Moradores do bairro Montese, em Fortaleza, capturaram uma capivara que caminhava pelas ruas da região para impedir que o animal fosse atropelado. Após conseguir conter a espécie silvestre, a população a colocou em segurança dentro de uma residência e acionou equipes do Batalhão de Polícia do Meio Ambiente (BPMA), responsáveis pelo resgate.
A ocorrência foi registrada na Rua Antônio Corrêa Lima. Segundo as informações apuradas no local, a capivara apresentava ferimentos nas patas, possivelmente provocados pelo tempo em que permaneceu caminhando sobre vias asfaltadas. Durante a tentativa de contenção, o animal chegou a escapar da corda utilizada pelos moradores, mas foi novamente controlado e mantido em um local seguro até a chegada dos policiais ambientais.
A ação chamou a atenção de moradores da região e ocorre em um momento em que as aparições de capivaras têm se tornado mais frequentes em Fortaleza e em outros municípios cearenses.
Capivara foi contida por moradores até a chegada do BPMA
Depois de serem acionadas, equipes do BPMA seguiram até o endereço para iniciar o resgate. Como a capivara estava bastante agitada, os policiais aguardaram a chegada de um médico-veterinário, que seria responsável pela sedação do animal com o uso de tranquilizante.
O procedimento foi adotado para garantir a segurança da capivara, dos moradores que acompanhavam a ocorrência e das equipes envolvidas na operação.
Segundo as informações levantadas no local pela equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza, a principal preocupação dos moradores era evitar que o animal permanecesse exposto ao trânsito intenso da região, o que poderia resultar em um atropelamento.
Animal apresentava ferimentos nas patas
As informações indicam que a capivara já apresentava lesões nas patas no momento em que foi encontrada. A suspeita é de que os machucados tenham sido provocados pelo deslocamento prolongado sobre o asfalto.
Mesmo após conseguir escapar da primeira tentativa de contenção, o animal foi novamente capturado e levado para o interior de uma residência, onde permaneceu até o início do procedimento de resgate realizado pelo BPMA.
Capivaras voltaram a aparecer com frequência no Ceará
A capivara é considerada o maior roedor do Brasil e é uma espécie silvestre nativa do Ceará. Os animais vivem, normalmente, em grupos de 10 a 40 indivíduos e costumam ocupar áreas próximas a rios, lagoas e outros cursos d'água.
Depois de um período em que a espécie chegou a ser considerada praticamente extinta no estado, principalmente em razão da caça, novos registros passaram a ocorrer em diferentes municípios cearenses.
Além de Fortaleza, exemplares já foram vistos em cidades como Redenção, Baturité, Eusébio e Aquiraz. Na capital, os principais registros acontecem em áreas como Cocó e Sabiaguaba, que oferecem condições ambientais favoráveis para a permanência desses animais.
Especialista orienta população a evitar contato
O biólogo e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Fernando Heberson Menezes, recomenda que a população evite se aproximar de capivaras encontradas em áreas urbanas.
Segundo o pesquisador, embora sejam animais considerados pacíficos, eles podem reagir quando se sentem ameaçados, especialmente se houver filhotes por perto. Nesses casos, há risco de mordidas, que podem causar ferimentos.
O especialista também chama atenção para o risco de zoonoses. Ele explica que ainda não existem informações conclusivas sobre a situação sanitária da população de capivaras existente atualmente no Ceará.
Entre as doenças monitoradas está a febre maculosa, transmitida pelo carrapato-estrela. De acordo com o pesquisador, ainda não há confirmação sobre a presença do carrapato ou da bactéria causadora da doença entre os animais que vivem no estado.
Crescimento da população ainda é estudado
Apesar do aumento dos registros de capivaras em diferentes regiões do Ceará, pesquisadores afirmam que ainda não existe uma explicação definitiva para o reaparecimento da espécie.
Uma das hipóteses é que animais tenham escapado de cativeiros e passado a se reproduzir na natureza. Outra possibilidade considerada pelos especialistas é a ocorrência de solturas intencionais no início dos anos 2000. Até o momento, não há confirmação sobre qual dessas hipóteses explica o crescimento da população.
Plano de manejo é discutido
Diante do aumento das ocorrências envolvendo capivaras em áreas urbanas, especialistas defendem a elaboração de um plano de manejo específico para o Ceará.
A proposta prevê o monitoramento da população da espécie, estudos sobre as condições sanitárias dos animais e a definição de estratégias que permitam preservar as capivaras e reduzir riscos de acidentes ou de conflitos com moradores.




