A vice-governadora do Ceará, Jade Romero (PT), afirmou que a vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL) enfrenta uma situação de violência política de gênero durante as articulações internas do Partido Liberal para as eleições de 2026. A declaração foi dada em entrevista exclusiva à jornalista Fernanda de Castro, no podcast Café com Verdade, ao comentar a disputa pela composição da chapa do partido para o Senado.
Segundo Jade, o conflito envolvendo Priscila, o deputado federal André Fernandes (PL) e integrantes da direção do partido no Ceará representa um exemplo das dificuldades enfrentadas por mulheres que tentam ocupar espaços na política.
A vice-governadora afirmou que a vereadora teria perdido espaço em uma possível candidatura ao Senado após divergências internas da legenda.
“A gente sabe que a violência política de gênero é um dos motivos pelos quais as mulheres deixam também de colocar os seus nomes. A gente está vendo na direita, aqui no nosso estado, um embate entre a deputada federal Priscila Costa e o deputado federal André Fernandes, onde a Priscila, teoricamente, teve o seu direito ou o seu lançamento de pré-candidatura ao Senado retirado”, declarou.
Jade afirmou que a discussão sobre violência política contra mulheres ultrapassa diferenças ideológicas e envolve representantes de diferentes campos políticos.
“Se há algo que une mulheres de esquerda, de direita, de centro, é exatamente essa violência política de gênero”, disse.
Durante a entrevista, a vice-governadora também citou problemas como fraude à cota de gênero e decisões partidárias concentradas em dirigentes homens como fatores que podem dificultar a presença feminina nas disputas eleitorais.
Disputa por vaga ao Senado provoca divergências no PL Ceará
O nome de Priscila Costa passou a ser citado nas articulações internas do PL no Ceará para uma das vagas ao Senado nas eleições de 2026.
A vereadora era defendida pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que articulava a participação dela na disputa. A movimentação, porém, entrou em conflito com a posição de lideranças do partido no estado, entre elas o deputado federal André Fernandes e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
O grupo ligado a André e Flávio defende o nome do deputado estadual Alcides Fernandes (PL), pai de André, para disputar uma vaga ao Senado.
Nas articulações estaduais, o grupo também deve apoiar Capitão Wagner (União Brasil) para uma das vagas, enquanto o PL ficaria responsável pela indicação de outro nome.
A disputa interna ganhou repercussão após Michelle Bolsonaro publicar um vídeo no fim de junho criticando a condução das negociações dentro do partido.
Priscila Costa afirma que não pretende ampliar crise no partido
Em julho, Priscila Costa afirmou que não pretendia aumentar o conflito interno entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro dentro do PL Ceará. Em vídeo publicado nas redes sociais, a vereadora defendeu a união da direita no Estado e evitou aprofundar as divergências relacionadas à disputa pelo Senado.
“É exatamente por isso que eu não vou alimentar nenhum tipo de conflito. Porque quem luta pela mesma causa, mesmo que em algum momento possa machucar ou se ferir, não pode ficar enfraquecido no meio do caminho, enquanto o verdadeiro adversário observa e se fortalece”, afirmou.
A manifestação ocorreu após a participação da parlamentar em um encontro de mulheres ao lado de Flávio Bolsonaro, realizado no dia 1º de julho. O evento fez parte das movimentações políticas do PL no Ceará para o cenário eleitoral de 2026.
Priscila também afirmou que seu apoio a Flávio Bolsonaro não começou após a crise interna da legenda. Segundo ela, a aproximação ocorreu desde a indicação feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Ao contrário do que tentaram sugerir nos últimos dias, não se trata de um apoio recente. Desde o dia em que o nosso presidente Jair Bolsonaro indicou Flávio Bolsonaro como seu nome para liderar essa missão, a presidente do PL Mulher, Michelle Bolsonaro, direcionou todas as presidentes estaduais a abraçarem esse projeto nacional”, declarou.
Divergências internas refletem estratégias para 2026
A disputa envolvendo Priscila Costa ocorre em meio às articulações para as eleições estaduais de 2026 e expõe diferentes estratégias dentro do PL no Ceará.
O grupo ligado a André Fernandes trabalha pela formação de uma chapa com apoio ao ex-presidenciável Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo Governo do Ceará. A possibilidade de composição política gerou resistência entre setores mais próximos de Michelle Bolsonaro.
Durante as manifestações sobre o caso, Michelle afirmou que Priscila teve participação na campanha de André Fernandes para a Prefeitura de Fortaleza em 2024 e perdeu espaço nas articulações partidárias.
A ex-primeira-dama também declarou que a vereadora teria sido “maltratada” durante as negociações internas para definição da candidatura ao Senado.
Jade Romero destaca participação feminina na política
Além do caso envolvendo o PL, Jade Romero relacionou a discussão à participação das mulheres nos espaços de poder.
Segundo a vice-governadora, além das disputas partidárias, mulheres enfrentam dificuldades relacionadas à sobrecarga de responsabilidades, incluindo atividades profissionais, familiares e de cuidado.
“Nós não deixamos as nossas atividades privadas quando passamos a trabalhar fora, quando passamos a fazer outras atividades. Geralmente a gente soma tudo isso”, afirmou.
Jade declarou ainda que a violência contra mulheres na política impacta tanto aquelas que ocupam cargos públicos quanto as que não participam diretamente da vida partidária.
“A violência contra nós é sentida por todas nós, as que estão na política e as que não estão”, concluiu.




