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Banco Master recebeu ultimato do BC sob Campos Neto um ano antes de ser liquidado

O BC abriu, esta semana, uma investigação para apurar a atuação do ex-presidente da instituição, Roberto Campos Neto, no processo de fiscalização e liquidação do Banco Master

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Banco Master recebeu ultimato do BC sob Campos Neto um ano antes de ser liquidado
Foto: GCMais

O Banco Master recebeu um ultimato do Banco Central (BC) sob a presidência de Roberto Campos Neto, em novembro de 2024, cerca de um ano antes de sua liquidação em novembro de 2025, conforme mostra um documento revelado recentemente.

O documento assinado pelo banqueiro Daniel Vorcaro comprometeu o banco a implementar medidas em até 180 dias, como reforço na governança corporativa, gestão de riscos e manutenção de liquidez de curto prazo e patrimônio de referência acima de 12,5%. O acordo, na reta final da gestão Campos Neto, visava corrigir falhas graves detectadas ao longo de 2024, incluindo recolhimentos insuficientes de depósitos compulsórios superiores a R$ 2 bilhões e ativos de baixa liquidez como precatórios.

A liquidação extrajudicial, decretada pelo BC, foi justificada por crise de liquidez grave no conglomerado Master, com dívidas pagas pelo FGC há meses e negociações frustradas, como a venda ao BRB em março de 2025. A defesa de Vorcaro alega cumprimento das metas e solvência até o fim, com ativos superando passivos em balanços auditados.

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O caso enfraquece a narrativa de surpresa por parte do Master na intervenção, expondo que havia monitoramento prévio do BC. O FGC já pagou R$ 32,5 bilhões a 75% dos credores, estimando R$ 40,6 bilhões totais em garantias.

Investigação

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O BC abriu, esta semana, uma investigação interna para apurar a atuação da gestão do ex-presidente da instituição, Roberto Campos Neto, no processo de fiscalização e liquidação do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. O caso Master trata da fraude financeira bilionária considerada uma das maiores já registradas no Brasil.

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Iniciada no fim de 2025 pelo presidente Gabriel Galípolo e conduzida pela corregedoria, a auditoria prioriza ações desde 2019, quando o ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza autorizou a transferência do controle do Banco Máxima para o Master. A análise abrange a consolidação do processo (cerca de dois anos), problemas de liquidez identificados em 2024 e indícios de que a liquidação poderia ter ocorrido antes, apesar de alertas prévios na Faria Lima sobre riscos do banco.

Souza, que chefiou a fiscalização até 2023 sob Campos Neto e continuou supervisionando o Master, foi afastado uma semana após a liquidação de novembro de 2025, assim como Belline Santana, do Departamento de Supervisão Bancária; divergências sobre lançamentos no balanço geraram discussões acaloradas com Galípolo. Sem acusações formais, os afastamentos visam transparência, mas geram desgaste entre servidores experientes.

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Logo após o início da sindicância, os chefes do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, foram afastados. A medida busca transparência na atuação do BC, prestando contas à sociedade em meio a questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU) e Supremo Tribunal Federal (STF).

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O Banco Master entrou em colapso após expansão agressiva, com negociações frustradas para venda ao BRB (Banco de Brasília), que absorveu carteiras de crédito mas enfrenta perdas potenciais.

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Entenda o caso Master

O escândalo envolvendo o Banco Master é apontado como uma das maiores fraudes financeiras já registradas no Brasil. O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025 devido a graves irregularidades financeiras e suspeitas de fraudes bilionárias.

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O banco, controlado por Daniel Vorcaro, praticou manipulação contábil para inflar ativos, emissão de títulos falsos, venda de carteiras de crédito fictícias ao Banco de Brasília por R$ 12 bilhões e uso de fundos para simular operações e ocultar prejuízos, totalizando cerca de R$ 11-12 bilhões em desvios.

A Polícia Federal conduz a Operação Compliance Zero, com fases que revelaram uso de laranjas, empréstimos simulados, compras superfaturadas e lavagem de dinheiro, levando à prisão temporária de Fabiano Zettel (cunhado de Vorcaro) e buscas contra Nelson Tanure.

O ministro Dias Toffoli, relator no STF, prorrogou investigações por 60 dias, determinou quebra de sigilo de 101 pessoas/empresas, bloqueio de R$ 5,7 bilhões e apreensão de bens como 39 celulares, 31 computadores e R$ 16 milhões em veículos.

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O caso ganhou contornos políticos com redes de influência em Brasília, contratos suspeitos com escritórios ligados a familiares de ministros e críticas à condução de Toffoli, que centralizou provas na PGR.

O FGC atende 1,6 milhão de investidores com R$ 41 bilhões em CDBs, recebendo 600 mil pedidos de ressarcimento até agora, enquanto a liquidação se estendeu à Will Financeira (Will Bank) em 21 de janeiro de 2026. As investigações apontam ainda conexões com lavagem para o PCC via Reag DTVM (também liquidada) e padrões de luxo sustentados por desvios.

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