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41 ANOS EM SIGILO

O que matou Tancredo Neves? Justiça libera acesso a arquivos médicos de ex-presidente do Brasil

Decisão do TRF-1 atende a pedido de um dos filhos do ex-presidente, que pretende consultar prontuários e registros do tratamento realizado em 1985.

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Tancredo Neves foi eleito presidente em janeiro de 1985, mas morreu antes de tomar posse, após ser internado às vésperas da cerimônia.

Mais de quatro décadas depois da morte de Tancredo Neves, a Justiça Federal autorizou o acesso a documentos médicos relacionados ao tratamento do ex-presidente. A decisão da 13ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) permite que um dos filhos dele consulte registros sobre o atendimento hospitalar realizado em 1985.

O julgamento ocorreu em 26 de outubro e atendeu a um pedido de Tancredo Augusto Tolentino Neves. A solicitação envolve prontuários, relatórios e outros documentos que podem ajudar a esclarecer detalhes do tratamento e das circunstâncias que antecederam a morte do político.

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O caso voltou ao debate público porque a internação e a morte de Tancredo, ocorrida em 21 de abril de 1985, são cercadas de questionamentos históricos e teorias da conspiração. Até hoje, o episódio desperta interesse sobre as decisões médicas tomadas durante o período em que ele esteve internado.

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Por que a Justiça autorizou o acesso aos documentos?

A decisão do TRF-1 reconheceu que o sigilo profissional médico não impede, em situações excepcionais, que familiares tenham acesso a informações de saúde de pessoas falecidas.

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O processo foi movido contra o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF). Antes de chegar ao tribunal, o pedido havia sido encerrado na primeira instância sem que o mérito fosse analisado.

Para tentar obter os registros, Tancredo Augusto recorreu ao instrumento jurídico conhecido como habeas data. Esse mecanismo permite solicitar acesso a informações pessoais armazenadas em bancos de dados de órgãos públicos ou de caráter público.

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Com a decisão, o filho poderá buscar os documentos referentes ao atendimento prestado ao pai. O material deverá contribuir para a preparação da segunda edição do livro O Paciente: O Caso Tancredo Neves.

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O que aconteceu com Tancredo Neves antes da posse?

Tancredo Neves foi eleito presidente da República em 15 de janeiro de 1985, pelo Colégio Eleitoral. Representante da Aliança Democrática, ele venceu a disputa que marcou a transição do regime militar para um governo civil, após 21 anos de ditadura no Brasil.

A posse estava prevista para 15 de março daquele ano. No entanto, na véspera da cerimônia, Tancredo apresentou fortes dores abdominais e precisou ser internado no Hospital de Base, em Brasília.

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Na ocasião, ele passou por uma cirurgia para retirada de um divertículo de Meckel infectado. Com a impossibilidade de assumir o cargo, o vice-presidente eleito, José Sarney, tomou posse interinamente no dia seguinte.

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O quadro de saúde de Tancredo exigiu novas intervenções e transferências hospitalares. Ele morreu em 21 de abril de 1985, em São Paulo, sem chegar a assumir oficialmente a Presidência da República.

Morte de Tancredo ainda desperta questionamentos

A morte do presidente eleito teve grande repercussão nacional e se tornou um dos episódios mais marcantes da redemocratização brasileira. A sequência de internações, cirurgias e boletins médicos divulgados na época alimentou dúvidas e versões diferentes sobre o que aconteceu.

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Ao longo dos anos, o caso também passou a ser associado a teorias da conspiração. A liberação dos documentos médicos pode oferecer novos elementos para pesquisadores e familiares interessados em reconstruir o atendimento recebido por Tancredo.

A decisão judicial, porém, trata do acesso aos registros, não de uma conclusão sobre eventuais irregularidades médicas ou sobre as teorias que cercam o episódio. A análise dos documentos ainda será necessária para compreender o que eles efetivamente revelam.

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