A rede de BRT em Fortaleza poderá passar por uma das maiores expansões já discutidas para a mobilidade urbana da capital e da Região Metropolitana. Um estudo elaborado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em parceria com o Ministério das Cidades, propõe ampliar os corredores exclusivos de ônibus dos atuais 5,3 quilômetros para mais de 80 quilômetros.
A proposta integra o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), que selecionou intervenções consideradas prioritárias para melhorar o transporte público da Grande Fortaleza. Entre os projetos estão ampliações dos corredores já existentes e implantação de novas rotas em avenidas estratégicas, como Washington Soares, BR-116 e Silas Munguba.
Segundo o levantamento, somente os projetos ligados ao BRT exigiriam investimentos estimados em R$ 5,2 bilhões. O valor representa cerca de um quarto dos R$ 21,6 bilhões previstos para todas as intervenções sugeridas para a Região Metropolitana de Fortaleza, incluindo também obras de metrô e VLT.
Além da expansão física dos corredores, o estudo também defende medidas para tentar recuperar passageiros perdidos pelo transporte coletivo nos últimos anos, em meio ao crescimento do uso de carros, motocicletas e aplicativos de mobilidade.
BRT em Fortaleza pode chegar a Caucaia e Itaitinga
Atualmente, Fortaleza possui dois corredores BRT em funcionamento: o da Avenida Bezerra de Menezes e o da Avenida Aguanambi.
No caso da Bezerra de Menezes, o estudo propõe uma ampliação até a Avenida Mister Hull, acrescentando 9,5 quilômetros ao sistema atual. Depois disso, o corredor seguiria até o Centro de Caucaia, com mais 6,3 quilômetros de extensão.
A proposta prevê integração com a Linha Oeste do metrô e implantação de novas estações ao longo da CE-085. O objetivo é melhorar o deslocamento entre Fortaleza e Caucaia, um dos fluxos mais intensos da Região Metropolitana.
Já o corredor da Aguanambi teria expansão até o Terminal da Messejana, adicionando mais 11,2 quilômetros ao sistema. O projeto chegou a ser licitado em 2018, mas não avançou naquele momento.
Em abril deste ano, a Secretaria Municipal da Infraestrutura informou que a Licença de Instalação da obra foi publicada no Diário Oficial do Município e que o projeto segue em desenvolvimento.
O estudo do BNDES sugere ainda que o corredor continue até Itaitinga pela BR-116, acrescentando mais 16,4 quilômetros ao sistema e beneficiando também moradores de Eusébio e Aquiraz.
Washington Soares e Silas Munguba entram em plano de expansão
Entre os novos corredores propostos, um dos principais é o da Avenida Washington Soares. O estudo prevê implantação de um eixo de 14,2 quilômetros, ligando áreas de grande demanda de passageiros e forte crescimento urbano.
A avenida concentra intenso fluxo diário de veículos, especialmente nos horários de pico, além de reunir universidades, centros comerciais e condomínios residenciais.
Outro eixo incluído no levantamento é o corredor da Avenida Silas Munguba, considerada uma das principais ligações da região sudeste da capital.
Segundo o estudo, os novos corredores poderiam reduzir tempo de deslocamento, aumentar a velocidade operacional dos ônibus e melhorar a integração entre bairros e municípios da Região Metropolitana.
Estudo prevê mais de R$ 5 bilhões em investimentos
Os projetos relacionados ao sistema BRT aparecem entre os mais caros do pacote apresentado pelo BNDES.
Conforme o levantamento, os investimentos incluem obras de infraestrutura, implantação de corredores exclusivos, estações, requalificação viária e renovação de frota.
Entre os projetos com maior custo previsto estão:
- extensão e requalificação do BRT da BR-116/Aguanambi até Messejana;
- ampliação do corredor Bezerra de Menezes–Mister Hull;
- implantação do corredor da Washington Soares;
- conexão entre Messejana e Siqueira;
- ligação até Caucaia.
O estudo aponta que os investimentos podem beneficiar centenas de milhares de moradores em áreas próximas aos futuros corredores.
Proposta tenta recuperar passageiros do transporte público
Além das obras, o levantamento defende mudanças operacionais para tornar o transporte coletivo mais atrativo.
Entre as medidas sugeridas estão integração tarifária, reorganização de linhas e políticas urbanas voltadas à redução da dependência de veículos particulares.
O estudo também alerta para os impactos do crescimento acelerado da frota de carros e motocicletas na mobilidade da Grande Fortaleza.
Nos últimos anos, congestionamentos mais frequentes e aumento no tempo de deslocamento passaram a afetar diferentes corredores da capital e cidades vizinhas da Região Metropolitana.
Para os autores do levantamento, a ampliação da rede de transporte rápido é tratada como uma das principais alternativas para melhorar a circulação urbana e reduzir pressão sobre o sistema viário da capital cearense.




