Em entrevista exclusiva à jornalista Christina Lemos, do Jornal da RECORD, nesta quinta-feira (10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu com firmeza à decisão de Donald Trump de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Lula classificou a medida como "desrespeitosa" e afirmou que o Brasil adotará uma postura de diálogo, mas não descarta retaliar os Estados Unidos com a mesma intensidade.
“Temos a Lei da Reciprocidade aprovada no Congresso. Se ele cobrar 50% da gente, nós vamos cobrar 50% deles”, declarou o presidente, enfatizando que a negociação será a primeira opção, mas que o governo está pronto para reagir de forma proporcional, caso não haja acordo.
Lula também anunciou a criação de um comitê especial para acompanhar a crise comercial, com participação do setor empresarial. “A gente vai acompanhar dia a dia e repensar a política comercial com os americanos”, disse o presidente.
Reação diplomática e possíveis medidas
O presidente afirmou que tanto o Itamaraty quanto o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) já estão em contato com representantes dos EUA. Segundo ele, o Brasil poderá acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) e reunir outros países atingidos pelas tarifas para uma resposta conjunta.
“Se nada disso der resultado, vamos aplicar a Lei da Reciprocidade”, reforçou.
Acusações contra Bolsonaro e críticas a Trump
Lula acusou o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) de influenciar a decisão de Trump. “Foi o filho dele quem foi lá incentivar Trump a retaliar o Brasil. Aqui, decisão judicial se cumpre”, afirmou, em referência ao processo de Bolsonaro no STF.
O petista também rebateu as alegações de Trump sobre o comércio entre os dois países. Segundo Lula, ao contrário do que foi dito, os EUA têm superávit na balança comercial com o Brasil: “Exportamos US$ 40 bilhões e importamos US$ 47 bilhões dos Estados Unidos em 2023. Nos últimos 15 anos, tivemos um déficit acumulado de US$ 410 bilhões com eles.”
“Não temos complexo de vira-lata”
Em tom firme, Lula afirmou que o Brasil exige respeito nas relações internacionais: “Respeito é bom, e eu gosto de dar e gosto de receber. Não pensem que temos complexo de vira-lata. Não temos medo.”
O presidente encerrou a entrevista reforçando o perfil diplomático do Brasil e criticando a atitude do presidente norte-americano: “Se ele conhecesse um pouco do Brasil, teria mais respeito. O Brasil resolve as coisas na conversa. Temos 201 anos de relações com os EUA. Trump precisa entender que não somos subalternos.”
A entrevista completa vai ao ar nesta quinta-feira, às 19h55, no Jornal da RECORD.




