Pesquisadores do Museu de História Natural do Ceará (MHNCE), vinculado à Universidade Estadual do Ceará (Uece), identificaram duas espécies de morcegos até então não registradas no estado. Os animais foram encontrados nos municípios de Guaramiranga e Pacoti, na região do Maciço de Baturité.
As descobertas aconteceram durante um estudo que investigava a presença de coronavírus em animais silvestres do Ceará. A pesquisa, que durou três anos, envolveu a captura de morcegos, roedores e marsupiais para coleta de amostras biológicas.
Uma das espécies identificadas é o Myotis ruber, conhecido como morcego-borboleta-avermelhado. O exemplar foi encontrado vivo no Sítio Nova Olinda, em Guaramiranga. A coloração marrom-avermelhada do animal chamou a atenção dos pesquisadores por fugir do padrão dos morcegos comuns da região. Essa espécie é considerada quase ameaçada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), devido à perda de habitat.
A outra espécie é o Molossus pretiosus, localizada em Pacoti, no campus experimental da Uece. O exemplar estava morto, mas em boas condições para análise. Segundo a bióloga Nádia Cavalcante, responsável pelo artigo, isso facilitou a identificação: “Ainda tinha todas as características que precisávamos”.
Para confirmar as espécies, a equipe analisou diversos detalhes anatômicos, como dentição e estrutura craniana. Ambas são insetívoras, ou seja, se alimentam de insetos.
O trabalho contou com o apoio da Fiocruz e do Museu Nacional, além de uma equipe multidisciplinar formada por especialistas como os doutores José Luiz Passos Cordeiro, Marcione Oliveira, Aldo Caccavo, Giovanny Mazzarotto e Hugo Fernandes Ferreira.




