A expansão do BRT em Fortaleza pode transformar a mobilidade urbana da capital nos próximos anos. Um estudo elaborado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em parceria com o Ministério das Cidades, propõe a implantação de novos corredores exclusivos de ônibus em importantes avenidas da cidade, com potencial para ampliar a rede atual para mais de 80 quilômetros.
Entre os trechos analisados estão corredores nas avenidas Washington Soares, Silas Munguba e BR-116, além da ampliação de estruturas já existentes. A proposta busca aumentar a velocidade dos ônibus, reduzir o tempo de deslocamento dos passageiros e melhorar a integração do transporte público entre Fortaleza e municípios da Região Metropolitana.
Caso todos os projetos sejam executados, a rede de corredores exclusivos passaria dos atuais 5 quilômetros para mais de 80 quilômetros, representando uma das maiores expansões da infraestrutura de transporte coletivo já discutidas para a região.
Expansão do BRT em Fortaleza pode levar rede para mais de 80 quilômetros
Atualmente, Fortaleza conta com dois principais corredores de BRT em operação: um na Avenida Bezerra de Menezes e outro na Avenida Aguanambi. O estudo apresentado pelo BNDES propõe ampliar esses sistemas e criar novos corredores em áreas consideradas estratégicas para o deslocamento diário da população.
Uma das intervenções prevê a extensão do corredor da Avenida Aguanambi até o Terminal da Messejana. Apenas essa primeira etapa teria mais de 11 quilômetros de extensão.
Segundo especialistas, os projetos podem representar um salto importante na qualidade do transporte público da capital. O especialista em mobilidade urbana Felipe Alves avalia que as propostas atendem demandas antigas dos usuários do sistema.
“O estudo traz diversas vias e corredores que, com certeza, melhorariam muito a qualidade do transporte, a velocidade operacional e o conforto dos usuários. A cidade está precisando disso, sim”, afirma.
Quais avenidas podem receber novos corredores exclusivos de ônibus
Entre os principais eixos contemplados pelo estudo estão algumas das vias mais movimentadas da capital.
A Avenida Washington Soares, importante ligação entre bairros da zona leste e sul, aparece como uma das prioridades do levantamento. Também estão incluídas a Avenida Silas Munguba e a BR-116, corredores que concentram elevado fluxo diário de veículos e passageiros.
A expectativa é que a implantação de faixas exclusivas permita viagens mais rápidas e previsíveis para quem depende do transporte coletivo. Para muitos usuários, os benefícios do modelo já podem ser observados nos corredores atualmente em funcionamento.
Moradora de Fortaleza desde 1963, a aposentada Ana Maria afirma que a experiência nos terminais e corredores de BRT trouxe mais conforto e segurança para os passageiros.
“Foi a melhor coisa que já fizeram nos terminais. Você se sente segura, protegida. Já tem ali o monitor que nos informa o horário do nosso ônibus, isso é muito bom”, afirma.
Estudo do BNDES ainda está em análise pela Etufor
Apesar das projeções apresentadas, os projetos ainda não possuem cronograma de execução.
Segundo a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), o levantamento permanece em fase de avaliação técnica e não há decisão definitiva sobre a adoção das propostas.
O gerente operacional da Etufor, Aristóbolo Rodrigues, afirma que os estudos continuam sendo discutidos entre os órgãos envolvidos. “O estudo ainda está em fase de análise entre a Etufor e o BNDES, então ainda não podemos dar um parecer conclusivo sobre esse estudo”, explica.
Além da expansão dos corredores, o documento também sugere medidas voltadas à integração tarifária e à reorganização da rede de linhas de ônibus.
Como a expansão do BRT pode impactar a mobilidade em Fortaleza
Especialistas apontam que a ampliação dos corredores exclusivos pode gerar benefícios que vão além da redução do tempo de viagem. Com maior eficiência operacional, os ônibus tendem a cumprir horários com mais regularidade e oferecer viagens mais confortáveis para os usuários.
Felipe Alves destaca que os investimentos necessários são elevados e exigirão fontes de financiamento capazes de viabilizar as obras sem pressionar as tarifas cobradas dos passageiros.
Segundo ele, o objetivo é ampliar a qualidade do transporte coletivo sem aumentar significativamente os custos para a população. “A ideia é exatamente melhorar o transporte sem torná-lo mais caro para o usuário”, afirma.
Mesmo pessoas que não utilizam o BRT diariamente acreditam que a expansão pode trazer melhorias para o trânsito e para a mobilidade urbana da capital. A aposentada Maria Vilma considera que outras vias importantes também poderiam ser contempladas futuramente.
“Santos Dumont ainda não tem. Seria uma boa para quem pega transporte todo dia. Acredito que seja”, comenta.
Enquanto os estudos seguem em avaliação, a expectativa é que futuras intervenções contribuam para tornar os deslocamentos mais rápidos, eficientes e acessíveis para milhares de passageiros que utilizam o transporte público em Fortaleza todos os dias.




