados de aprovação em pesquisas de opinião. A candidata apoiada por ele, Dilma Rousseff (PT), venceu a eleição de 2010 e assumiu o cargo em janeiro de 2011.

Prisão, decisões do STF e retorno à disputa eleitoral

Depois de deixar o Planalto, Lula continuou atuando na política nacional. A partir de 2014, passou a ser investigado no contexto da Operação Lava Jato, que apurou esquemas de corrupção envolvendo contratos públicos, empreiteiras e a Petrobras.

Em 2017, foi condenado no processo relacionado ao tríplex do Guarujá. A condenação foi confirmada em segunda instância e, em abril de 2018, Lula foi preso. Ele permaneceu detido por 580 dias e não pôde disputar a eleição presidencial daquele ano.

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Em março de 2021, o ministro Edson Fachin, do STF, anulou condenações de Lula por entender que a Justiça Federal de Curitiba não tinha competência para julgar aqueles casos. Em abril do mesmo ano, o plenário da Corte manteve a decisão. Separadamente, o STF confirmou o reconhecimento da parcialidade do então juiz Sergio Moro no processo do tríplex.

As decisões restituíram os direitos políticos de Lula e permitiram que ele voltasse a disputar cargos eletivos. A anulação por incompetência judicial e o reconhecimento da parcialidade no caso específico têm fundamentos jurídicos próprios e não devem ser confundidos com uma declaração geral sobre todos os fatos investigados.

Terceiro governo retoma programas sociais

Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro no segundo turno e voltou à Presidência em janeiro de 2023. Foi a primeira vez que um presidente brasileiro retornou ao cargo após dois mandatos não consecutivos e, com a eleição de 2026, tornou-se o primeiro a conquistar quatro vitórias presidenciais.

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Entre as prioridades do terceiro governo estavam a retomada de políticas sociais, o combate à fome, a recuperação de investimentos públicos e a reestruturação de programas que haviam passado por mudanças nos anos anteriores.

O Bolsa Família foi relançado em 2023, com alterações nos valores e benefícios adicionais conforme a composição das famílias. O governo também lançou o Plano Brasil Sem Fome, que reúne ações de transferência de renda, alimentação, assistência social e apoio à produção de alimentos.

Na educação, o programa Pé-de-Meia passou a oferecer incentivo financeiro a estudantes do ensino médio público, com o objetivo de reduzir a evasão escolar. Na infraestrutura, o Novo PAC reuniu projetos nas áreas de transporte, energia, saneamento, habitação e outros setores.

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O Minha Casa, Minha Vida também foi retomado em 2023. A agenda do terceiro mandato incluiu iniciativas de saúde e ações voltadas à segurança alimentar, ao mesmo tempo que o governo enfrentou debates sobre orçamento, política fiscal, segurança pública, meio ambiente e execução de investimentos.

Em 2025, o governo federal informou que o Brasil havia saído novamente do Mapa da Fome. A evolução dos indicadores de segurança alimentar passou a integrar a avaliação das políticas de renda e de proteção social, embora os resultados também dependam de fatores econômicos e sociais mais amplos.

Lula completa 81 anos após conquistar o quarto mandato

A vitória de 25 de outubro de 2026 acrescentou um novo capítulo à trajetória do presidente. Lula foi eleito em 2002, 2006, 2022 e 2026, depois de três derrotas consecutivas nas disputas presidenciais de 1989, 1994 e 1998. O novo mandato começará em 5 de janeiro de 2027, conforme a data de posse estabelecida para o presidente eleito. Caso permaneça no cargo até o fim do período, Lula deixará a Presidência em 2031, aos 85 anos.

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A trajetória do presidente reúne a atuação sindical durante a ditadura, a participação na redemocratização, a criação do PT, a implantação e a expansão de programas sociais, além de crises políticas e processos judiciais que marcaram sua carreira. O quarto mandato dará continuidade a uma trajetória política iniciada nas fábricas do ABC Paulista e que atravessou mais de quatro décadas de disputas eleitorais e transformações no país.


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