Um detento foi morto com golpes de uma arma artesanal durante uma briga envolvendo integrantes de facções criminosas rivais na Unidade Prisional Professor José Jucá Neto (UP Itaitinga 3), em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza. O crime ocorreu no domingo (1º), quando Francisco Erike da Silva Araújo foi atingido no pescoço e no tórax durante um confronto com outro interno.
A vítima integrava uma organização criminosa de origem paulista, enquanto o suspeito, identificado como Marcos Paulo Pinheiro Viana da Silva, pertence a um grupo criminoso de origem carioca. As informações foram divulgadas pela Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização do Ceará (SAP).
A arma utilizada no ataque é conhecida como cossoco, denominação popular para um tipo de instrumento artesanal utilizado como arma perfurante ou cortante. O confronto aconteceu dentro da unidade prisional e mobilizou policiais penais e profissionais de saúde que atuam no estabelecimento.
Segundo a SAP, os agentes perceberam a confusão e intervieram para separar os dois internos. Depois da contenção, Francisco Erike foi encaminhado para receber atendimento da equipe de saúde da unidade, que identificou os ferimentos.
Detento é ferido no pescoço e no tórax durante confronto
Após a intervenção dos policiais penais, os profissionais de saúde realizaram os primeiros procedimentos de atendimento à vítima. Diante da gravidade dos ferimentos, foi solicitado apoio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Em nota, a Secretaria da Administração Penitenciária informou que a equipe de saúde tentou prestar assistência ao detento, mas o óbito foi constatado ainda na unidade prisional.
A ocorrência foi registrada dentro da UP Itaitinga 3, estabelecimento localizado em Itaitinga, município da Região Metropolitana de Fortaleza. O caso envolve dois internos apontados como integrantes de organizações criminosas com origens distintas, uma paulista e outra carioca.
A identificação dos grupos aos quais os envolvidos pertenciam foi divulgada pela própria SAP. A informação ajuda a dimensionar o contexto do confronto, embora os dados apresentados pela secretaria não detalhem o que teria motivado o início da discussão entre os detentos.
Também não foram divulgadas informações sobre a procedência da arma artesanal utilizada no ataque nem sobre as circunstâncias em que o instrumento chegou às mãos dos envolvidos.
Suspeito de matar colega de cela já cumpre pena por homicídio
Depois da confirmação da morte de Francisco Erike, Marcos Paulo foi encaminhado à delegacia e autuado em flagrante por homicídio doloso. A modalidade de crime ocorre quando há intenção de matar ou quando o autor assume o risco de produzir a morte de outra pessoa.
O histórico criminal do suspeito também foi considerado na análise judicial do caso. De acordo com as informações apresentadas na decisão, Marcos possui condenações anteriores por roubo e por outro homicídio.
Pelo último crime, ele recebeu uma pena de 39 anos, seis meses e 20 dias de prisão. Além das condenações, o detento possui registros de fuga e quatro faltas graves cometidas durante o período em que esteve no sistema penitenciário.
Esses antecedentes foram mencionados pela magistrada ao analisar a situação do investigado após o novo episódio de violência dentro da unidade prisional.
O caso ganha relevância também pelo fato de o suspeito já estar cumprindo uma extensa pena de prisão quando ocorreu o confronto que terminou com a morte de outro interno. A ocorrência passa a integrar o histórico criminal de Marcos e deverá ser apurada em um novo procedimento judicial.
Justiça não identificou elementos que confirmem legítima defesa
Durante o depoimento, Marcos Paulo apresentou uma versão segundo a qual teria tomado o cossoco das mãos de Francisco Erike e utilizado a arma para se defender. O suspeito alegou, portanto, que agiu em legítima defesa durante o confronto.
A justificativa, no entanto, não foi considerada suficiente pela Justiça para afastar, neste primeiro momento, a possibilidade de responsabilização criminal pelo homicídio.
Na decisão, a juíza destacou que não havia elementos capazes de confirmar a versão apresentada pelo detento. A alegação de legítima defesa, dessa forma, não foi reconhecida nessa etapa da análise judicial.
A avaliação inicial não representa, por si só, uma conclusão definitiva sobre todas as circunstâncias do crime. A investigação deverá esclarecer como começou a briga, de que maneira a arma artesanal foi utilizada e qual foi a participação de cada envolvido no episódio.
A apuração também deverá considerar os elementos reunidos pelas autoridades responsáveis pelo caso, incluindo os registros da ocorrência dentro da unidade prisional e os procedimentos realizados após a intervenção dos policiais penais.
O homicídio ocorreu na Unidade Prisional Professor José Jucá Neto, em Itaitinga, e foi registrado pela Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização. Marcos Paulo foi autuado em flagrante por homicídio doloso após a morte de Francisco Erike.




