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Desmatamento da Mata Atlântica no Ceará cai 21% em 2024; número ainda é preocupante

Estado perdeu 1.761 hectares de vegetação no último ano; agricultura é principal causa do desmate

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Desmatamento da Mata Atlântica no Ceará cai 21% em 2024; número ainda é preocupante
Foto: GCMais

O Ceará registrou uma queda de 21% no desmatamento da Mata Atlântica em 2024, conforme relatório divulgado nesta segunda-feira (13) pela Fundação SOS Mata Atlântica. De acordo com os dados, baseados no Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), o estado perdeu 1.761 hectares do bioma, frente aos 2.242 hectares desmatados em 2023.

A retração em 2024 não foi suficiente para compensar o aumento expressivo registrado entre 2022 e 2023, quando o desmatamento subiu cerca de 142%, passando de 927 hectares para 2.242 hectares. Entre as principais causas apontadas para a perda da vegetação, a agricultura aparece como a maior responsável, com 1.572 hectares desmatados — o equivalente a 89,3% do total. Em seguida, estão a aquicultura (criação de organismos aquáticos), com 120 hectares (6,8%), e a expansão urbana, que respondeu por 65 hectares (3,7%).

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Apesar da redução, os números ainda são considerados altos. Segundo Luís Fernando Guedes Pinto, diretor-executivo da Fundação SOS Mata Atlântica, a situação continua preocupante. “É uma área significativa de Mata Atlântica perdida. O Ceará tem poucas áreas desse bioma, já que a Caatinga é predominante no estado, mas a Mata Atlântica ainda tem um valor imenso. Esse é um sinal de que a perda de áreas de regeneração continua e precisa ser controlada”, afirmou.

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Os dados são oriundos do Atlas da Mata Atlântica 2023-2024, elaborado em parceria com o MapBiomas e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O relatório adota duas metodologias complementares: o SAD, que detecta desmatamentos a partir de 0,5 hectare, e o Atlas dos Remanescentes Florestais, que monitora florestas maduras com mais de 3 hectares.

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No recorte específico das florestas maduras — áreas com maior biodiversidade e estoque de carbono — o Ceará teve aumento de 154% na perda entre 2023 e 2024, saltando de 6,6 hectares para 16,8 hectares. Embora o número absoluto pareça pequeno, o impacto é significativo dada a escassez dessas áreas no estado.

“Como a área de florestas maduras no Ceará é muito pequena, mesmo pequenas perdas podem gerar aumentos percentuais que parecem mais alarmantes. No entanto, com o uso de ferramentas que detectam áreas menores, o número total salta para 1.761 hectares, e esse é alarmante”, explicou Luís Fernando.

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No Brasil como um todo, o desmatamento da Mata Atlântica caiu 14% em 2024. Foram 71.109 hectares desmatados, ante 82.531 hectares em 2023. A perda de florestas maduras também teve leve recuo, de 14.697 hectares para 14.366 hectares — uma redução de apenas 2%.

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