A vice-governadora do Ceará, Jade Romero (PT), criticou a proposta apresentada pelo pré-candidato ao Governo do Ceará Ciro Gomes (PSDB) de extinguir secretarias estaduais caso seja eleito. Durante entrevista ao podcast Café com Verdade, ela afirmou que a medida poderia atingir estruturas criadas pela atual gestão, como a Secretaria das Mulheres e a Secretaria da Diversidade.
Segundo Jade, a criação dessas pastas representa políticas voltadas para diferentes segmentos da população e não deve ser interrompida. As declarações foram dadas em entrevista exclusiva à jornalista Fernanda de Castro.
“Nós não aceitamos retrocesso na política de mulheres. Parabenizamos o governador Elmano, que criou a Secretaria das Mulheres, e não há como voltar atrás de falar em não ter mais uma Secretaria de Mulheres como essa aqui no estado”, afirmou.
Ao comentar a proposta de Ciro Gomes, a vice-governadora disse que a redução de secretarias poderia afetar ações voltadas a povos marginalizados no Ceará.
“Quando ele coloca que vai acabar secretarias que foram criadas pelo governador Elmano, ele está falando contra os povos originários do estado do Ceará, ele está falando pelo fim da política de igualdade racial, ele está falando contra as pessoas que se identificam com a diversidade”, declarou.
Ciro Gomes lançou sua pré-candidatura ao Governo do Ceará pelo PSDB e deve contar com apoio do PL e de integrantes da base do ex-presidente Jair Bolsonaro no estado.
Ciro propõe redução de secretarias e corte de despesas
A proposta citada por Jade foi apresentada por Ciro Gomes durante o lançamento da construção de seu programa de governo, realizado em Fortaleza no dia 18 de junho. Na ocasião, o pré-candidato afirmou que pretende realizar uma revisão das despesas estaduais e direcionar recursos para outras áreas.
Segundo Ciro, seria possível realizar um corte anual de R$ 1 bilhão em despesas consideradas ociosas, supérfluas, fisiológicas ou relacionadas a irregularidades.
Durante a apresentação do programa, foi sugerida a redução do número de secretarias estaduais, passando de 32 para 22.
Jade Romero comenta disputa interna no PL Ceará
Na mesma entrevista, Jade Romero também falou sobre a disputa interna no Partido Liberal (PL) envolvendo a vereadora de Fortaleza Priscila Costa e as articulações para as eleições de 2026. A vice-governadora afirmou que o caso representa uma situação de violência política de gênero dentro das discussões partidárias para a composição da chapa ao Senado.
Segundo Jade, mulheres de diferentes campos políticos enfrentam dificuldades para ocupar espaços nas disputas eleitorais. “A gente sabe que a violência política de gênero é um dos motivos pelos quais as mulheres deixam também de colocar os seus nomes”, declarou.
Ela citou o embate envolvendo Priscila Costa, o deputado federal André Fernandes (PL) e integrantes da direção do partido no Ceará.
De acordo com Jade, a vereadora teria perdido espaço em uma possível candidatura ao Senado após divergências internas da legenda.
Disputa por vaga ao Senado envolve lideranças do PL
O nome de Priscila Costa passou a ser considerado nas articulações do PL Ceará para uma das vagas ao Senado em 2026. A vereadora era defendida pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que articulava sua participação na disputa. A movimentação, porém, gerou divergências entre integrantes do partido.
O deputado federal André Fernandes e o senador Flávio Bolsonaro (PL) defendem o nome do deputado estadual Alcides Fernandes (PL), pai de André, para concorrer ao Senado.
Nas articulações estaduais, o grupo também trabalha com o apoio a Capitão Wagner (União Brasil) para uma das vagas, enquanto o PL indicaria outro nome.
A disputa interna ganhou repercussão após Michelle Bolsonaro publicar um vídeo no fim de junho criticando a condução das negociações dentro do partido.




