O empresário João Amoêdo, fundador do Partido Novo e candidato à Presidência da República em 2018, declarou voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026, contra Flávio Bolsonaro (PL). Apesar de anunciar apoio ao atual presidente, Amoêdo também fez críticas à gestão petista e afirmou que pretende se posicionar na oposição independentemente de quem vencer a disputa marcada para domingo (25).
Em publicação na rede social X, o empresário afirmou que a escolha é marcada por “frustração e preocupação” com os rumos da política brasileira. Na avaliação dele, o país não conseguiu construir uma alternativa eleitoral competitiva capaz de superar a polarização entre petismo e bolsonarismo, que voltou a dominar a disputa presidencial.
Amoêdo justificou a decisão de votar em Lula ao comparar os riscos políticos que atribui às duas candidaturas. Embora considere negativo um novo mandato do petista, afirmou que prefere essa possibilidade ao que avalia como os riscos de um governo liderado por Flávio Bolsonaro.
“Serei oposição a qualquer um dos dois que vier a ser eleito”, escreveu o empresário ao explicar que não pretende transformar o voto em Lula em apoio permanente ao presidente ou ao PT.
A declaração chama atenção pelo histórico político de Amoêdo. Um dos nomes associados à criação do Novo, partido que surgiu com discurso liberal e oposição ao PT, ele disputou a Presidência em 2018 e apoiou Jair Bolsonaro no segundo turno daquele pleito. Agora, oito anos depois, escolhe o candidato petista para enfrentar o senador do PL.
João Amoêdo critica Lula, mas vê riscos maiores em Flávio Bolsonaro
Ao explicar sua decisão, Amoêdo não poupou críticas ao atual presidente. O empresário avaliou negativamente a administração de Lula e afirmou que o petista cometeu erros ao longo do mandato. Entre os pontos mencionados, destacou a decisão de buscar um quarto mandato presidencial, considerando a avaliação do governo e as limitações associadas à idade do presidente.
A crítica demonstra que a escolha anunciada pelo fundador do Novo não representa uma mudança integral de posição em relação ao PT. O voto é apresentado como uma decisão comparativa entre os dois candidatos que chegaram ao segundo turno, e não como uma adesão ao projeto político de Lula.
Em relação a Flávio Bolsonaro, Amoêdo questionou a experiência e a capacidade do senador para exercer a Presidência. Segundo ele, o candidato não demonstrou iniciativas relevantes durante sua trajetória parlamentar e construiu sua projeção política principalmente em torno do sobrenome da família.
O empresário também criticou o que considera falta de postura, credibilidade e competência por parte do senador. Outro ponto levantado foi a possibilidade de Flávio conceder indulto ao pai, Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe, conforme a avaliação apresentada por Amoêdo.
As declarações representam a interpretação política do empresário sobre os dois candidatos. Ao expor suas razões, ele procura diferenciar as críticas que faz a Lula dos riscos que atribui à eventual chegada de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.
Eleições de 2026 também entram na avaliação sobre 2030
Um dos argumentos centrais de Amoêdo está relacionado às consequências que o resultado de domingo poderá produzir para a disputa política de 2030. Na avaliação do empresário, a escolha entre Lula e Flávio não deve ser analisada apenas pelos efeitos imediatos de um novo governo, mas também pelas condições que cada cenário poderá criar para a renovação da política brasileira.
Amoêdo considera que uma eventual vitória de Lula representaria o último mandato presidencial do petista. Nesse cenário, ele projeta um governo sujeito a uma oposição forte no Senado, fator que, em sua análise, poderia influenciar o equilíbrio de forças políticas nos próximos anos.
Já uma vitória de Flávio Bolsonaro, segundo o empresário, poderia abrir caminho para a continuidade do projeto político da família Bolsonaro. Ele considera que o senador poderia disputar a reeleição e contar com apoio de aliados na Câmara dos Deputados, no Senado e em governos estaduais.
A diferença entre os dois cenários é determinante para o voto anunciado por Amoêdo. Para ele, o resultado da eleição poderá interferir nas possibilidades de renovação de lideranças e na distribuição de poder entre os grupos políticos que disputam espaço no país.
Essa avaliação, entretanto, corresponde a uma projeção do empresário. A composição do Congresso, as alianças partidárias e as condições de uma eventual candidatura em 2030 dependerão de decisões políticas e eleitorais futuras.
O posicionamento também evidencia como a disputa presidencial ultrapassa a escolha entre dois candidatos. Para eleitores e lideranças que defendem alternativas ao PT e ao bolsonarismo, a dificuldade de construir uma candidatura competitiva permanece como uma questão central.
Do antipetismo ao voto em Lula: a trajetória de João Amoêdo
João Amoêdo participou da fundação do Partido Novo em 2011. Engenheiro e ex-executivo do mercado financeiro, ele esteve à frente da legenda desde o registro partidário, em 2015, até 2020.
O Novo surgiu com uma proposta liberal na economia e uma postura de oposição ao PT. Em 2018, Amoêdo concorreu à Presidência da República, terminou o primeiro turno na quinta colocação e declarou voto em Jair Bolsonaro na etapa final da eleição, quando o adversário do então candidato do PSL era Fernando Haddad, do PT.
O apoio a Bolsonaro naquele momento refletia a disputa entre o campo antipetista e a candidatura petista. A declaração de 2026 apresenta uma escolha diferente: diante de Flávio Bolsonaro e Lula, Amoêdo afirma preferir o atual presidente, embora mantenha críticas à sua administração.
A mudança de posicionamento evidencia que a oposição ao PT, por si só, não é suficiente para determinar sua decisão eleitoral neste segundo turno. O empresário afirma considerar também os riscos institucionais e as perspectivas de concentração de poder que associa a cada candidatura.
Ao mesmo tempo, sua declaração reforça o descontentamento com a falta de uma alternativa competitiva fora dos dois grupos políticos. A frustração mencionada por Amoêdo está ligada justamente à permanência dessa polarização e à incapacidade, em sua avaliação, de outros setores construírem uma opção capaz de disputar efetivamente a Presidência.
Com o voto em Lula, o fundador do Novo se posiciona contra a candidatura de Flávio Bolsonaro, mas não abandona a crítica ao petista. Sua promessa de fazer oposição a qualquer vencedor resume a natureza do posicionamento: uma escolha eleitoral específica, sem compromisso de apoio político ao governo que sair das urnas.




