Moradores de Banabuiú, no Sertão Central do Ceará, continuam precisando comprar garrafões de água mineral sob escolta policial após ameaças atribuídas a integrantes do Comando Vermelho (CV) contra distribuidoras do município. Nesta terça-feira (3), filas foram registradas na Praça da Matriz, no Centro da cidade, onde a população procura garantir o abastecimento depois que empresas do setor suspenderam as atividades por medo de represálias.
A situação começou na semana passada, quando comerciantes receberam ameaças e exigências de pagamento de uma taxa por cada garrafão de água vendido. Diante da pressão, empresários procuraram as autoridades policiais e foram orientados a não atender às exigências. Mesmo assim, o temor de novos ataques levou os estabelecimentos a interromperem as vendas.
Com as distribuidoras fechadas há aproximadamente uma semana, o fornecimento regular de água mineral passou a depender de uma operação emergencial organizada com participação da Prefeitura de Banabuiú, do Governo do Ceará e da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece).
A operação de transporte e comercialização assistida começou no sábado (31). A Cagece levou os primeiros mil garrafões ao município, permitindo que os moradores tivessem acesso ao produto enquanto as empresas locais permanecem sem funcionamento normal.
O episódio expõe os impactos das ameaças criminosas sobre atividades comerciais e serviços essenciais à população. Além do prejuízo aos empresários, a interrupção das vendas obriga famílias a enfrentar filas e depender de uma operação especial para conseguir comprar água.
Banabuiú mantém distribuição de água com escolta policial
A operação foi articulada após a suspensão das atividades das distribuidoras locais. Com a participação da Cagece, os garrafões passaram a ser transportados para atender à demanda dos moradores, com acompanhamento das forças de segurança.
Na Praça da Matriz, ponto de atendimento no Centro de Banabuiú, moradores formaram filas para adquirir os recipientes. A movimentação registrada nesta terça-feira demonstra que a situação ainda não foi normalizada, mesmo após o início da força-tarefa.
O prefeito Marcílio Coelho informou, no último fim de semana, que a operação deverá continuar enquanto as distribuidoras da cidade não retomarem suas atividades.
A medida busca evitar que a população fique sem acesso à água mineral em razão das ameaças sofridas pelos comerciantes. O apoio logístico da administração municipal também tem sido direcionado às ações da Cagece.
A crise afeta diretamente a rotina das famílias, que dependem da compra de garrafões para o consumo doméstico. A paralisação das empresas também compromete a atividade econômica dos comerciantes, que ficam impedidos de trabalhar normalmente diante do risco de represálias.
Três suspeitos são presos por ameaças e extorsão em Banabuiú
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) informou que três suspeitos de envolvimento nas ameaças e extorsões contra comerciantes foram presos.
As capturas ocorreram em uma operação conjunta da Polícia Civil do Ceará (PCCE) e da Polícia Militar do Ceará (PMCE), com informações fornecidas pelo Departamento de Inteligência da Polícia Civil.
Durante a ação, os agentes apreenderam seis aparelhos celulares, um revólver calibre 38, munições, um notebook e uma quantia em dinheiro, cujo valor não foi divulgado.
A investigação também identificou o homem apontado como suposto mandante das ameaças. Conforme a SSPDS, ele está no estado do Rio de Janeiro.
As polícias civis do Ceará e do Rio de Janeiro trabalham em conjunto para avançar nas investigações e apurar a participação do suspeito na articulação das exigências feitas aos comerciantes.
A identificação de um possível mandante fora do Ceará indica que a apuração não está limitada às pessoas que teriam realizado as ameaças diretamente no município. A investigação busca esclarecer como as ordens foram transmitidas e quais pessoas participaram da tentativa de extorsão.
As autoridades não divulgaram, nas informações repassadas, os nomes dos três presos nem detalhes adicionais sobre as circunstâncias das capturas.
SSPDS reforça policiamento com equipes especializadas e apoio aéreo
Diante da situação em Banabuiú, a SSPDS informou que intensificou a presença das forças de segurança no município.
O policiamento conta diariamente com equipes do Policiamento Ostensivo Geral (POG), da Força Tática (FT) e do Motopatrulhamento. Também foram mobilizados efetivos de unidades especializadas da Polícia Militar.
Entre os reforços estão equipes do Batalhão Especializado em Policiamento do Interior (BEPI), do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio) e do Comando da Polícia Militar para Prevenção e Apoio às Comunidades (Copac).
A cidade também conta com o destacamento da 4ª Companhia do 9º Batalhão da Polícia Militar.
O trabalho das equipes terrestres recebe apoio de uma aeronave da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer), vinculada à SSPDS.
Segundo a secretaria, as ações são realizadas de maneira contínua, com o objetivo de reforçar a segurança e intensificar o patrulhamento na região.
A mobilização envolve diferentes modalidades de policiamento e busca ampliar a capacidade de resposta das forças estaduais diante das ameaças e dos possíveis desdobramentos da situação.
Prefeitura afirma que mantém articulação com o Governo do Ceará
Em nota, a Prefeitura de Banabuiú afirmou que acompanha os transtornos enfrentados pelos moradores e comerciantes e que participa das medidas adotadas para reduzir os impactos da crise.
A administração municipal ressaltou que a responsabilidade constitucional pela segurança pública é do Governo do Estado, por meio da SSPDS, mas destacou que mantém diálogo com as autoridades estaduais e oferece suporte às operações.
Entre as ações municipais está o apoio logístico ao trabalho da Cagece, responsável pelo transporte dos garrafões utilizados no atendimento emergencial à população.
A gestão também afirmou que as forças policiais trabalham de maneira integrada para restabelecer a normalidade no município.
No comunicado, a Prefeitura manifestou solidariedade aos moradores e comerciantes afetados e pediu união diante da situação. A administração também criticou manifestações que, segundo o texto, estariam utilizando os transtornos enfrentados pela população para disputas políticas ou ataques à imagem da cidade.
O município afirmou que continuará colaborando com o Estado até que a tranquilidade seja restabelecida.
Quando as distribuidoras de água voltarão a funcionar?
Até esta terça-feira (3), não havia confirmação sobre uma data para a retomada normal das atividades das distribuidoras de água mineral de Banabuiú.
A continuidade da operação emergencial está condicionada à situação de segurança e à possibilidade de os comerciantes voltarem a trabalhar sem ameaças.
O prefeito Marcílio Coelho já havia informado que a força-tarefa permaneceria em funcionamento enquanto os estabelecimentos não retomassem o atendimento.
A normalização é importante tanto para os moradores quanto para os empresários. Para as famílias, significa recuperar o acesso regular ao produto sem depender de uma estrutura emergencial. Para os comerciantes, representa a possibilidade de voltar a trabalhar sem sofrer pressões criminosas.
O caso também evidencia como ameaças e tentativas de extorsão podem ultrapassar o ambiente empresarial e atingir diretamente a população. Quando estabelecimentos deixam de funcionar por medo de represálias, os efeitos alcançam consumidores, trabalhadores e toda a dinâmica econômica local.
Em Banabuiú, a expectativa é que as prisões, o reforço policial e a atuação conjunta das autoridades permitam restabelecer a segurança e a normalidade no comércio de água mineral.




