O medo de injeções, vacinas e procedimentos médicos pode fazer com que uma consulta pediátrica se transforme em um momento de ansiedade para crianças e familiares. A maneira como os pais preparam os filhos para a visita ao consultório e a forma como os profissionais conduzem o atendimento podem ajudar a tornar a experiência mais tranquila.
O neuropediatra André Cabral explica à TV Cidade Fortaleza que a associação entre médico e procedimentos dolorosos pode começar antes mesmo de a criança chegar à consulta. Por isso, a orientação é evitar que a ida ao consultório seja apresentada como uma ameaça e criar uma relação de confiança entre a família e o médico.
“Às vezes a criança já tem um medo, porque foi pré-estabelecido que 'vou te levar para o médico' leva à questão da injeção, de que vai ter uma vacina... Relacionado a consulta à vacina. Então é muito importante que os pais estabeleçam um ambiente de paz, reduzindo a ansiedade e aumentando esse vínculo com o médico.”
A preparação começa em casa. Explicar por que a consulta é necessária, conversar com a criança e respeitar o tempo dela são atitudes que podem diminuir a resistência. Transformar a ida ao médico em castigo ou usar ameaças para conseguir a colaboração dos pequenos pode aumentar a insegurança.
Outro ponto importante é a postura dos próprios responsáveis. Crianças observam as reações dos adultos e podem perceber quando eles estão tensos ou preocupados. Esse comportamento influencia a forma como os pequenos lidam com a consulta, inclusive durante a realização de exames.
Cabral destaca que os pais podem contribuir para a tranquilidade dos filhos ao demonstrar segurança durante o atendimento:
“A criança vai fazer uma checagem, então ela vai olhar para os pais e ver como que eles estão naquele momento. Então imagine que na consulta, numa coleta de exames, eu tô ansioso. O meu filho vai ficar ansioso por isso. Agora imagine que ele olha e vê um semblante tranquilo. Isso tende a tranquilizar a criança. O médico também.”
Ambiente acolhedor pode facilitar a consulta
Além da preparação feita pela família, a recepção da criança no consultório também influencia a experiência. Conversar com paciência, permitir que ela conheça o espaço e respeitar o tempo necessário para se sentir segura são medidas que podem facilitar o atendimento.
Em uma clínica pediátrica inaugurada em um shopping de Fortaleza, a proposta é oferecer um ambiente humanizado em uma área de 475 metros quadrados. O espaço foi planejado para que crianças, pais e profissionais possam interagir com mais tranquilidade durante as consultas.
A médica pediátrica Mariana Lima de Sousa explica que a organização do ambiente permite que a criança circule pela sala enquanto a família conversa com o profissional:
“Não só a criança está à vontade para circular pela sala, como a gente, pais e médicos, também consegue ter essa conversa mais tranquila, sabendo que aquela criança está em segurança.”
A possibilidade de explorar o ambiente e se familiarizar com o espaço pode ajudar especialmente as crianças que apresentam maior dificuldade durante as consultas. Nesses casos, a paciência dos profissionais e o respeito às necessidades de cada paciente são importantes para que o atendimento ocorra com segurança.
Consultas de rotina são importantes mesmo quando a criança não adoece
O acompanhamento pediátrico não deve ocorrer apenas quando a criança apresenta sintomas. As consultas de rotina permitem observar o crescimento, avaliar o desenvolvimento e acompanhar as mudanças próprias de cada fase da vida.
A frequência do contato com o médico também contribui para a construção de uma relação de confiança. Esse vínculo pode facilitar a comunicação durante a infância e continuar sendo importante na puberdade e na adolescência, quando surgem questões que nem sempre os jovens se sentem confortáveis para discutir com os próprios pais.
Mariana Lima de Sousa ressalta que as consultas periódicas permitem acompanhar a evolução da criança e estabelecer uma relação que pode durar até a adolescência:
“A gente vai formando um vínculo, que é essa criança com a sua família, um vínculo de confiança. A gente tem que lembrar que é nessas consultas onde a gente vai ver se ela está se desenvolvendo bem, se ela está crescendo bem. Tem a questão da fase da puberdade, depois a adolescência, onde essa menina ou menino vai se sentir à vontade para fazer falar com o médico ou com a sua médica sobre alguma questão, porque às vezes nem com o pai a criança tem essa abertura para falar. Então é muito importante que a gente construa no decorrer da vida dessa criança um vínculo com o médico.”
A continuidade desse acompanhamento permite que o profissional observe o desenvolvimento físico e as necessidades de saúde ao longo dos anos. Por isso, mesmo quando a criança cresce e passa longos períodos sem adoecer, as consultas preventivas continuam fazendo parte dos cuidados com a saúde.




