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CRIME ORGANIZADO

Facção em Banabuiú: criminosos exigiam pagamento para permitir venda de água, aponta investigação

Investigação aponta ameaças e cobranças atribuídas ao Comando Vermelho contra comerciantes de água mineral no município cearense; três suspeitos foram presos

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Facção em Banabuiú: criminosos exigiam pagamento para permitir venda de água, aponta investigação
Facção em Banabuiú exigia pagamentos de comerciantes para permitir a venda de água, segundo investigação. Três suspeitos foram presos. Foto: Ascom SSPDS.


Uma investigação sobre a atuação de uma facção em Banabuiú, no Sertão Central do Ceará, revelou um esquema de ameaças e extorsão contra comerciantes responsáveis pela venda de água mineral. Segundo os levantamentos policiais, suspeitos ligados ao Comando Vermelho (CV) exigiam pagamentos semanais para permitir o funcionamento de estabelecimentos e tentavam controlar a distribuição do produto no município.

Leia também: Facção ameaça comerciantes e água mineral passa a ser distribuída sob escolta no Ceará; três são presos

As ameaças provocaram o fechamento de distribuidoras, deixaram moradores em filas para comprar garrafões e levaram o Governo do Ceará a organizar o transporte de água com escolta policial. Três homens foram presos em outubro, enquanto as autoridades identificaram um suspeito de comandar as ameaças que estaria no Rio de Janeiro.

Facção em Banabuiú cobrava até R$ 750 por semana para vender água

A investigação aponta que integrantes de uma facção em Banabuiú passaram a exigir pagamentos de comerciantes para permitir a venda e a distribuição de água mineral. As cobranças atribuídas ao Comando Vermelho variavam de R$ 200 a R$ 750 por semana, conforme relatos reunidos pelas autoridades e documentos policiais.

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As ameaças começaram a circular em 19 de outubro, quando um comunicado identificado como "Edital Banabuiú" foi divulgado em nome de uma suposta direção local da organização criminosa. O documento estabelecia que a comercialização de água dependeria de autorização do grupo, impunha restrições à venda de uma marca de água mineral e ameaçava comerciantes que descumprissem as ordens.

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Entre as represálias mencionadas estavam a apreensão de garrafões e o fechamento dos estabelecimentos. Segundo os investigadores, a imposição dessas regras buscava ampliar o controle da facção sobre uma atividade comercial essencial à população.

Como funcionava a extorsão de comerciantes em Banabuiú?

De acordo com a investigação, os suspeitos utilizavam ameaças e mensagens para exigir dinheiro dos comerciantes. Registros policiais apontam que empresários receberam cobranças por aplicativos de mensagens nos dias 20 e 21 de outubro. Em uma das situações investigadas, foi exigido o pagamento de R$ 200 para permitir o funcionamento de um estabelecimento, sob ameaça de fechamento.

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Outros relatos indicaram cobranças semanais de aproximadamente R$ 750 no setor de distribuição de água. Os valores teriam sido apresentados como condição para que os comerciantes continuassem trabalhando, enquanto a organização criminosa tentava estabelecer uma autorização própria para a atividade comercial, mediante intimidação.

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Com medo de represálias, comerciantes interromperam a venda de água mineral. A suspensão das atividades afetou diretamente a rotina dos moradores que dependem da compra de garrafões para consumo.

Três suspeitos de integrar o esquema foram presos

Três homens foram presos em flagrante no dia 22 de outubro, durante uma operação conjunta da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) e da Polícia Militar do Ceará (PMCE).

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Os investigados foram identificados como:

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  1. Cícero Kevin Gomes Farias, de 26 anos;
  2. Francisco das Chagas de Lima da Silva, de 34 anos, conhecido como Chico Motos;
  3. Carlos Fernando da Silva Andrade, de 25 anos.

Segundo os levantamentos policiais, Cícero Kevin é apontado como possível liderança local do grupo. Francisco das Chagas e Cícero Kevin também são investigados por suposta participação em atividades de agiotagem, enquanto Carlos Fernando teria atuado na arrecadação de valores para a organização criminosa.

A investigação aponta que a estrutura financeira da facção também poderia ser utilizada para cobrar dívidas de empréstimos ilegais, com repasse de parte dos valores arrecadados ao grupo.

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Com o trio, os policiais apreenderam seis aparelhos celulares, um revólver calibre 38, munições, um notebook e uma quantia em dinheiro. A operação foi realizada a partir de informações reunidas pela Polícia Civil e por seu Departamento de Inteligência.

Quem seria o mandante das ameaças em Banabuiú?

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) informou que identificou o suspeito de comandar as ameaças e cobranças contra os comerciantes. Segundo as autoridades, o homem estaria no estado do Rio de Janeiro, mas sua identidade não foi divulgada oficialmente nas informações disponibilizadas sobre o caso.

A Polícia Civil do Ceará trabalha em conjunto com a Polícia Civil fluminense para localizar o investigado e dar continuidade às diligências. Outros possíveis envolvidos também são investigados, enquanto as autoridades buscam esclarecer a estrutura de comando do grupo e a participação de cada suspeito nas extorsões.

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A atuação de um possível mandante fora do Ceará é um dos pontos examinados pelos investigadores, que apuram como as ordens eram transmitidas aos integrantes que atuavam em Banabuiú.

Justiça determinou prisão preventiva dos três investigados

Após as prisões em flagrante, os três suspeitos passaram por audiência de custódia. A Justiça decidiu converter as detenções em prisões preventivas no dia 23 de outubro.

Na decisão, o juiz Maycon Robert Moraes Tomé considerou os elementos apresentados pela investigação sobre a atuação de uma organização criminosa com divisão de tarefas. Segundo os autos, o grupo teria uma estrutura composta por lideranças, responsáveis por ameaças, cobradores e pessoas encarregadas de arrecadar os valores exigidos dos comerciantes.

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O magistrado também mencionou relatos de policiais militares que demonstraram receio de sofrer represálias caso fossem identificados nominalmente na investigação. A decisão considerou a gravidade dos fatos e os possíveis riscos à continuidade da apuração.

As defesas contestaram as acusações e questionaram a legalidade das prisões. O advogado Wallace Holanda, que representa Cícero Kevin e Francisco das Chagas, afirmou que não existem indícios mínimos de autoria contra seus clientes e que pretende questionar os procedimentos adotados pelos policiais.

A defesa de Carlos Fernando também foi procurada pela imprensa, mas não havia apresentado posicionamento nas informações consultadas. As prisões preventivas permanecem como medidas cautelares, enquanto a investigação prossegue.

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Venda de água passou a ocorrer com escolta policial

O impacto das ameaças levou o Governo do Ceará e a Prefeitura de Banabuiú a organizar uma operação emergencial para garantir o acesso da população à água mineral.

Desde 30 de outubro, a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) disponibiliza apoio logístico para recolher garrafões de fornecedores e transportá-los até o município. O deslocamento é acompanhado por equipes da Polícia Militar, que reforçaram a segurança para permitir a comercialização do produto.

O primeiro carregamento, com aproximadamente mil garrafões, chegou à cidade no sábado (31). A operação foi organizada para atender à demanda enquanto as distribuidoras locais não retomam o funcionamento normal.

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Segundo a Prefeitura, a programação previa novas entregas diárias a partir desta terça-feira (3), com continuidade até sábado (7), conforme a necessidade. A Cagece atua no transporte dos garrafões, enquanto a comercialização é realizada no município com apoio das forças de segurança.

Ameaças provocaram filas e suspensão de aulas

A interrupção das vendas de água mineral afetou a rotina de Banabuiú, município com aproximadamente 17 mil habitantes. Moradores chegaram a formar filas para comprar garrafões durante a operação emergencial organizada pelo poder público, enquanto a falta do produto também prejudicou o funcionamento de uma escola municipal, que suspendeu as aulas em 21 de outubro.

O prefeito Marcílio Coelho (PSB) informou que os comerciantes demonstravam receio de retomar as atividades, mesmo com o reforço policial. A situação levou a Prefeitura a buscar uma alternativa temporária para garantir a oferta de água à população sem expor diretamente os fornecedores locais às ameaças.

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A operação emergencial passou a ser uma das principais medidas para manter o abastecimento de água mineral enquanto as forças de segurança investigam os responsáveis pelas cobranças e buscam restabelecer as condições para o funcionamento das distribuidoras.

Polícia reforçou segurança em Banabuiú após ameaças do Comando Vermelho

A SSPDS informou que ampliou o policiamento no município com equipes de diferentes unidades da Polícia Militar. Entre os grupos mobilizados estão o Batalhão Especializado de Policiamento do Interior (Bepi), o Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio), a Força Tática e o Comando da Polícia Militar para Prevenção e Apoio às Comunidades (Copac).

As operações também contam com apoio da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer). O reforço busca garantir a segurança dos moradores, dos comerciantes e das equipes responsáveis pelo transporte dos garrafões.

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A Polícia Civil continua investigando as ameaças, as cobranças de valores e a tentativa de controle da comercialização de água mineral no município.

Como denunciar ameaças e extorsões no Ceará?

Comerciantes e moradores que recebam ameaças ou tenham informações sobre a atuação de organizações criminosas podem procurar os canais oficiais de segurança pública.

As denúncias podem ser realizadas pelos seguintes meios:

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  1. Disque-Denúncia 181: serviço da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará.
  2. WhatsApp (85) 3101-0181: recebe mensagens, fotografias, vídeos e áudios.
  3. Site: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.

Segundo a SSPDS, os canais permitem o encaminhamento de informações com garantia de sigilo e anonimato. Em situações de ameaça imediata ou ocorrência em andamento, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.

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